Graça Machel e Luciano Huck debatem hoje "Desigualdades e pandemia" em "streamlive"


A activista Graça Machel participa esta terça-feira (23) de uma “live” promovida pela United Way Brasil (UWB), filial de uma organização filantrópica criada há 130 anos nos EUA e que hoje tem sedes em mais de 40 países.

O debate, sobre desigualdades e a pandemia, terá também a participação do apresentador Luciano Huck.

O evento ocorre das 10h30 às 12h (hora do Brasil) e pode ser acompanhado pelo Facebook (@unitedwaybrasil) ou na página do YouTube da United Way Brasil.

Há dias, Graça Machel concedeu, por email, uma entrevista a Folha de São Paulo e com a devida vénia o Moz24h publica os excertos da mesma


Como a sra. avalia a forma como o coronavírus está afetando a África em particular e os países pobres em geral?


Em fevereiro de 2020, quando o surto do novo coronavírus estava restrito quase exclusivamente à China, os especialistas soaram o alarme: assim que o vírus chegasse à África, esperava-se uma catástrofe incontrolável, devido aos sistemas precários de saúde.

Até agora, no entanto, os números não fornecem um cenário de catástrofe para o continente africano. Provavelmente, porque os governos locais também reagiram cedo e de forma abrangente. Mesmo que o número real de casos seja maior devido à falta de testagem, já está claro que a evolução da pandemia no continente é menos fatal do que, por exemplo, na Europa.

Na África, a maior ameaça poderá ser o impacto econômico, mais do que o vírus propriamente dito. É preciso lembrar que para muitos não há qualquer rede de segurança social, e onde há, não chega para aliviar o sofrimento diário a que são expostos particularmente os mais vulneráveis.

De um universo de 28 milhões de moçambicanos, 46,1% vivem abaixo da linha da pobreza, sendo que o sistema de segurança social alcança pouco menos de 4 milhões de pessoas vulneráveis. Não obstante esta realidade, o fato de muito cedo se terem tomado medidas preventivas, abraçando lições de outros países, deve ter contribuído para os níveis baixos de mortalidade, quiçá de contaminação.


A sra. teme que aconteça com a África, no caso do coronavírus, algo similar ao ocorrido com o HIV/Aids? Ou seja, que uma doença que não surgiu no continente acabe afetando-o de forma mais acentuada do que no restante do mundo?


O vírus apanhou toda a gente de surpresa e despreparada. Numa época com milhares de aviões atravessando continentes, propagou-se como um raio. E não é por acaso que foi o hemisfério norte primeiro. Quem viajava mais, duas, três vezes por semana? Houve pânico.

E a máquina da mídia? As mídias sociais? Tudo ficou ampliado exponencialmente. Os vírus anteriores eram regionalizados. Este tornou-se global numa questão de dias.

Não só na África, mas ao nível global, o coronavírus trouxe a nu as desigualdades sociais, mas também, e sobretudo, acentuou ainda mais as nossas fragilidades, particularmente os sistemas de saúde e social e a economia de forma geral.

O mundo pós-Covid-19 não será mais o mesmo, terá que reconfigurar as relações entre países e povos e ganhar uma nova forma, particularmente no que tange às dinâmicas demográficas (migrações, oferta de mão de obra etc.).


Como garantir que uma eventual vacina contra a doença seja aplicada de forma rápida e acessível para as populações pobres, na África e no mundo em geral?


Os avanços tecnológicos, associados com o desenvolvimento das cadeias de distribuição ao nível global, permitem que a vacina chegue o mais rapidamente possível a lugares anteriormente considerados inacessíveis.

As experiências e as capacidades acumuladas das agências humanitárias, no seu papel de assistência de emergência, poderão ser equacionadas para aumentar a capacidade de resposta quanto à disponibilização eficiente da vacina logo que estiver disponível.


O que a sra. acha das posições negacionistas sobre os riscos da doença, defendidas, por exemplo, pelo presidente do Brasil, Jair Bolsonaro?


Ao jurar defender a Constituição da República, qualquer presidente se obriga a colocar em primeiro lugar a vida e a segurança de todos os seus cidadãos. Ele se obriga a mobilizar todos os recursos necessários para evitar que o impacto da pandemia não atinja proporções fora do controle.

O Brasil situa-se em segundo lugar [no número de doenças], depois dos EUA. Só isso já é suficiente para forçar medidas enérgicas e apropriadas para corrigir a situação —trata-se de vidas humanas, não são apenas números. Cada indivíduo infectado pertence a uma família e a uma comunidade. O impacto socioeconômico é enorme.

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