Investigação do CIJI expõe divisão de suborno da ODEBRECHT


Uma nova investigação conduzida pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (CIJI) revela casos não relatados e projetos de obras públicas maciças envolvidos na operação de suborno da Odebrecht.


No dia 04 de Junho do corrente mês, Paulo Zucula, ex-ministro dos Transportes e Comunicações do consulado de Armando Emilio Guebuza, foi detido, alegadamente por ter recebido subornos da construtora brasileira Odebrecht. Zucula terá recebido, de acordo com a acusação constante do processo nº 58/GCCC/17-IR, 315 mil doláres americanos para viabilizar a construção do Aeroporto de Nacala.

No âmbito do mesmo processo foi detido igualmente Emilliano Finoch, arquitecto de profissão, que à data dos factos figurava como dono da Construtora Geo Projectos Construções, mas no entanto foi solto mediante pagamento de caução no valor de 20 milhões de meticias.

Para além de Zucula e Finochi, também é arguido Manuel Chang, ex-ministro das Finanças, acusado de ter recebido 250 mil doláres de subornos da mesma construtora.

Além de Zucula e Finoch, também é arguido no processo o ex-ministro das Finanças, Manuel Chang acusado de ter recebido 250 mil dólares de suborno da Odebrecht.


Quando a construtora brasileira Odebrecht S.A. admitiu em dezembro de 2016 um esquema maciço de corrupção que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos descreveu como o “maior caso de suborno estrangeiro na história”, desencadeou uma onda de escândalos políticos na América Latina.

Governos tombaram. Ex-presidentes e outros altos funcionários, juntamente com os executivos da Odebrecht, foram afastados das poltronas do poder e recolhidos às celas de prisão. A Odebrecht confessou uma contabilidade detalhada de seus crimes e está cooperando com promotores de toda a região que prometeram levar seus colaboradores à justiça.

Mas a confissão da Odebrecht não contou a história toda.

Uma recente investigação liderada pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigaticos, acaba de revelar que a construtora brasileira que um dia chegou a Moçambique e pagou subornos, envolveu figuras proeminentes e projetos de obras públicas não mencionados nos processos criminais ou outras investigações oficiais até o momento.

Essas descobertas foram feitas em uma nova lista de registros vazados de uma divisão da Odebrecht criada principalmente para gerenciar os subornos da empresa. Os registros foram obtidos por uma agência de noticias do Equador, a La Posta e compartilhados com o ICIJ e 17 parceiros de mídia nas América Latina. Os registros vazados revelam pagamentos ocultos em toda a região que se estendem muito além do que foi publicamente reportado, incluindo:

- Mais de US $ 39 milhões em pagamentos secretos da Odebrecht feitos em conexão com a gigante usina a carvão de Punta Catalina, na República Dominicana. Duas investigações oficiais sobre o projeto que informaram que não encontraram nenhum delito não mencionaram esses pagamentos.

- Dezessete pagamentos, totalizando mais de US $ 3 milhões, relacionados a um gasoduto peruano. Entre as pessoas indicadas para receber pagamento estava uma empresa pertencente a um político peruano que, em uma reportagem não relacionada recentemente divulgada por uma estação de notícias local, apareceu para planejar o assassinato de um rival.

- E-mails discutindo pagamentos secretos que um banco de operários da Odebrecht fez a empresas-fantasmas relacionadas à construção de um sistema de metrô de US $ 2 bilhões para a capital do Equador, Quito. Os documentos não dizem quem recebeu o dinheiro.

- Pagamentos relacionados a mais de uma dúzia de outros projetos de infraestrutura em países da região, incluindo mais de US $ 18 milhões ligados ao sistema de metrô na Cidade do Panamá e mais de US $ 34 milhões conectados à Linha 5 do sistema de metrô em Caracas, Venezuela.

A Odebrecht liquidou funcionários públicos em tal escala que criou uma unidade especial, a Divisão de Operações Estruturadas, com o objetivo principal de administrar subornos. Os arquivos obtidos pela La Posta e ICIJ contêm mais de 13.000 documentos que haviam sido armazenados por essa divisão em uma plataforma secreta de comunicações conhecida como Drousys. Esses arquivos foram obtidos separadamente pela agência de notícias equatoriana Mil Hojas, que se juntou ao projeto.

No Brasil, epicentro do escândalo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, descrito por Barack Obama como “o político mais popular do mundo”, cumpre pena de prisão corrupção por relacionamente incestuoso com a Odebrecht.

A 17 de junho, a Odebrecht anunciou que pedia falência para reestruturar US $ 13 bilhões em dívidas. Por mais de quatro meses, o ICIJ trabalhou em parceria com mais de 50 jornalistas em 10 países para investigar os livros de contabilidade da divisão de suborno da Odebrecht.

Em uma declaração ao ICIJ, a Odebrecht disse estar comprometida com a cooperação total com as autoridades que investigam a corrupção associada à empresa e que compartilhou os arquivos da Drousys com os promotores dos EUA e do Brasil. “A Odebrecht continuará empenhada em um processo de colaboração irrestrita com as autoridades competentes”, afirmou a empresa. (Redacção com CIJI)


A história, em "full mode" pode ser lida na versão inglesa, no iink abaixo

https://www.icij.org/investigations/bribery-division/leak-exposes-millions-of-dollars-in-new-payments-in-odebrecht-cash-for-contracts-scandal/

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