Filipe Nyusi “incendeia” debate sobre processo de paz


Ao anunciar “a falta de moral do governo para integrar nas fileiras e postos de comando da Polícia da República de Moçambique (PRM) oficiais da Renamo” que já foram desmobilizados das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), o Presidente da Republica Filipe Nyusi teria incendiado o debate sobre o processo da paz em curso no país.

Agora, mais do que nunca, tendo em conta o período eleitoral que se aproxima, com a realização das eleições gerais e presidenciais no dia 15 de Outubro que vem, o debate vai apresentar-se mais “quente”, e as posições tanto do governo como da Renamo, mais extremadas e radicais.

O memorando de entendimento sobre assuntos militares assinado a 6 de Agosto de 2018 passado, prevê a assinatura do acordo de paz definitivo antes das eleições.

E vale a pena recordar aqui, que a partir da Academia de Ciências Policiais (ACIPOL), por ocasião da passagem de 20 anos da sua criação, o comandante-chefe das Forcas de Defesa e Segurança (FDS), afirmou alto e de bom-tom, que a lista dos guerrilheiros da Renamo que devem ser integrados nas fileiras e nos postos de comando da PRM deve ser composta por jovens que se encontram aquartelados na serra de Gorongosa, e não de oficiais já reformados, uns com salários e subsídios, outros, a receber pensão. Nessa ordem de ideia, Filipe Nyusi pediu à liderança da Renamo para dar oportunidade a outros moçambicanos e jovens de contribuir na defesa da soberania do país.

Um dado indicador dessa tendência, é o encontro de emergência mantido domingo, na Serra de Gorongosa pelo presidente da Renamo Ossufo Momade  e o Presidente do grupo de contacto, o embaixador da Suíça  Mirko Manzoni e com outros mediadores do processo de paz em curso.

Alias, antes do partido Renamo enviar um comunicado de imprensa as Redacção a anunciar a realização do encontro, o departamento de comunicação convocou a imprensa na tarde de domingo para participar da conferência de imprensa alegadamente para fazer a “avaliação do recenseamento eleitoral”.

Na manha desta segunda-feira, a Renamo cancelou a conferência de imprensa que havia sido marcada para as 12horas e minutos depois, anunciava o encontro entre o Presidente do partido e o Presidente do grupo do contacto e mediador entre o governo e a “perdiz” no processo de paz.

Segundo o comunicando de imprensa em alusão, o encontro “concentrou-se sobre o progresso do processo de paz em curso, a agenda para as próximas semanas em vista da implementação concreta do DDR e a reintegração dos combatentes da Renamo, bem como a assinatura de um acordo de paz antes das eleições gerais e presidenciais marcadas para dia 15 de Outubro”.

Foram também abordadas outras questões relacionadas com o recenseamento eleitoral em curso no país.

“A Renamo reiterou o compromisso para o alcance da paz definitiva para Moçambique e continua empenhada na implementação do Memorando de Entendimento sobre assuntos militares assinado a 6 de Agosto de 2018”, lê-se na nota de imprensa, que acrescenta que a Renamo pretende a conclusão da implementação do acordo, o mais rápido possível para permitir o retorno a vida dos moçambicanos.

Os próximos dias, vai mostrar-se decisivos, pois os moçambicanos querem viver em paz, circular em paz e viver sem ameaça das armas, seja que ordem for.

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