HD Mining inicia com operações de grafite


- Compensações já iniciaram num investimento de 50 milhões de U$D

Por Suizane Rafael *


O Distrito de Nipepe entra no mapa da indústria extractiva nacional com o inicio das operações de construção do acampamento logístico e a respectiva unidade de processamento do Grafite.

A responsável deste aparecimento de Nipepe no mapa mineiro nacional é a empresa chinesa HD Development Mining cuja presença em Nipepe já se faz sentir.

Com este investimento, os chineses suplantam empresas do Ocidente que estão estabelecidas na província do Niassa há vários anos.

Empregos

Espera-se que sejam empregados a tempo inteiro 300 moçambicanos e 60 chineses, número que pode subir sempre haja necessário.

Em Nipepe o grosso dos residentes são camponeses que praticam agricultura de subsistência com destaque para o amendoim, algodão e tabaco.

São estes camponeses que aguardam com muita expectativa um emprego formal e com ele melhorar as suas condições de vida.

A opinião do Governo

O Governo a todos níveis, Provincial de Niassa e Distrito de Nipepe estão ansiosos com o inicio das operações da mina de Grafite em Nipepe.

O assunto figura na mesa das decisões por ser um forte atractivo para o investimento directo neste local remoto de Niassa.

Por outro lado há ganhos com impostos derivado do pagamento de vários serviços que a empresa HD Development Mining vai precisar.

O Administrador do Distrito de Nipepe, Sérgio Igua, disse que há todo interesse para que o empreendimento aconteça.

Afirmou que já iniciou a montagem do acampamento residencial nas imediações da vila de Nipepe, numa distância de 6km.

As primeiras famílias abrangidas directamente pelo projecto, já estão a ser compensadas com valores monetários sobretudo os campos agrícolas.

Um destes compensados é um camponês cujo seu campo agrícola de algodão e milho foi apanhado pelo acampamento definitivo da empresa.

Pelo facto recebeu cerca de 40 mil Meticais acto testemunhado pelo Governo do Distrito de Nipepe.

O Administrador Sérgio Igua apontou ainda que no âmbito da responsabilidade social, numa primeira fase serão abertos três furos de água potável em três comunidades.

Sociedade civil atenta

Porque a indústria extractiva tem os seus pró e contras nos ganhos da população local gerando barulho entre as partes.

É assim que a Organização Rural de Ajuda Mutua (ORAM) delegação de Niassa, esta a capacitar as comunidades locais sobre a indústria extractiva.

As capacitações giram a volta das Leis de Terra, Minas e Regulamento de Reassentamentos.

O delegado da ORAM na província do Niassa, Leonardo Abílio, disse na ocasião que a capacitação visa empoderar os residentes locais sobre assuntos desta natureza.

O primeiro Comité de Gestão de Recursos Naturais (CGRN) a ser capacitado é o de Posto Administrativo de Nipepe sede por ser o local onde se localiza o empreendimento chinês.

Foram 40 membros a serem capacitados e todos mostraram-se satisfeitos com a iniciativa pois que abre espaço para negociações com os vários intervenientes.

O processo conta com a participação das Direcções Provinciais de Terra Ambiente e Desenvolvimento Rural, Recursos Minerais e Energia.

O delegado da ORAM, Leonardo Abílio, sublinha a importância destas capacitações e a promoção do diálogo entre as partes envolvidas.

"A ORAM não esta contra o desenvolvimento mas sim temos que olhar para aspectos que dizem respeito ao Meio Ambiente e os Impactos Negativos que possam surgir no decurso do desenvolvimento destes projectos.

Há exemplos de processos anteriores que deram errado por não se respeitar a estas questões tendo resultado em desavenças entre a população e os investidores como é o caso de Tete onde a população foi apanhada de surpresa. As capacitações visam preparar as comunidades para os eventos futuros, como sabem aqui em Nipepe temos a presença de uma empresa mineira que esta a montar a sua unidade industrial de processamento de Grafite. Trata-se de um empreendimento de grande vulto e com impactos directos na vida da população local e da província. É neste sentido que a ORAM, delegação de Niassa lançou esta iniciativa em capacitar os Comités de Gestão de Recursos Naturais sobre a Lei de Minas, Terras e Reassentamentos como forma de prepara-las para os próximos desafios", disse Leonardo Abílio.



O discurso da HD Mining

A empresa chinesa HD Development Mining responsável pela exploração de Grafite em Nipepe, diz estar tudo aposto para o inicio da exploração do mineral.

O seu director geral, Song Sho Wey disse que terminada a fase de pesquisa na área 1, o passo seguinte passa pela montagem do acampamento principal e respectiva unidade de processamento.

Song Sho Wey diz que a empresa já investiu 10 milhões de U$D na primeira fase, ao que seguir-se-ão mais 40 milhões de U$D na segunda fase de exploração, processamento e exportação.

"Finalizamos a primeira fase de pesquisa e confirmou a presença de elevadas quantidades de Grafite o que viabiliza a nossa operação aqui em Nipepe. Estamos a receber equipamentos de trabalho a partir da China, como podem ver estes primeiros que já chegaram. Contamos iniciar a exploração e exportação em 2020 para a China onde temos acordos de venda do mineral", explica Song Sho Wey.

Questionado sobre quais os principais problemas que a empresa enfrenta, o director geral da HD Mining, apontou apenas a distancia logística de Nacala Porto para Nipepe ser o maior problema.

"Estamos satisfeitos por enquanto, não temos problemas de maior, apenas a distancia de Nacala-Porto a Nipepe, algumas zonas do Niassa a estrada não esta boa e complica o transporte destes equipamentos pesados que vamos utilizar na montagem do acampamento e unidade de processamento. Temos tido apoio do Governo de Nipepe, Direcção Provincial de Recursos Minerais e Energia de Niassa, temos tudo para avançar com este projecto", sublinhou Song Sho Wey.

As licenças da HD Mining

Empresa possui duas licenças de pesquisa e exploração:

8858L

DH Mining Development Lda.

Área total de 19984.6

Submetida a 22.06.17

8856L

DH Mining Development Lda

Área total de 19992.56

Submetida a 22.06.17

De salientar que as duas licenças são as maiores áreas de pesquisa e exploração no Distrito de Nipepe num total de 39.976.56 hectares.

É na Licença 8856L onde decorrem pesquisas adicionais de Grafite que será explorada na segunda fase do empreendimento.

Esta zona fica incluída a sede do Distrito de Nipepe que corre o risco de ser varrida pela extracção do mineral.

A rota da exportação

A mina de Grafite de Nipepe esta localizada em Macala-Lurio cerca de 50km a Sul de Nipepe sede.

Macala-Lurio-Nipepe-Maupa-Cuamba serão percorridos 250km de onde o Grafite vai ser enviado nas carruagens do CDN para Nacala Porto.

É nos primeiros 150km que os chineses esperam intervir com a possibilidade de asfalatagem da estrada Nipepe-Maua como forma de facilitar o acesso a Cuamba.


* Colaboração



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