Frelimo pela primeira vez quebrou regra: "Ocidente" na Comissão Politica


APOIAR NÃO É MESMA COISA QUE VIABILIZAR!...

Por João k. Bruno de Morais

(...)...em época de "consolidação do poder", o partido é substituído pela organização do partido; a organização do partido é substituído pelo Comitê Central; o Comité Central pelo Bureau Político e finalmente o Bureau Político por um ditador...(...)...- Leon Trostky

Concordamos com John Saul um "compagnon de router" da Frelimo que apoiou os camaradas quando era professor na Faculdade de Ciências Sociais da Universidade de Dar - es - Salaam nos finais dos anos 1960 quando afirmou que a diferença entre a Frelimo e outras organizações políticas que se intitulavam marxistas leninistas, residia na prática.

De facto foi pela prática que os camaradas conseguiram evitar a maioria dos aspectos negativos de todos os tipos de marxismo leninismo. Também conseguiram distanciar-se do hipercentralismo do socialismo da Europa Oriental e das falhas do socialismo africano.

Podemos afirmar que a Frelimo desde a purga de 1970 permitiu uma "ditadura unipessoal controlada" por questões de agenda colectiva mas que momento apropriado "calçam os patins" aos seus presidentes. É uma cultura tipica da Frelimo adquirida durante a Luta de Liberação Nacional. Foi assim que a Frelimo notabilizou-se na Internacional Socialista devido a essa "inovação".

Também concordamos com os nossos historiadores oficiais que têm dito a viva voz que a história do Estado moçambicano tem sido contada por acontecimentos chaves.

Dentre desses acontecimentos destacam-se os congressos. Na realidade os congressos que a Frelimo realiza determinam os recuos e avanços do país.

Em todos os congressos sobretudo os que se realizaram depois dos Acordos de Roma não se preveniram determinadas situações que poderiam muito bem ter sido evitadas. O contexto multipartidario direcionou a Frelimo por uma questão de "sobrevivência política" da extrema esquerda para o centro direita. Outrora partido de massas gradualmente foi se transformando desestruturalmente em partido de quadros. A aliança operária camponesa e o verbo útil dos intelectuais foram escondidos na gaveta. Quase todas as resoluções desses congressos findaram com inúmeras incertezas quanto ao futuro. Soluções para combater os reais problemas do povo nunca foram postos como prioridade e debatidos. Os congressistas sempre foram "formatados" para viabilizar "projetos" das lideranças em troca de posições e interesses obscuros.

Entretanto a sobrevivência política obrigou a Frelimo a manter certas características do marxismo leninismo como por exemplo, o culto da personalidade, o tal de "hoye para ali, hoye para acolá e as eleições direcionadas mad in Joseph Staline que disse - "não importa como se vota e nem quem vota. O importante é quem conta os votos".

Por exemplo nessa operatividade de "hoye", lembremo nos das palavras de Manuel Tomé, ex secretário geral da Frelimo proferidas em directo para a Tvm durante a sessão do Comitê Central em 2010 - (...)...com Guebuza não há maneira. Guebuza hoye...(...)...


Palavras proferidas antes do X congresso da Frelimo. Quando se ouve isso de um quadro como Manuel Tomé é sinal e sinônimo de "preparação de patins".

Sem muita supresa foi o que se viu relativamente a Guebuza apesar do mesmo ter cozido o Comité Central a sua maneira e moda no congresso de Pemba em 2012.


Pelo nosso olhar analítico verificámos que o XII congresso dos camaradas produziu "mudanças artísticas" consideráveis de tal modo que se destacaram dois movimentos.

Um ruidoso com "hoye para aqui, hoye para ali com intenção pura de destruir os Fundamentos da Frelimo e outro movimento silencioso para estancar esse ruído e transformar esses Fundamentos.

Os mais velhos ao contrário dos "miúdos" da Frelimo já identificaram esses dois movimentos devido a sua experiência de "luta política".

Joaquim Chissano no apelo feito ao Presidente eleito da Frelimo afirmou que "deve-se produzir sempre a paz através de uma constante reconciliação, no seio do partido e a todos os níveis. Devemos reconciliar nos se quisermos combater o tribalismo, para podermos falar com os outros".

