Guebuza ‘manda passear’ Roque Silva que o terá tentado demover a fazer campanha eleitoral


Por Luis Nhachote


Roque Silva, Secretário Geral do partido Frelimo terá sido vilipendiado, há dias, por Armando Guebuza numa vã tentativa demover o antecessor de Filipe Nyusi a participar da campanha eleitoral à favor deste e, da organização que milita desde os primórdios da luta de libertação nacional. Fontes insuspeitas contaram ao Moz24h que Silva foi mandado do topo para chamar o “Camarada” Guebuza e este terá dito que não estava interessado antes de o atirar na cara “saia da minha casa”.

Uma ausência de vulto...


A ausência de Armando Emilio Guebuza na caça ao voto do “seu escolhido” tem sido notória desde que soou o gong da Comissão Nacional de Eleições (CNE), à meia noite de 31 de Agosto.

Até nas redes sociais com destaque para o Facebook, onde ultimamente Guebuza tem sido activo, nem uma “virgula” sobre a presente campanha ele escreveu. Nessa plantaforma, ele se despediu de Robert Mugabe.

É o silêncio do camarada com pendor ruidoso. Não é comum no cinquentenário uma atitute igual. Há dias, Joaquim Chissano que também andava em hibernação fez a sua primeira aparição pública na presente campanha eleitoral. De Guebuza nem sombra. As nossas fontes afiançaram que a Roque Silva foi confiada a missão de “convocar os camaradas ausentes” e, na residência de Guebuza este terá sido convidado a sair “da minha casa”. Em polvorosa o SG da Frelimo terá desabafado a membros da alegada atitude do antigo presidente que um dia também esteve investido nas mesmas funções antes de ser entronizado pelos seus pares para canditado presidêncial.


“Dividas Ocultas”: a ponta do iceberg


A maneira como está a ser conduzido o processo judicial do caso das chamadas “dividas ocultas” é o motivo ventilado por sectores partidários como estando na origem da zanga de Armando Emilio Guebuza, um aclamado comissário politico da Frelimo depois da sua gesta. Toda a “entourage” de AEG, onde pontifica o seu rebento, Armando Ndambi Guebuza, Renato Matusse, seu ex conselheiro politico, Inés Moiane, sua ex-secretária particular, Gregório Leão, seu ex homem de mão na secreta, encontram-se a ver o sol aos quadrinhos depois das autoridades judiciais terem tido luz verde do poder politico vigente, de onde parecem estarem a ser emanadas as ordens ‘ocultas’ na presecusão da manutenção do poder. Seja a que custo fôr.

Guebuza sente-se “traido”, como alegam próximos e leiais a ele. Aliás, recentemente, mais solto como tem se notodo em eventos de cariz sociais o seu apetite de falar para as câmaras levo-o a dizer, na sua mais conhecida declaração pública sobre as dividas ocultas, que havia “muita poeira”


“Poeira” revelada na acusação definitiva


Numa publicaçao impar e sem paralelo, o Matutino “Noticiais” detido maioritariamente pelo banco emissor, em exclusivo, tratou de revelar peças processuais que colocam o filho do antigo presidente epicentro lamacento das “dividas ocultas”.

No diário oficial e controlado pelo Partido Frelimo (onde no auge do Guebuzismo, um ilustre desconhecido nas lídes jornalistícas chegou a director do Jornal pela sua fervorosa militância no tristemente celébre G40) foram publicados os requintes do regabofe do seu filho primogênito com a “sua parte” da negociata que se quis soberana.

Da histórica edição de 13 de Agosto do “Noticiais”, que fontes bem posicionadas da Frelimo dizem ter sido o veiculo “para calar o Camarada Guebuza”, por “falar de qualquer maneira” veio o detalhe de como Ndambi torrou parte dos 33 milhões de doláres que encaixou.. .

“A aquisição de 15 viaturas de luxo, algumas oferecidas à sua companheira e amigos próximos, residências em zonas nobres da África do Sul, bem como o pagamento de viagens faustosas, parte delas feitas de aeronaves fretadas”.

