Exibidos files de Jean Boustani que demonstram pagamentos de subornos a Ndambi Guebuza









Iniciou nesta quarta-feira a audição de testemunhas arroladas pela defesa de Jean Boustani, no julgamento que decorre desde o dia 15 de Outubro em Brooklyn, Nova York. As primeiras duas testemunhas chamadas pela defesa são colaboradores seniores da Privinvest, o alemão Peter Kuhn, engenheiro responsável pela construção de navios e o holandês Johan Valentijn, arquitecto naval responsável pelos projectos da Abu Dhabi Mar. Os dois foram ao tribunal mostrar fotos de trabalho “brilhante” da Privinvest realizado no mundo e em Moçambique, em particular. Mas tudo estragou-se quando a acusação mostrou documentos que comprovam que a Privinvest pagou viagem de Armando Ndambi Guebuza para a cidade francesa do Nice, uma zona turística junto ao mar mediterrâneo. As duas testemunhas da defesa desdobraram-se mostrando estaleiros do grupo Privinvest, em Nobiskrug, na Alemanha, onde parte dos barcos da ProIndicus e da EMATUM foram construídos. Mostraram ainda a entrega dos barcos em Moçambique, a reabilitação de instalações portuárias em Pemba para a construção de estaleiro naval da MAM. A defesa chegou a exibir um vídeo para o júri, mostrando show de barcos da ProIndicus na baía de Maputo, os HSI32 Interceptors e Ocean Eagle 43. Estavam na plateia Armando Guebuza, então presidente da República, e altas patentes das Forças Armadas de Defesa de Moçambique. Tudo isso era para justificar que a Privinvest - acusada de distribuir cerca de 200 milhões de dólares em subornos e comissões ilícitas - fez trabalho sério em Moçambique e que o insucesso dos projectos deveu-se a problemas internos de Moçambique. Peter Kuhn contou histórias “comoventes” de como a Privinvest sofreu para conseguir instalar projectos em Moçambique, um país em guerra onde ninguém aceitava ir trabalhar. “Nestes dias, houve alguns avisos do Ministério de Relações Exteriores na Alemanha e na maioria dos países europeus para não mais viajar para Moçambique. Por isso, era difícil encontrar trabalhadores que quisessem fazer iss Toda esta “história comovente” de uma Privinvest quase filantrópica a querer ajudar Moçambique a proteger a sua costa, veio a ser desmontada pela acusação, quando mostrou pagamentos indevidos que a Privinvest fez a favor de Armando Ndambi Guebuza, filho do então chefe do Estado de Moçambique o [trabalhar em Moçambique]. Solicitámos à Proindicus apoio adicional, equipa de segurança adicional e tivemos que pagar um pouco mais pelo transporte. Era difícil encontrar pessoas que quisessem transportar nosso equipamento”, contou o trabalhador da Privinvest sobre o “martírio” que foi trabalhar em Moçambique.


E tudo Ndambi levou…


Toda esta “história comovente” de uma Privinvest quase filantrópica a querer ajudar Moçambique a proteger a sua costa, veio a ser desmontada pela acusação, quando mostrou pagamentos indevidos que a Privinvest fez a favor de Armando Ndambi Guebuza, filho do então chefe do Estado de Moçambique. A procuradora Margaret Moeser confrontou Johan Valentijn com cópias de mensagens de emails trocados entre Armando Ndambi Guebuza, Jean Boustani e Raja Zneidi, da Logistic International. Nas mensagens, o filho de Armando Guebuza pedia a Jean Boustani que lhe “comprasse passagem na primeira classe de Maputo a Nice, no dia 28 de Agosto de 2014”. Jean Boustani aceitou e encaminhou a mensagem para Raja Zneidi, seu colega e logístico da Privinvest. A passagem foi adquirida na South African Airways de Maputo a Joanesburgo e na Air France de Joanesburgo a Paris e de Paris para a Belle Nice, como também é conhecida a cidade mediterrânea francesa. A procuradora mostrou ainda o contrato entre a MAM e Privinvest para a construção de estaleiro naval em Moçambique, destacando a cláusula anticorrupção que impede pagamentos indevidos a terceiros. Com este exercício, a Procuradora estava a mostrar ao júri que a Privinvest violou o contrato do seu trabalho em Moçambique, ao pagar passagens aéreas para filho do Presidente de Moçambique. O julgamento continua este sexta-feira com a audição de mais testemunhas arroladas pela defesa de Jean Boustani. A próxima semana é a última. O juiz William F. Kuntz II garantiu que o julgamento não iria para além do dia 22 de Novembro, a próxima sexta-feira (CIP)


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