Gemfields lança fundação para apoiar comunidades


Estacio Valoi

Montepuez – Namanhumbir localizado no nordeste de Moçambique, na província de Cabo Delgado, onde foi descoberta a maior reserva de rubis do mundo, com 40% . Actualmente pertence à mineradora Montepuez Ruby Mining / Gemfield (MRM) em resultado de uma parceria entre a moçambicana Mwirit com 25% e a sua congénere inglesa a Gemfield com 75% numa concessão de 33.600 hectares de extensão, uma zona de riqueza considerável e royalties.

Segundo o recente comunicado de imprensa enviado a nossa redacção pela empresa, a Gemfields, acaba de lançar a Fundação Gemfields, uma instituição de caridade através da qual os doadores podem contribuir com fundos para apoiar directamente projectos comunitários e de conservação na África Subsaariana, incluindo Moçambique.

“A Fundação Gemfields opera de forma diferente da maioria das instituições de caridade: 100% dos fundos dos doadores são canalizados para projectos de caridade, sendo que todos os custos gerais, administrativos, de viagem e de gestão são totalmente cobertos pela Gemfields e suas subsidiárias. O resultado é um compromisso de caridade que beneficia da excelente experiência do país, sem custos adicionais para os doadores, posicionando de forma única a Fundação Gemfields na realização de projectos de alto impacto.”

É uma corrida permanente feita por multinacionais como Fura, Montepuez Ruby Mining/Gemfields, MUSTANG (New Energy), Gems rock, Mwiriti, grafite de Balama em Montepuez, Balama e outros distritos que controlam os solos de rubis vermelhos e outros minerais enquanto associações comunitárias locais., os cidadãos são deixados à parte, sem terra para mineração ou agricultura. Ainda é “promessas”.

De acordo com a empresa, a “iniciativa surge em resposta à crescente procura de potenciais doadores. Ao longo de uma década de exploração mineira em África, a Gemfields recebeu inúmeras abordagens de instituições que manifestaram interesse em se envolver activamente com as comunidades onde as operações mineiras têm lugar. Com o lançamento da fundação, a Gemfields está a fornecer um mecanismo formal para a gestão e expansão de novos projectos que visam aliviar a pobreza nas comunidades anfitriãs e promover esforços vitais de conservação na África Subsaariana.”

Segundo apuramos, a Fundação é dirigida por um conselho internacional, composto por sete administradores. Em Moçambique, este organismo é representado pelo Presidente da Montepuez Ruby Mining, Samora Machel Júnior, um apoiante apaixonado do desenvolvimento comunitário e de projectos de subsistência.

Reconhecendo que, para os moçambicanos, a chave para a capacitação económica e melhores meios de subsistência é através da educação e acesso ao conhecimento, Machel deu o seu pleno apoio ao programa de projectos comunitários da MRM e deseja acelerá-los, com a recente criação da Fundação Gemfields.

"Acreditamos que, com o lançamento desta fundação, somos capazes de reforçar as acções que a MRM tem vindo a desenvolver para o desenvolvimento das comunidades onde operamos, em áreas sociais como Educação, Saúde e Agricultura, entre outras, para aliviar a pobreza dentro das comunidades vizinhas da nossa concessão em Namanhumbir", salientou o Presidente da MRM.

Em parceria com a MRM e o Instituto Alberto Cassimo de Formação Profissional e Estudos do Trabalho (IFPELAC), a Gemfields está a formar 2.100 jovens locais em vários campos profissionais, ao longo de sete anos. A MRM disponibilizou a sua primeira clínica móvel de saúde em Montepuez, em Março de 2017, seguindo-se uma clínica móvel adicional em Maio de 2018, as quais, em conjunto, beneficiam 10 aldeias em Montepuez. E está actualmente em curso um projecto de apoio a mais de 400 agricultores, distribuídos por sete associações agrícolas, na prática da agricultura de conservação.