Revelava ainda o Noticias que, Ndambi Guebuza teria recebido várias somas monetárias através de empresas por si identificadas na África do Sul, e por via de uma conta bancária aberta em seu nome, em Abu Dhabi. Os valores foram cobrados a título de suborno por ele ter facilitado os empréstimos ilegais, para as empresas PROÍNDICUS, EMATUM e MAM, com garantias do Estado.

Tudo teria começado com um encaixe de 14 milhões de dólares do Grupo Privinvest, na sua conta 10045906311001, domiciliada no Abu Dhabi Comercial Bank, no dia 26 de Março de 2013. Do Grupo Privinvest, Ndambi Guebuza recebeu outros valores de subornos pagos pela mesma firma, através da Jouberts Attorneys e Pam Golding Properties, todas da África do Sul, contratadas pelo arguido para o assistirem.

A 23 de Dezembro de 2014, a Jouberts Attorneys recebeu da Privinvest, um total de R18.966.000 (dezoito milhões, novecentos e sessenta e seis mil randes) no interesse de Ndambi Guebuza, que no mesmo dia ordenou transferências para Justin Devaris (10 milhões de randes), Delacovios Interior Desing (5 milhões de randes), Mike Tutti (230 mil randes), Saxou Hotel (420 mil Randes) e Imperial (um milhão de randes).

Ainda do mesmo valor de 18 milhões de randes recebido, a Jouberts Attorneys transferiu a pedido de Ndambi Guebuza, 100 mil randes à Salva da Tristeza Salvador Dembele. Pelos serviços prestados de gestão do valor do arguido Ndambi Guebuza, a Jouberts Attorneys deduziu a seu favor o montante de 94.830 randes.

No dia 30 de Dezembro de 2014 foi creditada na conta da Jouberts Attorneys a quantia de R31.611.446,00 (trinta e um milhões, seiscentos e onze mil, quatrocentos e quarenta e seis randes), no interesse de Armando Ndambi Guebuza. Depois de receber, a firma efectuou pagamentos no dia 7 de Janeiro de 2015, às seguintes entidades: Justin Devaris (R20.150.000,00), Delacovios Interior Desing (R5.401.733,00), Imperial Collection (R929.400,00) e Rani Resorts (R366.800,00).

Para a empresa FlyJests Tream Aviation foram transferidos R515.222,00 para fretar uma aeronave do tipo “challenger”, por quatro dias, da África do Sul para a praia de Vilanculos, província de Inhambane, onde Ndambi Guebuza estava acompanhado por pessoas das suas relações, nomeadamente, Annouk Fátima Fumane, Marcelino Faquene Nhambire, Yumanina de Maida Mussane, Deotília Almeida Zefanias, Elma Mamela Magaia, Mariamo Assuede Rachide, Salva da Tristeza Salvador Dembele e Nuno Simão Sofar Mucavele.

Ndambi Guebuza ordenou ainda transferências a partir da conta da Jouberts Attonrneys para o Hotel Marion - Nichol (R445.706,00), Justin Devaris (200 mil randes), Premium Insurence (15 mil randes), Loius Vuitton (47 mil randes), Desing Venter (R66.937,00), Za Online (R92.502,00), Salva da Tristeza Salvador Dembele (40 mil randes), LG Mabote (10 mil randes), Mbali Pearl Shinga (10 mil randes), Draho Investement (R1.489,00) e BM Joaquim Júnior (65 mil randes).

No mesmo dia 22 de Julho de 2015, a Jouberts Attorneys recebeu da Forex, no mesmo âmbito, a quantia de 8.776.251 (oito milhões, setecentos e setenta e seis, duzentos e cinquenta e um randes), no interesse do arguido Ndambi Guebuza. Naquele mesmo dia, transferiu a favor de Honsha, um valor de R3.546.000,00 (três milhões, quinhentos e quarenta e seis mil randes).

