Luanda Leaks: pequeno guia para perceber a investigação a Isabel dos Santos


Mais de 715 mil ficheiros ajudam a reconstituir a forma como Isabel dos Santos fez fortuna ao longo das últimas décadas, criando um império que se espalhou por diversas jurisdições envoltas em secretismo. É o novo projeto de investigação do ICIJ, Consórcio Internacional de Jornalismo de Investigação, de que o Expresso faz parte


Intitulado Luanda Leaks, o mais recente projeto de investigação do ICIJ, consórcio internacional de jornalismo de investigação, em parceria com outros 36 meios de comunicação, incluindo o Expresso e a SIC, traz a público a história detalhada de como Isabel dos Santos se tornou a mulher mais rica de África, com base numa fuga de informação assente em mais de 715 mil ficheiros.

Ao longo de vários meses, mais de 120 jornalistas de 20 países analisaram 356 gigabytes de dados relativos aos negócios de Isabel dos Santos entre 1980 e 2018, informação que permitiu identificar mais de 400 empresas (e respetivas subsidiárias) a que Isabel dos Santos esteve ligada nas últimas três décadas.

Se Isabel dos Santos vem enfatizando que a sua fortuna resultou do seu rasgo como empreendedora e da sua capacidade de investir em negócios bem sucedidos, os registos a que o ICIJ teve acesso contam uma história diferente de como a filha do ex-Presidente José Eduardo dos Santos construiu a sua fortuna, revelando como Isabel dos Santos e o seu marido, Sindika Dokolo, exploraram vazios legais ou zonas cinzentas da legislação para ampliar a sua fortuna e proteger os seus ativos das autoridades fiscais e de outras entidades.

A investigação levada a cabo pelo ICIJ e seus parceiros (em que se incluem, além do Expresso, o "Le Monde", "The New York Times", "The Guardian", "Süddeutsche Zeitung", BBC, entre outros) revela como Isabel dos Santos canalizou centenas de milhões de dólares de dinheiro estatal para um labirinto de empresas, muitas delas em jurisdições envoltas em secretismo (sejam elas tratadas como paraísos fiscais ou não), com a ajuda de uma rede de entidades financeiras, advogados, contabilistas e governantes, de Lisboa a Londres, de Valeta ao Dubai.

A informação obtida pelo ICIJ foi facultada pela PPLAAF, plataforma de proteção de denunciantes em África, uma entidade que tem a sua sede em Paris e que não pagou pela informação quaisquer verbas aos whistleblowers, cujo objetivo foi ajudar a expor práticas criminais.

Globalmente, entre 1992 e 2019, Isabel dos Santos e Sindika Dokolo tiveram participações num total de 423 empresas (e respetivas subsidiárias). Desse total, 155 são sociedades portuguesas e 99 são angolanas. Excluindo as subsidiárias (incluindo as dos bancos de que é acionista, da Galp, da Efacec e da NOS), é possível contabilizar 192 empresas, espalhadas por 25 países, de que Isabel dos Santos e Sindika Dokolo são ou foram acionistas.

A rede empresarial estendeu-se da Holanda às Ilhas Maurícias, passando por Malta, Dubai, Ilhas Virgens Britânicas, Suíça, Luxemburgo, Hong Kong, Chipre, Gibraltar, Tailândia, entre outras jurisdições. (Expresso)

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