Guerra em Cabo Delgado: O silencio e o desnorte político de Filipe Nyusi


Quando na madrugada de 05 de Outubro de 2017 a vila de Mocímboa da Praia foi surpreendida por um ataque armado que visou o Comando Distrital da Polícia, nada poderia fazer prever que, um dia, os atacantes pudessem voltar ao mesmo local para atingir os mesmos alvos. Mas voltaram. E desta vez não só atacaram as Forças de Defesa e Segurança (FDS), mas também para ocuparam a vila, içaram a sua bandeira e “conviveram” com os residentes locais. Na madrugada de segunda-feira, os terroristas chegaram na vila de Mocímboa da Praia através de barcos; barricaram as principais saídas por terra; tomaram posições e, sem ninguém se aperceber da sua presença, começaram a atacar o Comando Distrital da Polícia e o quartel do Exército. Tal como aconteceu no primeiro ataque de 2017, as FDS foram surpreendidas com tiros à queima- -roupa, sem condições objectivas para defender as suas posições. Sem enfrentar grande resistência, os terroristas tomaram o Comando Distrital da Polícia e o quartel do Exército de Mocímboa da Praia. Num dos vídeos postos a circular pelas redes sociais, os atacantes exibem grandes quantidades de armas de guerra e outro tipo de material bélico saqueados no Comando da PRM e no quartel militar. Além de se abastecer com armamento do Estado, os terroristas queimaram e vandalizaram instalações militares e meios circulantes das FDS. Enquanto os Ministérios da Defesa Nacional e o do Interior contabilizavam os prejuízos, o autoproclamado Estado Islâmico reivindicou a autoria do ataque à vila municipal de Mocímboa da Praia, o maior e o mais aterrador contra as FDS. Aliás, o Estado Islâmico fala de “dezenas de militares e polícias” mortos no assalto de segunda-feira, segundo escreve a Reuters, citando a Agência de Notícias Amaq, principal meio de propaganda daquele grupo terrorista. Fontes contactadas pelo CDD descreveram um cenário de terror, com corpos de agentes das FDS espalhados em alguns pontos da vila, sobretudo nas proximidades do quartel do Exército. “O principal alvo dos al Shabab eram os militares e os polícias. Os que conseguiram fugir tiveram que tirar a farda e abandonar as armas para não serem identificados”, contou um jovem que não quis ser identificado. Depois de assaltar e ocupar as instalações militares e policiais, os atacantes começaram a vandalizar instituições públicas e propriedades privadas. O rasto de destruição atingiu as residências oficiais do Administrador e do Presidente da autarquia de Mocímboa da Praia; o edifício sede do Conselho Municipal, a residência de militares, bombas de combustíveis, agências bancárias, porto, autocarros de transporte de passageiros, camiões de carga, viaturas ligeiras e estabelecimentos comerciais. Outra infra-estrutura vandalizada é o Aeródromo de Mocímboa da Praia, que em Fevereiro de 2018 abriu para o tráfego internacional com o objectivo de facilitar as operações das companhias petrolíferas que exploram gás natural da Bacia do Rovuma, no distrito de Palma. Com a ligação rodoviária entre Pemba e Palma interrompida devido aos ataques na Estrada Nacional Nº 380 e às sucessivas quedas das principais pontes, o abastecimento das FDS posicionadas no centro e norte de Cabo Delgado também era feito via aérea, utilizando o Aeródromo de Mocímboa da Praia, cujo cumprimento da pista permite receber aeronaves de médio porte. (CDD)

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