INFRINGEM UNS E PAGAMOS TODOS


Por Renamo


À medida que a Covid-19 se espalha, ficam mais evidentes as fragilidades do nosso país para lidar com esta emergência de saúde. A subida galopante do número de infectados pela covid-19 deixa a nú, em certa medida o favorecimento de alguns gru- pos em detrimento de outros, seja por causa de seu status ou por outros factores que os tornam intocáveis. A propósito da subida de número de infectados e óbitos, vítimas da covid-19, devemos acreditar que expõem de algum modo as fraquezas do governo, não apenas no sector de saúde, mas também na segurança fronteiriça, pois, as fronteiras estão desde sempre escancaradas e vulneráveis a infiltrações que podem ser fatais devido aos deslocamentos incontroláveis de imigrantes. E isso, nao pode deixar sombra de dúvidas que é um dos veículos que transporta a covid-19 ao país. Em plena calamidade, assistimos um tipo de negócio nas fronteiras, que consistia na venda de testes da covid-19, onde circulava, se é que não continua a circular, muito dinheiro em troca de resultados mentirosos. Nesses testes comprados, o resultado não pode ser desfavorável, claro! E as autoridades governamentais, quer na área de saúde, como na polícia, acompanham indiferentes estas denúncias. Acreditamos que estão indiferentes uma vez que nenhum caso de corrupção nesta área foi esclarecido. As televisões vieram a terreiro denunciar com muita insistência, mas, os detentores do poder não mexeram palha sequer. Queremos acreditar que este tipo de situações não aconteceu apenas nas fronteiras terrestres, como também terá sido notório nos aeroportos. Aqui não houve denúncias, mas não será por isso que iremos acreditar no bom senso dos pro- fissionais. Aliás, a título de exemplo, na maioria dos aviões que aterram no aeroporto internacional de Maputo, há pas- sageiros que testam positivo. As autoridades fronteiriças têm conhecimento da existência de buracos nas fronteiras, por onde entram e saem mui- tos imigrantes ilegais sem nenhum teste de covid-19, e estes, passeam descontroladamente por todo o lado. Com este tipo de situações, muitas pessoas ficam expostas a doença, devido a negligência de quem devia garantir protecção do povo. Num país com problemas financeiros agudos, e em situação de quase crise sanitária não declarada, o custo dos exames para testagem da doença transfronteiça é proibitivo, é um autêntico negócio, como é que a população pode conseguir controlar a sua situação? Também sabemos que em algumas províncias, é comum os testes durarem acima 15 dias para chegarem aos interessados, aliás, há muitos casos em que as pessoas não recebem os resultados dos testes. E isso é um grande perigo para a saúde pública, pois, nestas condições, vários cidadãos transportam o vírus descontroladamente de um ponto para o outro. Hoje, longe de se tomar medidas severas para travar o êxodo de pessoas que atravessam ilegalmente as fronteiras, acabar com o negócio de compra e venda de testes, travar a venda descontrolada de bebidas alcoolicas e aumentar o número de profissionais que lidam com este problema , opta-se por voltar a encerrar sem dó nem piedade quase tudo. Com este andar da carroagem fica evidente que as decisões políticas de exclusão social de acesso a assistência médica gratuita, aumenta as desigualdades e essas políticas prejudicam a saúde colectiva. É preciso que o governo assuma suas responsabilidades e não atirar a todo o momento a culpa para o povo indefeso. (Texto extraido do Boletim a Perdiz, produzido pela Renamo)

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