Hérois nacionais não são apenas da Frelimo*


A luta que levou o país à conquista da independência nacional exigiu de muitos jovens moçambicanos muita bravura, determinação e o espírito patriótico. Muitos jovens se juntaram a causa da luta, imbuídos por um sentimento nacionalista de ver Moçambique livre da dominação estrangeira. Conquistada que foi a independência nominal, consideramos de

nominal pelo facto de muitos intervenientes desta luta, incluindo fundadores da Frente

de Libertação de Moçambique, terem sido executados nos campos de reeducação,

acusados de reaccionáros, só pelo simples facto de pensarem diferente.

Foi a partir destas gritantes intolerâncias que muitos jovens moçambicanos, destemidos,

acusados de crimes absurdos, perseguidos, presos, ou fuzilados pelos antigos colegas, en-

tão libertadores, hoje tiranos que impuseram aos moçambicanos o Regime opressor marxisista-leninista contra toda a vontade colectiva de Soberania e libertação total.

Foi a partir da revolta destes jovens, antigos guerrilheiros da luta anticolonial que o país

conheceu, logo a seguir à independência uma nova guerra, movida por homens que viram

suas aspirações traídas, de ter um Moçambique verdadeiramente livre e soberano.

Entre estes jovens, salientam-se os nomes de André Matade Matsangaisse e Afonso Dhlakama, que hoje, não são mencionados na história moçambicana, não por demérito, mas sim pelo ódio nutrido pelas elites que abocanharam a direcção do partido que governa até hoje o nosso país.

Esses dirigentes excluem nomes sonantes da nossa história, sob uma futilidade de pretextos

que só promovem divisões e ressentimentos nacionais.

No passado dia 17 de Outubro, foi imortalizada a obra de André Matsangaísse, sob signo:

André Matsangaisse a Fonte da Democracia Multipartidaria. Este acto não pode ser menosprezado, pois é representativo de uma grande fasquia de moçambicanos que têm no André Matsangaísse um espelho da verdadeira liberdade para Moçambique. É claro que sem a luta movida por André, os campos de reeducação ainda estariam na ordem do dia, as machambas do povo, uniforme de roupa para todos os cidadãos, as aldeias comunais e muito mais, ainda seriam uma realidade no nosso país.

Não haja dúvidas que não existiriam partidos políticos e nem órgãos eleitos pelo povo. Não

haveria eleições de 5 em 5 anos, nem liberdade de imprensa, expressão, reunião e mais, neste país. Isso foi possível como resultado da guerra movida pela RENAMO, encabeçada por André e Dhlakama, homens com mérito de heróis, e se ainda não foram proclamados como tal, é simplesmente devido a ciúmes e ódio daqueles que têm o mandado de declarar quem é o herói nacional.

Para além destes dois que mencionamos, existem enorme lista de muitos outros heróis

anônimos que merecem fazer parte do grande panteão dos heróis nacionais dentro e fora dos partidos políticos, entre homens e mulheres, que desempenharam um papel preponderante nas várias frentes da vida nacional.

Na verdade, o que está a acontecer com o nosso país é simplesmente a ausência de imparcialidade na composição da nossa História, acontecendo tudo na perspectiva do partido que governa o país.

Urge que o nosso país reveja a situação sobre a atribuição do título de herói nacional a personalidades que não estejam necessariamente ligadas ao partido no poder, porque a continuar a situação como está, Moçambique continuará dividido e longe de viver a verdadeira reconciliação nacional.

Um país dividido em si mesmo não pode progredir, por isso, devemos unir nossas acções de

todas as formas, a fim de que todos nos sintamos incluídos.

André Matsangaisse e Afonso Dhlakama reúnem todos os requisitos de herói nacional, por

isso, devem ser incluídos no panteão dos he- róis nacionais. Isso não é favor nenhum é mérito. Afinal somos todos moçambicanos. (*In Perdiz)

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