Governo promete condições para regresso da Total este ano


O ministro dos Recursos Minerais e Energia moçambicano prometeu esta quinta-feira que até ao final deste ano estarão criadas todas as condições para a retoma do projeto de gás natural da Total, suspenso devido à guerra em Cabo Delgado.


Do nosso ponto de vista, nós contamos que este ano estejam criadas todas as condições que garantam e convençam os concessionários a retomar as atividades”, declarou Carlos Zacarias, falando aos jornalistas, à margem do sétimo conselho coordenador do Ministério dos Recursos Minerais e Energia.

Aquele governante assinalou que a situação de segurança na província de Cabo Delgado, norte de Moçambique, que acolhe projetos de exploração de gás natural, “mudou radicalmente” contra os grupos armados que protagonizam violência desde outubro de 2017 na região.

Naturalmente que uma retoma das atividades vai depender daquilo que é a perceção específica de cada concessionário relativamente às condições de segurança”, enfatizou Carlos Zacarias.

A TotalEnergies, cujo consórcio vai investir mais de 20 mil milhões de dólares na exploração de gás natural no norte de Moçambique, suspendeu o desenvolvimento do projeto na região, devido a um ataque rebelde em 2021, perto das infraestruturas do empreendimento, no distrito de Palma, província de Cabo Delgado.

Palma foi alvo de um dos mais mediáticos ataques protagonizados pelos rebeldes que aterrorizam a província de Cabo Delgado há quase cinco anos, quando em 24 de março de 2021 os insurgentes invadiram a sede daquele distrito, tendo provocado dezenas de mortos e feridos, bem como a fuga de milhares de pessoas.

A província de Cabo Delgado é rica em gás natural, mas aterrorizada desde 2017 por rebeldes armados, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo extremista Estado Islâmico.

Há cerca de 800 mil deslocados internos devido ao conflito, de acordo com a Organização Internacional das Migrações (OIM), e cerca de 4.000 mortes, segundo o projeto de registo de conflitos ACLED.

Desde julho de 2021, uma ofensiva das tropas governamentais com o apoio do Ruanda a que se juntou depois a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) permitiu recuperar zonas onde havia presença de rebeldes, mas a fuga destes tem provocado novos ataques noutros distritos usados como passagem ou refúgio. (Observador)

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