"Tendo visto em primeira mão a diferença que os projectos comunitários da Gemfields têm feito na vida das pessoas e tendo testemunhado o esgotamento da vida selvagem africana, é evidente que mais deve ser feito. A equipa da Gemfields provou a sua experiência no terreno em projectos complexos e, ao oferecer esta base de competências, juntamente com o compromisso de cobrir custos gerais e de gestão, a nossa fundação apresenta uma oportunidade única para doadores apaixonados. É uma honra juntar forças com administradores tão dedicados e conhecedores, para expandir e acelerar as nossas actividades, trazendo mais benefícios às comunidades e à conservação em África", referiu Emily Dungey, Directora-geral da Fundação Gemfields, que salientou a importância da criação da Fundação Gemfields.

Num ‘ fact check’ o Moz24h’, fez um périplo por Namanhumbir e, a realidade contrasta com o anunciado pela mineradora.


Dos comités


Namanhumbir – Montepuez tem duas associações comunitárias, a 4 de Outubro e Armando Guebuza, com cerca de 350 membros cada, foi atribuída a cada associação uma área para mineração de 250 hectares, “delimitada, designada” e as quais desde o passado mês de Janeiro até Março momento da publicação desta investigação, estavam à espera do seu novo parceiro, a “Gems Rock”, para o arranque das actividades. Estiveram a fazer acampamentos em Nacoja e agora falta aqui em Namahumbir. Enquanto cada uma das associações tem 30% das acções da empresa, a Gems Rock, detém 40% – referem membros das associações.

Ainda segundo as associações, a dimensão das áreas para as comunidades primeiro era de 250 hectares para cada uma. Antes eram 500 hectares para cada comunidade. Acho que o governo tinha manipulado mas agora o nosso parceiro já comprou uma das áreas da Gemfields e da Mustang e, acho que as áreas já estão incorporadas. Em termos de violência esta ainda continua nas zonas de garimpo que sempre foi uma zona em que os conflitos não param e continua a haver aquela violência, balas, pessoas espancadas

A fundação recentemente lançada vai trabalhar em conjunto com as equipas de projectos comunitários da Gemfields, nos domínios da saúde, educação e meios de subsistência, áreas consideradas prioritárias para um desenvolvimento significativo nas comunidades locais.

"Lembras – te daquelas mortes, foi tudo criado. E’ o sistema criado. Estão a fazer isso. Ate agora acho que ainda existe, já não entram muitas pessoas, talvez umas três, quatro pessoas as quais os seguranças deixam os fazer o serviço (Minerar).

Pagam dinheiro, 4,5 milhões. Daquela vez que entram muitas pessoas, disseram que morreram 11, usaram o mesmo sistema. Pagaram muito dinheiro aos guardas que abriram as portas. Policias também recebiam dinheiro não faziam aquela forca (coniventes, corruptos do momento) para afugentar as pessoas a mistura todas a procura do rubi, crianças jovens, adultos, velhos, estavam todos la!


Ainda não nos deram espaço onde fazer as nossas machambas.


As associações assinaram um contracto com a Gems rock para juntos explorarem o rubi. Agora ouvimos que Gems rock foi e não sabemos o que vai ser. Já devíamos ter começado no ano passado mas ate aqui nada!


Rubis e outros minerais ‘são todos nossos”


Fabergé-Gemfields, Fura Gems Inc. Mustang (conhecido como New Energy desde médio de 2018) Regious Resources, Gem Rocks, SRL Mining Limites, generais do exército moçambicano e ministros moçambicanos são os beneficiários principais e dentro de pouco, Gemfields e Mwitiri lançarão uma nova parceria na empresa mineira de ouro – Nairoto Resort. Em carta a Fura disse que ‘O senhor Shetty entrou na Fura Gems Inc em Janeiro 2017 como Presidente Executivo. Foi director de operações e membro do conselho de Gemfields Plc.’ E ‘a única relação entre as duas empresas tem de ver com um acordo de aquisição entre Fura e New Energy anunciado publicamente em Julho 2018, no qual Fura aceitou aquisição de certos activos nos rubis de New Energy em Moçambique (‘a transacção) (Moz24h).



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