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Lagoas turvas e piscinas gratuitas em Pemba

Até o início de Fevereiro, a cidade de Pemba ainda não tinha recebido a grande visita anual, a chuva.


Em conversa com um amigo que lamentava pela demora de chuva, eu argumentei que a cidade não estava preparada para acolher uma visita espectacular embora a sede se fazia sentir na praça.

Por que eu resistia e estava a favor que não deveríamos lamentar pela demora da chuva embora houvesse necessidade dela?


1. A Baía não está preparada

A terceira maior baía do mundo está a crescer somente em habitantes, mas carece de acompanhamento para o seu desenvolvimento sócio económico.

As iniciativas privadas são visíveis a partir de construções de habitações que não são suficientes porque para se chegar a casa de alguém em bairros de expansão deve haver estradas.


Hoje ao contrário, necessitamos de barcos para chegar a nossas casas e visitar nossos amigos e familiares que moram, por exemplo, em Nanhimbe, Eduardo Mondlane, Josina Machel, Gingone, Maringanha e Chuiba.

Os famosos "chapa cem" não reúnem condições para continuarem circulando.

As lagoas turvas e piscinas gratuitas são tão perigosas que se um chapeiro (motorista de chapa cem ou transporte semicolectivo) arriscar poderá perder a vida ou perder emprego ou mesmo perder o carro.


Que se passa, minha linda baía?

Na verdade o silêncio dos pembenses (residentes de Pemba) não é saudável.

Já passam seis anos que nunca vi os moradores desta urbe solicitando uma estrada decente em forma de manifestação pacífica.

Não há políticas nem estratégias de urbanização.

Não é fácil descobrir se Pemba é cidade ou uma aldeia porque de urbanização não se verifica não.


Entretanto, há impostos como autárquicos e taxas de diferentes tipos. Onde investem tanto dinheiro que Pemba possui?

E se não há dinheiro, porque não se cria formas de recuperar a dignidade desta baía?

Quantos milhões de dólares são necessários para ter alguns quilómetros de estrada de um bairro para outro?

Onde moram os dirigentes desta cidade que não sabem que as chuvas estão levando tudo às praias?


Prepare-se Oceano Índico que terás que suportar tudo: o lixo, teu amigo permanente, as areias ou solos arrastados, as palhotas dos pobres resumidos em forma de lixo e nos últimos dias assistimos que até os seres humanos correm o risco de serem novos moradores do Canal de Moçambique.


2. Individualismo ou avareza?

Se não há políticas públicas que acompanham o desenvolvimento da cidade, deveria haver união e solidariedade entre os munícipes.

Há muita gente que tem boas condições económicas. Mas o individualismo está a nos sufocar.


Ninguém toma nenhuma iniciativa para se contribuir e arrumar as estradas.

O que assistimos a essa altura de chuva é cada um empurrar a água para seu vizinho. Ninguém se lembra mais que o vizinho é um familiar e amigo na hora da aflição.

Porque as estradas não são extensas demais, seria possível construir se usando pavê. Mas acredito que não seria suficiente pois as estradas não têm valas de drenagem nem sequer há saneamento público.

As pequenas valas de drenagem são as que cada um faz jogando água para o vizinho.

"Cada um por si e Deus para todos". Uma frase criada por avarentos para eliminar os pobres.


Agora quem passa mal são os automobilistas que devem atravessar as lagoas turvas e piscinas gratuitas para chegar em casa ou local de trabalho.

Sofre igualmente o pobre que deve enfrentar a essa hora a chuva e todas correntes de água até chegar a residência onde também não há condições de se acomodar porque a chuva está dando aviso que levará tudo ao Índico.

Em cidade sem condições como esta deve haver união e força dos munícipes para que com seu próprio dinheiro construam estradas.



Deve haver igualmente união e força para solicitar aos governantes que assumam suas responsabilidades e cumpram com as promessas feitas durante a campanha eleitoral.

A palavra de ordem nessa hora de aflição deve ser "unidos como irmãos com auxílio do único Deus". Ou "juntos unidos e Deus para todos".


Se há entrada de dinheiro do povo nos cofres do Estado, então que se invista na construção de estradas para se eliminar as lagoas turvas e piscinas que nunca irão oferecer nem peixe nem água para o banho, respectivamente.

Eu continuo a escrever mas não sei se isso poderá ajudar na mudança de mentalidade e comportamento, mas aqui em Pemba, naquela que é considerada terceira maior baía do mundo está mergulhada nas lagoas turvas e piscinas gratuitas.


Pemba clama por um socorro para sair dessa condição deplorável.

Pemba quer estradas e valas de drenagem para transportarem as águas.

Pemba clama por estradas para que os "my loves" e chapa cem circulem bem.

Pemba precisa de estradas para as ambulâncias transportarem bem os doentes.

Socorro gente!


Enquanto não houver estradas então pedimos barcos que iremos nos virar bem.

Por: Servo inútil, Pe. Fonseca Kwiriwi, CP. (Moz24h)

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