Guerra oculta


Por: Germano de Sousa


O país entra para 2020 numa situação de guerra oculta.

Não obstante a todo esforço que se empreende para uma paz efetiva , a realidade cruel é que

 Moçambique vive uma guerra e porque não se quer admitir, ela continua oculta nos povoados das aldeias do norte da província de Cabo Delgado com um rasto de destruições, mortes e todos os males que toda guerra faz.

O primeiro tiro desta vez não foi no histórico posto de Chai, tal como aconteceu em Setembro dê 1964, mas sim na pacata vila de Mocimboa da Praia a 5 de Outubro de 2017, uma quinta-feira que marcou o início de um futuro de insegurança, incerteza e trevas para milhares de pessoas que do Messalo ao Rovuma vivem hoje  em atalaia porque o inimigo nunca anuncia a sua vinda.

Diz-se que o inimigo é ainda sem rosto embora pelas redes sociais e outras plataformas de comunicação o Estado Islâmico tenha se exibido como autor do terror que se vive em Cabo Delgado.

Nesta guerra, tal como nas dividas ocultas, os números não são precisos mas as amostras já nos levam a dimensão. Mais de 13 mil casas incendiadas ou destruídas, as fontes oficiais falam de 300 mortos mas outras apontam para pouco mais de 500.

Num esforço de responsabilização pela carnificina que vai acorrendo, as autoridades estatais em Cabo Delgado detiveram quase 200 pessoas em 2018 das quais 189 figuraram como arguidos no processo 32/2018 no Tribunal Judicial Provincial em Pemba, entre eles 42 mulheres, 29 tanzanianos e 3 somalis.

Agora já há a presença de uma força russa que veio combater os "insurgentes" o que "internacionaliza" o assunto entretanto oculto.

No teatro de operações as Forças de Defesa e Segurança (FDS) lamentavelmente vão perdendo o crédito diante as populações. Recentemente no distrito de Muedumbe, populares "escorraçaram"  membros das FDS por alegadamente não lhes proporcionar a segurança de que caracem.

Diz-se também que não se conhecem os objetivos desta guerra. No entanto embora carecendo de conformação fidedigna, fontes locais dizem que o estado islâmico pretende 10% das receitas referentes a exploração do gás da Bacia do Rovuma. Com que direito? Eis a questão.

Por tudo narrado, temos que admitir indubitavelmente que estamos implicitamente numa situação de guerra oculta.

63 visualizações

Subscreva a nossa Newsletter

  • facebook

Ficha técnica

Director Editorial: Luís Nhachote (+258 84 4703860)

Editor: Estacios Valoi 

Redaçao: Germano de Sousa, Palmira Zunguze e Nazira Suleimane

Publicidade: Jordão José Cossa (84 53 63 773) email jordaocossa63@gmail.com

 

NUIT: 100045624

Nr. 149 GABIFO/DEPC/2017/ MAPUTO,18 de Outubro  

Endereço Av. Cardeal Don Alexandre dos Santos 56 (em Obras)

© By BEEI