Extremistas decapitam crianças em Cabo Delgado, diz a Save the Children


A organização inglesa Save the Children denuncia a decapitação de crianças por insurgentes em Cabo Delgado, norte de Moçambique, reporta a Reuters.

Esta não é a primeira vez que a situação é reportada.

Na sua abordagem, a Save the Children diz ter falado com famílias deslocadas que descreveram “cenas horríveis” de assassinato, incluindo mães cujos filhos foram mortos.

Num dos casos, uma mulher se escondeu, indefesa, com os seus outros três filhos enquanto o seu filho de 12 anos era assassinado nas proximidades.

“Tentamos fugir para a floresta, mas eles pegaram o meu filho mais velho e o decapitaram”, disse a jovem de 28 anos, que a Save the Children chama de Elsa, segundo a citação.

“Não podíamos fazer nada, porque também seríamos mortos,” disse a mulher.

Amélia, outra mãe de 29 anos, citada Save the Children, disse que seu filho tinha apenas 11 anos quando foi morto por homens armados.

Chance Briggs, director nacional da Save the Children em Moçambique, disse que relatos de ataques a crianças “nos incomodam até o âmago”.

Ele disse que “a violência tem de ser travada e as famílias deslocadas precisam ser apoiadas enquanto se orientam e recuperam do trauma”.

Em Cabo Delgado, os ataques atribuidos ao grupo Estado Islâmico iniciaram em 2017. Pelo menos 2500 pessoas foram mortas e mais de 650 mil foram forçadas a fugir.

No ano passado, foi registado um considerável aumento de de acções do grupo, que passou a raptar pessoas e ocupar distritos, como foi o caso de Mocímboa da Praia, que tem um estratégico porto na região rica em recursos naturais.

Os Estados Unidos declararam na semana passada o grupo de Moçambique uma organização terrorista estrangeira devido às suas ligações ao Estado Islâmico, dizendo que o mesmo teria jurado fidelidade em 2018. O Estado Islâmico reivindicou o seu primeiro ataque em Cabo Delgado em junho de 2019.

A embaixada dos EUA em Moçambique disse, esta segunda-feira, 15, que as forças especiais americanas vão treinar fuzileiros navais moçambicanos durante dois meses, com o país também a fornecer equipamento médico e de comunicações para ajudar no combater a insurgência. (VoA)

30 visualizações0 comentário