Filipe Nyusi admite negociar com dissidentes da Renamo e Mariano Nhongo pede fim de ataques


O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, reiterou nesta sexta-feira, 9, a disponibilidade de dialogar com o grupo dissidente da Renamo, a auto-proclamada Junta Militar da Renamo, e colocar fim à insegurança em estradas e aldeias do centro do país, que voltaram a ser assoladas por ataques armados.

Ao falar em Chimoio, capital da província de Manica, Nyusi considerou que a economia da região está a ficar refém da insegurança e insitiu na necessidade de pacificar as províncias atingidas pelos ataques.



“A nossa economia exige paz, segurança, por isso quero mais uma vez colocar-me na disponibilidade para liderar este processo de paz nesta região, e em todo o país, e continuarei a colaborar com a liderança da Renamo e aos irmãos que precisam se juntar a nós”, disse o Presidente, em clara alusão aos dissidentes da Renamo, no fim de dois dias de trabalho na província.

Por sua vez, num comunicado emitido também hoje, o enviado pessoal do secretário-geral das Nações Unidas para Moçambique, Mirko Manzoni, garantiu que continua firme no compromisso de assegurar uma paz definitiva e convidou as partes a encontrarem as melhores formas de calar as armas.

“Acredito firmemente que a resolução pacífica do conflito através da comunicação e do diálogo é a única forma credível de avançar”, reiterou Manzoni, que vem tentando mediar o diálogo entre os dissidentes, a Renamo e o Governo, insitiu que os moçambicanos merecem viver sem medo e reiterou o convite para o diálogo entre as partes.

“Esta oportunidade para depor armas e reintegrar a sociedade de uma forma relevante deve ser alargada a todos”, observa Manzoni para depois convidar o líder da auto-proclamada Junta Militar da Renamo a se juntar ao processo de desmobilização.

Diálogo condicionado

Entretanto, o líder dissidente, Mariano Nhongo, condicionou hoje o diálogo à divulgação da petição enviada há um ano ao Governo e a cessação dos ataques às bases onde reagrupou os seus homens, bem como raptos e assassinatos de membros da Renamo.

Nhongo disse que o conflito evoluiu para o atual nível porque o Governo ignorou os apelos do grupo dissidente para não assinar acordos com a nova liderança da Renamo e avançou com uma solução militar.

“Este já não é um conflito interno da Renamo, quem está a lutar com à (autoproclamada) Junta Militar da Renamo são as Forças de Defesa e Segurança e o exército”, disse à VOA por telefone Mariano Nhongo, algures do seu esconderijo na Gorongosa.

O líder dissidente acrescentou que as intenções de diálogo manifestadas por personalidades influentes em Moçambique são absorvidas com novos relatos de raptos e assassinatos de seus membros.

“Não é possível negociar a ser caçado com armas”, sublinhou Nhongo ao denunciar novos incidentes com os membros.

Novos raptos

No dia 7, prosseguiu, cinco membros da Renamo foram sequestrados e assassinados em Dombe.

Um sexto membro da Renamo foi assassinado na zona de Pungué-sul, outra área junto à principal estrada de Moçambique onde há frequentes relatos de ataques.

“Se é o tempo de negociarmos a própria Frelimo (Governo) deve aceitar divulgar o documento que enviamos”, aclarou o líder dissidente, que voltou a recusar qualquer negociação com Ossufo Momade. (VoA)





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