Guerra em Cabo Delgado: “Primeiro as pessoas, a questão humana.”


Por Estacio Valoi


No seminário denominado “Ameaça da Violência Extremista na Africa Austral” organizado pela Uniao Europeia (EU) em coordenação com seus parceiros regionais a guerra em curso em Cabo Delgado foi um tema bastante abordado. A massiva intervenção militar segundo painelistas no seminário, não será solução para a resolução deste conflito caso não se altere a metodologia, ‘ melhor compreender a comunidade’ limar as contradições, balanço entre os que tem e os que não tem nada, isto porque as ‘ guerras convencionais não são funcionais, assim como olhar para o centro de gravitação que funciona como favorável para os grupos extremista onde muito menos a Frelimo ou a Renamo tem controlo como aconteceu na RDC


A questão humana


‘A questão humana da discussão é muito importante o que implica que mesmo o pequeno risco humanitário ou crise tem que ser evitado a todo o custo, custe o que custar não há possível assimetria ou excitação quanto a isto. É responsabilidade dos actores locais, comunidade internacional de velarem por estas questões, como educação, segurança alimentar, as mais importantes. Mas vamos a redução do violência extremista e estava a olhar para o caso do Burkina Fasso, um contexto diferente cuja situação ilustra que cerca de 400, 500 escolas no norte foram fechadas, penso que devem ser cerca de 400, 500 crianças que estão sem poder estudar, não há educação possível e não há actividades, acções naquela área.’

A semelhança esta na província de Cabo Delgado- Norte de Moçambique, com enfase para os distritos de Mocímboa da Praia, Palma, Macomia faz anos vem sendo palco de conflito entre os ditos insurgentes entre as forcas de defesa de Moçambique em parceria com mercenários Russos e apoio das tropas tanzanianas.

Em consequência desta guerra, milhares de pessoas, vitimas de este flagelo foram obrigadas o procurar refúgio em outros lugares desta província onde enfrentam problemas sérios de extrema sobrevivência.

São pessoas que outrora tinham as suas machambas que devido a guerra hoje não tem um porto onde estar. Não confiam nas forcas de defesa nacional ‘ não fazem nada. Eles também fogem desses ALI Shabab.” Forca que nos primórdios do conflito em Mocímboa ‘ tivemos que não usar mais burca. Tivemos que cortar a barba porque muitos desapareceram, foram a levados a lenha pela FIR.

O medo, terror primeiro imposto pelas forcas governamentais e por outro lado imposto pelos insurgentes que vai decapitando as pessoas, casa queimadas, bens pilhados, ficando a população sem saber a quem recorrer.

São zonas de difícil acesso não apenas pela sua natureza em termos de vegetação, mas também pelo acesso bloqueado pelas Forcas de Defesa Nacional sob égide do governo do dia. “ Não a entrada de pesquisadores, jornalistas, académicos.” E como estar em ramificações comparadas a massa esparguete antes e depois de cozida.

Assim como Fátima, a semelhança de cerca de cinquenta pessoas contactadas pela nossas reportagem, espalhadas de Pemba ate Macomia, distrito para onde muitas das famílias fugidas do conflito das áreas de Mocímboa, Palma encontram alguma calmia mas mesmo assim a procura de porto seguro, leva-lhes a cidade de Pemba, umas acolhidas pelos seus familiares, outras por algumas pessoas de boa vontade mas que também não são uma organização de caridade. Essas pouco se vislumbram.

Vive-se uma incógnita, frustração, seu futuro hipotecado ‘ só queremos que esta guerra acabe.’ Não sabemos quando. Só quero que esta guerra acabe. Eu voltar para a minha casa com minha família, meus filhos.”

E, Fátima e seus familiares têm bem patente o terror, medo que foram vivendo na sua aldeia de Quitarejo antes daquele dia fatídico. ‘ Os ALI Shabab quando chegaram ficaram nos cantos da aldeia começaram a disparar para o ar e nós fugirmos. Saímos a correr de qualquer maneira. Uma das pessoas da aldeia tinha arma, aquelas que la na sede deram para proteger a aldeia. Os ALI shabab agarraram ele e cortaram a cabeça. Tiram esta parte da garganta e levam.”

Fátima na altura gravida de cinco meses e com um outro filho de dois anos tiveram que se fazer a mata. ‘ Fugimos para o mato. Eles atacaram, tive que fugir com o meu filho. Estava gravida deste segundo. Depois do ataque voltamos a aldeia porque eles geralmente não atacam a mesma aldeia duas vezes seguidas no mesmo dia. Tudo estava queimado, as casas, nossos bens. Tivemos que ficar na aldeia assim sem nada. De dia ficávamos na aldeia e de noite tínhamos que voltar ao mato ate que no segundo dia decidimos abandonar aa aldeia e fomos ao centro de Macomia.”

O número de pessoas que vai abandonando as aldeias é aos milhares. Ali em Quitarejo tem outras aldeias pequenas, umas 14. Ninguém ficou. Todos fugiram. Os militares já não fazem patrulha como faziam nos tempos. Ate uma das pessoas da Aldeia, antes dos ALI Shabab entrarem na aldeia, ele saiu daqui foi avisar os soldados de que os ALI Shabbab estavam a chegar. Os soldados la no quartel disseram a ele ‘ sai daqui’. Também os soldados tem medo, fogem. Só vem no dia seguinte depois dos ataques. Alishaba atacam das 14horas até mais ou menos 20horas depois vão. Só voltam depois de dois dias. “

Abdul e Mustfa, sentados na esteira com as suas dez crianças de entre os seus 2 a 8 anos de idade na companhia das suas mulheres, também tiverem o mesmo destino. ‘ Fugir, fugir e fugir,” não queremos voltar la agora ate ouvirmos que esta seguro e já podemos voltar. Aqui não temos comida, nada”

“ Ataque em Nbau, as pessoas dizem que foram nossas forças armadas porque não houve decapitação e não agem assim.”


Militares


Por outro lado os confrontos continuam, ‘ um cocktail” mistura a “salada Russa,” FADM apoio dos ‘ irmãos da Tanzânia. Um "reforço" possivelmente de combater e conter a onda de insurgência que continua a semear tristeza e dor em Cabo Delgado. E, sim estava confirmado que os russos esses já andavam pelo Distrito de Macomia e Mueda na linha da frente. Disseram nossas fontes do exército Moçambicano.

“ Sim os Russos estão aqui. O primeiro ataque foi aquele, uma operação conjunta, Moçambique Tanzânia, com reforço russo.

Os russos estão em Mueda, todos os distritos que fazem parte da missão de Cabo Delgado. Eles trabalham no distrito de Mueda, estão no comando de todas as operações, mas não estão fazer nada em termos de redução do impacto dos ataques desses bandidos - alegadamente Al-Shabaab. Os russos também estão morrendo, mas também estão matando muita população. Agora eles disseram que só matam homens. Os russos no terreno não tem mais de cem soldados ou não têm certeza de que não têm mais do que 100

“A última rendição de militares, troca com outros foi no início do mês de Novembro. Desta vez o processo atrasou. Os nossos não querem combater mais por aqui. O caso ate foi parar no comando geral em Maputo. Sobre a recusa de ir para as operações o caso foi relatado ao comando geral.

Militares de Gaza não cumpriram mais as missões em Cabo Delgado. Agora não temos colegas de Maputo para vir cumprir a missão. Bombardeamos os insurgentes nas bases escondidas mas ainda eles entraram em Mingueleua – Chitondo. Estranho porque os insurgentes têm informação sobre nós, onde vamos fazer o ataque. Ate parece que aqui dentro entre nós há um crocodilo.”

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