Salientar que o antigo Presidente da Frelimo testemunhou a queda de regimes totalitários como o da ex União Soviética, Romênia, República Democrática Alemã, etc...etc

Contudo, Chissano e seus camaradas de trincheira -Marcelino dos Santos (falecido), Alberto Chipande, Armando Guebuza, Mariano Matsinha, Jorge Rebelo, Jacinto Veloso, Óscar Monteiro, Feliciano Gundana, Sérgio Vieira (falecido), Graça Machel, etc, etc...e outros históricos têm consciência de que esses regimes totalitários não caíram porque se desvirtuaram e abandonaram as antigas e estabelecidas práticas de responsabilidade individual e coletiva.

Esses regimes caíram mais pela sua incapacidade de adaptar-se as transformações do que por terem sido minadas por elas.

É óbvio que a dinâmica natural de qualquer organização política é produzir sangue novo para sustentabilizar as estruturas. Porém isso não significa adaptar-se as novas realidades destruindo as suas ferramentas políticas principais.

O que acontecendo actualmente é que esse movimento ruidoso está elaborando estratégias para romper com certas práticas como por exemplo, o Centralismo Democrático que assegurava disciplina, mobilidade e sustentabilidade política.

Os camaradas por causa da massiva entrada de infiltrados já não consegue gerir mecanismos estratégicos e administrativos que suportam a sustentabilidade política da Frelimo. O dinheiro em detrimento do factor ideologico é que conta. Dinheiro que serve para comprar consciências com a finalidade de alçancar e manter o poder. Se no passado glorioso da Frelimo, o factor ideologico era "libertar o homem e a terra", hoje professa uma inédita ideologia trazida pelos infiltrados - "a combinação entre a ideologia soberanista e corporativa.

Infiltrados esses que gozam de suporte financeiro internacional e tem um objetivo bem definido - produzir a queda da Frelimo a médio e longo prazo.

A roda não se está a inventar agora em pleno século 21.

O partido comunista soviético desapareceu porque houveram demasiadas concessões na altura em Moscovo. Os membros mais conservadores do partido comunista soviético acusaram o já falecido Mikhail Gorbatchev como agente do "Ocidente" e principal elemento destrutivo do partido.

Agora até o dia em que se começar a vislumbrar "oficialmente o "alinhamento anárquico" dos candidato(a)s a suceder Filipe Nyusi na Presidência da República, teoricamente as palavras de Leon Trostky servem para resumir politicamente o XII da Frelimo: "em época de consolidação do poder, o partido é substituído pela organização do partido; a organização do partido é substituído pelo Comitê Central; o Comité Central é substituído pelo Bureau Político e finalmente o Bureau Político é substituído por um ditador.

Nesse contexto de "ditaduras"...


Apelamos ao senhor Filipe Nyusi, Presidente da República e da Frelimo para se distanciar dos infiltrados para o seu próprio bem. Castigo Langa expressou o seu sentimento. No país temos direito a liberdade de expressão e pensamento. Disciplina não significa ficar de boca fechada. O seu camarada simplesmente quis alerta lo e ainda por cima fe-lo em fórum próprio. Merece o respeito de todos os seus camaradas.

Antes da tomada de posse do antigo Presidente da República Armando Guebuza no primeiro mandato, escrevemos - (...)...como novo Presidente da República eleito deste país, pensamos que não deve esquecer que os conflitos internos são de base dupla. Primeiro porque as pessoas designadas para novos cargos precisam de reconhecer que os conflitos são internos. Segundo, precisa certificar-se que as suas acções baseiam-se na realidade. Terceiro, que antes de dar ordens deve ter na sua posse todos os factos pertinentes antes da sua execução e a sua operacionalidade lhe pertença e as decisões de comando só podem ser possíveis em circunstâncias controladas, pois caso contrário irá cair no ridículo do anarquismo pessoal, partidário e governamental.

Diálogo é sempre a melhor maneira de se resolver contendas, aliás disso, o Presidente eleito tem uma vasta experiência.

"Governa uma grande nação como cozinharias um pequeno peixe" - advertiu o filósofo chinês Lao Tsu há mais de mil anos - "não exageres" in jornal Notícias, 27-01-2005.

Armando Guebuza por causa dos seus "iluminados" que por "concidencia" ocupam também cargos no executivo actual tornou-se o Robson Crusoé da Frelimo porque não entendeu essas palavras. Exagerou em tudo...

Senhor Filipe Nyusi, afaste se dos infiltrados enquanto pode. Não seja o novo Robinson Crusoé. Os 100% de votos foram viabilizado.

UMA COISA É APOIAR, OUTRA COISA É VIABILIZAR.(X)

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