Localizadas crianças de alegado caso de tráfico de órgãos em Moçambique

As duas crianças que foram dadas como mortas por um comerciante que era suspeito de tráfico de órgãos humanos reapareceram hoje num infantário de Chimoio, no centro de Moçambique, 11 dias depois do seu desaparecimento, informou a polícia.


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As meninas, de 8 e 13 anos, terão desaparecido em circunstâncias estranhas, o que provocou um protesto popular por alegado aumento de raptos de crianças supostamente para tráfico de órgãos humanos, um incidente que culminou na morte de um adolescente alvejado na cabeça pela Polícia durante os tumultos.

As menores apareceram no Infantário Provincial de Chimoio, para onde tinham sido conduzidas por uma cidadã que as encontrou nos subúrbios da capital provincial de Manica, disse à comunicação social o porta-voz do comando provincial da Polícia da República de Moçambique em Manica, Mário Arnaça.


"Depois do tumulto, como havíamos prometido, foi feito um trabalho e deste trabalho descobrimos que as crianças foram achadas numa das ruas e foram colocadas no infantário", durante nove dias, disse Mário Arnaça, insistindo não ter se tratado de um rapto, como o grupo de pessoas que liderou o tumulto acreditava.


O tumulto começou quando um grupo saiu à rua e destruiu duas residências de um comerciante local, que era acusado de ter raptado as duas menores, por sinal filhas dos seus empregados.


As suspeitas surgiram após a população ter supostamente encontrado parte de órgãos humanos guardados em dois frigoríficos que pertencem ao comerciante, tendo na sequência começado o confronto com a Polícia, que tentava dispersar os manifestantes.

Embora as autoridades afastem a possibilidade de uma tentativa de rapto, uma das menores apresentou uma versão diferente à comunicação social, avançando que as duas crianças tiveram de escapar de uma viatura que as tinha levado quando brincavam no bairro 25 de junho.


"Um carro nos levou e foi até à cidade. Quando o carro parou e o motorista desceu, eu abri a porta e fugi com ela [a outra vítima]. Quando ficamos cansadas de correr, sentamo-nos num passeio e uma mulher apareceu e nos levou até a uma esquadra, onde passamos a noite. No dia seguinte, fomos ao infantário", contou uma das menores, na presença do seu pai.


O nome do comerciante apontado como suspeito já esteve associado a tentativas de rapto de menores e casos de tráfico de órgãos, abortados pela polícia, em Manica.

A situação tem antecedentes na província.


As autoridades judiciais colocaram a região em "alerta vermelho" em 2012, ao considerar "alarmante" a subida de casos de tráfico de pessoas e de órgãos humanos, muitos ligados à feitiçaria e outras práticas de enriquecimento ilícito.(NM)

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