Guerra em Cabo Delgado: “Corpos no chão. Só fumo”


Estacio Valoi


Mais um ataque protagonizado pelos bandidos armados na madrugada de ontem, na aldeia Nguia, no troço entre a ADPP – Meluco rumo Quissanga resultou em várias mortes e um número de casas queimadas ainda não contabilizadas.

É mais um relato de uma guerra que começou no dia 05 de Outubro de 2017 quando a Vila de Mocímboa da Praia acordou debaixo de um espectro de guerra, com ataques dispersos de desconhecidos munidos de catanas e metralhadoras provocando cerca de trinta mortos entre bandidos armados e elementos da policia e líder comunitário.


Forças de Defesa e Segurança(FDS), Forcas Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), Unidade de Intervenção Rápida (UIR) foram enviadas ao local, tropas Russas, e incluindo as tanzanianas na fronteira entre Moçambique e a Tanzania. Facto é que a guerra já causou e vai causando danos irreparáveis. Mais de quinhentos mortos, milhares de refugiados, milhares de casas destruídas, aldeias vazias, falta de alimentos.

Ainda semana finda 12 autocarros – machimbombo carregados de militares depois de terem pernoitado em Mieze arredores da cidade de Pemba rumaram as zonas de guerra. Contudo, a guerra teima (mam) em parar.

Várias fontes confirmaram ao Moz24h sobre o terror que se vive em Nguia- Quiassanga que vai de “ estrada fechada’ e ‘ corpos no chão sem cabeça’ actos macabros protagonizados pelos bandidos armados.

“ Aqueles homens fecharam a estrada, corpos sem vida, sem cabeça no chão.”

O ataque deu-se quando uns faziam o trajecto com destino ao Distrito de Palma no Norte de Cabo Delgado como uma das nossas fontes fez questão de relatar. “ Íamos a Palma de madrugada mas acabamos voltando ali na ADPP. Tudo aquilo esta um escambal (terror). Fogo daqui para ali e de lá para aqui. Não vale a pena, meus irmãos a coisa esta feia. Eu presenciei, vi.”

Varias foram as tentativas de minimizar a guerra ‘ são marginais,’ e outros diziam ‘aquilo não é nada’ para além de vários desfiles televisivos por parte do comandante geral da policia Bernardino Rafael com promessas de debelar em pouco tempo os ditos ‘ sem rosto.’ E, claro, não foi o único. Assim como varias personalidades da nomenclatura politica moçambicana o fizeram.

Mas o retracto do mais recente ataque continua.

“ Chegamos em Nguia. Não estávamos a ver ninguém, tudo queimado. Só fumo. Continuamos em direcção a ADPP, de longe estou a ver um corpo na estrada. Disse a mim mesmo, aquilo é um corpo. Em frente ia aquele gajo (pessoa) no carro de marca Mark II. Ia. Ultrapassou o outro carro daquelas Nissan Jaque. Quando eu chego perto estou a ver corpo sem vida, não tem cabeça. De repente vejo o condutor da Mark II a fazer uns ralis, meia volta, vem a alta velocidade, o da Nissan também com os seus ralis, também volta acelerado. Eu ali mesmo fiz meia volta e comecei a dar gás (acelerar o carro). Acelerei sem parar até ali no Nguia. Bai (amigo), não tem cabeça.”

Segundo a fonte enquanto ainda iam em direcção a ADPP ‘ pessoas ‘ tentaram alertar-lhes dando ‘ sinal de fogo,” mas não se aperceberam. ‘ A situação esta ma, eu nem consigo falar.”

“Eu vi corpos sem vida, sem cabeça. Estas a ver um militar deitado no chão, sem cabeça. La’ em frente as outras pessoas dizem-nos que tem onze militares mortos. Aquela tristeza esta toda ali. Hei. Só fumaça.”

Ate (bandidos) atiraram contra uma viatura de marca Mahindra que sem pneu, jante, conseguiu sair da ADPP até o rio Montepuez. Não sei como ‘e que chegou ao rio mas pelo caminho foi estragando a estrada, só estava a rastejar até o rio (o carro esta a andar com outras jantes).

Soldados feridos e outros mortos. la não há ninguém. As pessoas estão a correr de um lado para o outro. Nós descobrimos a tempo e horas porque eles fecharam a estrada com troncos, levaram corpos e puseram na estrada. Chegamos ali e travamos. O MarkII tinha adiantado mas já esta a voltar a alta velocidade

Não tinha como continuar naquela viagem. Foi uma coisa que você nunca viu na vida. Eu presenciei, é uma situação que não gostaria que alguém passasse por ela

Nos estávamos a seguir um gajo de carro de marca Mark II na frente, no meio estava aquela gajo da Nissan jaques, o Gomes e eu estava a seguir a eles. Estava a fazer deles de isca ou rebenta minas.” Enfatizou a fonte.

De outras fontes ainda por aquelas zonas o ambiente é de terror, tristeza a sonhar com os dias em que a guerra poderá parar ‘ para nós voltarmos as nossas aldeias.”

“Nós estamos mal aqui em Macomia,os insurgentes ou malfeitores fecharam a estrada ADPP Cruzamento de Meluco colocaram troncos na estrada e cadeiras e colunas estão a escutar música, ontem a tarde atacaram blindados e Mahindra que vinham para socorrer em Macomia e finalmente a força governamental depois da emboscada recuaram para atrás a caminho de Pemba, por isso não temos estrada como que vamos viajar ?”

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