A JOUBERTS Attorneys transferiu ainda dinheiro sob orientação de Ndambi Guebuza para as seguintes entidades: Intra Trading (R1.750.000,00), Prism Sky Trading (R679.900,00), Nuno Mucavele (R632.925,00), Saxou Hotel (R848.714,00), Salva da Tristeza Salvador Dembele (120 mil randes), Shale Mussa (300 mil randes), Imperial Motors (R293.900,00), Dainglen Valley (R102.428,00), Eskon (R23.342,00), Alan Levy (R12.945,00), Kehoa (R44.312,00), Mbali Shinga (30 mil randes), Patience Tsuma (20 mil randes), Sandton (46 mil randes) e Council (R10.048,00).

Na mesma esteira, por orientação de Ndambi Guebuza, no dia 9 de Dezembro de 2013, o Grupo Privinvest transferiu da sua conta para a empresa Pam Golding Properties, domiciliada no Banco Stardand Bank, na África do Sul, o montante de 800 mil dólares. Por instrução de Ndambi Guebuza a Pam Golding Properties transferiu R7.053,00 para a Apple Creek Real Estate Trust. Esta empresa aplicou os valores no interesse de Ndambi Guebuza, onde foram transferidos três milhões de randes para a Nochumsoth Teper Attorneys para compra de uma propriedade a favor da Valentina Guebuza, sua falecida irmã.

Para não despertar atenção no sistema financeiro, no lugar de pagar o valor em causa de uma única vez, o mesmo foi fraccionado em três parcelas iguais de um milhão de randes. Ainda por instrução de Ndambi Guebuza, a Apple Creek Real efectuou as seguintes transações: MJ Tutti (R84.500,00), Clee (30 mil randes), Rivonia Toyota (R726.201,00), Daytona Group, vocacionada à venda de viaturas de luxo (300 mil randes), B. Gilbert Refound Paymet (R11.360,00), Eskon (R10.332,00), City of Joburg (R27.810,00), Tokologo Legwale (180 mil randes), Vigliette Motors (350 mil randes) e Delacovis Interior Desing (300 mil randes).

No dia 23 de Abril de 2014, o Grupo Previnvest transferiu R10.499.853,00 (dez milhões, quatrocentos e noventa e nove mil, oitocentos e cinquenta e três randes) para a conta da Pam Golding Properties no interesse do arguido Ndambi Guebuza. Com o valor recebido a título de suborno, o arguido adquiriu, adicionalmente, pelo menos, 15 viaturas na África do Sul, algumas para uso pessoal e outras para oferecer.

Trata-se de Ferrari (R4.105.500,00); Rolls Royce; BMW X5 para o seu amigo Marcelino Faquene Nhambire; BMW X6 para a sua companheira Anouuk Fumane; Ferrari F12 ao preço de R6.140.500,00; Land Rover Discover ao preço de 886.910 e oferecida a Joaquim Viagem; Land Rover Discover, no valor de aproximadamente 800 mil randes, em 2015, presenteada a Nuno Simão Sofar Mucavele; Land Rover, modelo Range Rover, oferecida a Deotílio Almeida Zefanias, em 2015; Aston Martin Vanquisn, no valor de R4.400.000,00; Mclarem no valor de 950 mil randes; Rolls Royce ao preço de sete milhões de randes; Maserrati ao preço de R1.790.294,00; BMW e Ferrari.

Na acusação definitiva do Ministério Público contra os envolvidos nas dívidas não declaradas, Ndambi Guebuza é apontado como sendo o que ficou com a maior fatia do dinheiro apossado ilicitamente. Ao todo terão sido 33 milhões de dólares, pagos a título de subornos pelo Grupo Privinvest, como forma de viabilizar o processo que deu lugar à assinatura de contratos das empresas PROÌNDICUS, EMATUM e MAM, com garantias do Estado.

O silêncio ou boicote de Armando Guebuza é por demais expressivo

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