Mais de 30 criancas em cadeias de Cabo Delgado devido a 'insurgencia'


Luis Bitone, presidente da CNDH

Poe Germano de Sousa


Enquanto no "teatro de operações" a carnificina prossegue e chama a atenção de todo o mundo nessa imperceptível guerra que o corre na província de Cabo Delgado, há um drama preocupante longe dos holofotes da mídia o qual a sociedade nem se a percebe da sua existência, os menores em "reclusão".

Pouco mais de 30 crianças dos zero aos seis anos de idade estiveram ou ainda estão em várias penitenciárias na província de Cabo Delgado na companhia de suas mães indiciadas de alguma relação com os insurgentes que desde 2017 criam terror com os ataques armados no centro e norte daquela parcela de Moçambique.

O facto foi revelado a Moz24h pêlo presidente da Comissão Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) Luís Bitone, numa entrevista onde mostra-se preocupado com a situação.

" Algumas dessas crianças têm 4 meses, um ano ou quase dois anos de idade e precisam de estar com as suas mães para amamentar", explicou Luís Bitone.

A existência dessas crianças foi constada ao longo das visitas que os comissários da CNDH foram efetuando a Cabo Delgado para se inteirarem do nível de violação dos direitos humanos com o eclodir dos ataques.

Para minimizar este cenário, houve un trabalho em coordenação com a Cruz Vermelha.

"Nós como instituição conselheira do estado, recomendamos a construção de infantários onde as mães podem a amamentar os seus filhos fora das cadeias", disse o presidente da CNDH. No entanto há um outro problema, alguns infantários estão longe das cadeias e isso é um transtorno devido a falta de transporte.

Não existem números precisos sobre quantos menores vivem em cadeias em Cabo Delgado já que " todos os dias ocorrem detenções incluindo de mulheres nas zonas de conflito" explica a nossa fonte.

A dificuldade de acesso devido a insegurança a essas zonas complica igualmente a elaboração dr estatísticas.

Em 2018 foi aberto pelo Tribunal Judicial Provincial de Pemba um processo com o número 32/2018 no qual foram indiciados de envolvimento com a "insurgência" quase duzentas pessoas entre as quais 42 mulheres o que lotou a penitenciaria de Pemba.

Para além das super lotações das cadeias, a CNDH está igualmente preocupada com os refugiados que se dirigem aos centros criados para o efeito o que permitiria aferir com alguma precisão os afetados. O distrito do Ibo tem um dos principais centros mas muita gente prefere ir a casa de familiares.

A CNDH continua a defender a declaração de um estado de emergência como medida transitória até que se resolva o problema " o que permitiria que a nação reunisse esforços, a comunidade internacional se virasse a questão de Cabo Delgado, tal como aconteceu aquando do Idai e Kennedy "

Relatos recentes confirmam o agravar da brutalidade das atuações no terreno representando uma violação por excelência dos direitos humanos.

As destruições aumentam, as mortes vão se tornando mais elevadas nessa guerra e o futuro cada vez mais incerto para as populações das zonas afetadas que começam a acostumar-se a conviver com a dor e o luto sem saber porquê. (Moz24h)

82 visualizações

Subscreva a nossa Newsletter

  • facebook

Ficha técnica

Director Editorial: Luís Nhachote (+258 84 4703860)

Editor: Estacios Valoi 

Redaçao: Germano de Sousa, Palmira Zunguze e Nazira Suleimane

Publicidade: Jordão José Cossa (84 53 63 773) email jordaocossa63@gmail.com

 

NUIT: 100045624

Nr. 149 GABIFO/DEPC/2017/ MAPUTO,18 de Outubro  

Endereço Av. Cardeal Don Alexandre dos Santos 56 (em Obras)

© By BEEI