Excessos das autoridades gera levantamento popular no Bairro de Paquitequete


Estacio Valoi e Nazira Sulemane


O histórico Bairro do Paquitequete, na cidade de Pemba, tem estado a ser palco de várias arbitrariedades cometidas contra populações indefesas por parte de policias e militares adestritos a base naval da capital com o mesmo nome.

Desde a noite de ontem até ao alvorecer da aurora de hoje, populares de Paquitequete se insurgiram contra uma autoridade que lhes era suposta servir, defendedo-as.

Policias e militares da base naval de em Pemba-Cabo Delgado, têm estado a agir ao seu bel prazer, desde que foi decretado “o estado de emergência” pelo Presidente da República (PR), Filipe Nyusi, em todo o território moçambicano devido a pandemia do CONVID-19.

Ontem por volta das 18 horas em mais uma rusga a policia, militares voltaram a carga sobre o Bairro Paquitequete, na baixa da marginal, desta vez com cães e o seu equipamento de habitual.

Cabo Delgado, uma província a parte com duas emergências, a dos “Malfeitores” desde 2017 e a “COVID-19” agora, o bairro Paquitequete tem sido vitima daquilo que se poderia chamar de “terceira emergencia”. Os excessos por parte dos militares e da polícia vão desde o atropelo dos direitos elementares dos cidadãos: a violação dos direitos humanos, extorsão de bens celulares, assalta a residências sem que sejam chamados a responsabilidade.

Populares que falaram ao Moz24 contaram que as os policiais e militares chegaram com os seus cães tendo de seguida, pelos seus excessos, vaiados pelos populares que iam gritando, insultando-os. A população armada de pedras e paus aproximou-se as forcas, mas pouco depois acabaram chegando duas viaturas da polícia que de seguida se retiraram. “Pouco as forcas irromperam aos tiros ‘começaram o tiroteio, bala para o ar e a população respondeu atirando pedras e a ‘ polícia depois lançou gás lacrimogéneo e pronto”.

Os moradores daquela urbe reconhecem a necessidade da rusga, mas contestam a actuação das forcas que “entram nas casas, arrombam portas, batem pessoas, ate mesmo dentro dos quintais batem pessoas.”

Na altura os populares colocaram pneus pela estrada, alguns incendiados e outros a forcas no local tiveram que apagar o fogo. Eram atiradores dos dois lados numa revolta popular contra a actuação da polícia e as forcas de defesa nacional, concretamente a naval.

Segundo fontes ouvidas pela nossa equipa de reportagem, embora haja a ordem do recolher obrigatório naquela cidade que parte das 21h os agentes da PRM fazem patrulha naquele bairro muito antes dessa hora, provavelmente 18 a 19h, e chegado lá chove chamboco sobre as pessoas mesmo estando em sua varanda, porque nao dizer, eles entram até nos quintais, arrombam residencias e brutalmente os chamboquem sem mais e ném menos.

"Aqui no Paquetiquete estamos mal, não sabemos por que, e não somos dito as causas dessas violencias. Estamos a ser torturados, incapacitados, foi anunciado que apartir das 21h ninguém deve circular, e nós cumprimos. Na semana passada mandei meu filho comprar coco, em frente da minha casa, eram 8h e foi brutalmente espancado pelos agentes da FIRE, ele é menor de 17 anos. Simplesmente chamaram o miudo, mandaram-o a ficar deitado e o chamboquearam, chegado a casa tive que leva-lo ao hospital porque teve muitos ferimentos" narrou uma fonte de Paquite ao Moz24h.

Para além deste cenário muito triste a nossa fonte conta ainda mais sobre o que se tem vivido naquele bairro da baia de Pemba: "ontém chegaram por volta das 19h pela estrada de Paquetiquete, chegaram 2 viaturas da PRM e deixaram polícias, derepente começaram a bater as pessoas. Ficamos cansados com essa actitude deles, a brutalidade das autoridade nos tira do serio. Bateram numa mulher ate perder os sentidos que de seguida os mesmos a levaram ao hospital, disse a fonte .

"Encontraram um jovem a estacionar a sua motorizada em sua casa, foi batido, dai a população começou a lançar pedras, e paus, pneus, e a polícia desparou para o ar 12 tiros, lançou gás lacrimogénio que várias familias desmaiaram, outros vomitaram. Ninguém foi baleado graças a Deus. Estamos mal e nao sabemos porque. Já encontraram a mim e mais um amigo parados, derepente começaram a bater o meu amigo, sem motivos. "Acrescentou ainda.

Secretário do Bairro do Paquetiquete ao Moz24h

O Moz24h contactou, telefonicamente, Luis Salimo o secretário do bairro de Paquetiquete e abordamos sobre este assunto. Ele nos disse haver uma fúria por parte das populações devido “a brutalidade da polícia, as autoridades não cumprem com a norma que é 21h, eles chegam 18h a 19h, encontram pessoas nas suas varandas e começam a bater, arrombam residencias e batem as pessoas por isso que a população ficou cansada e começou a agir”.

“Os militares entraram na residencia do secretario do bairro encontraram uma miúda a vender bolinhos na varanda e a bateram, ate que ela perdeu o seu telemovel e perdeu o dinheiro da venda daquele dia”.

O secretario do bairro diz ter contactado o comandante provincial da PRM e que este por sua vez delegou o comandante distrital, que se fez presente depois de tudo ter acontecido com promessas deste cenário não voltar a acontecer.

O mais agravante, dentre várias vitimas brutalmente batidas pelos agentes, existe uma mulher grávida que foi batida e a sua familia a levou ao hospital. Eles batem pessoas em suas residencias, arrombam portas e as batem nos seus quintais. O gás lacrimogenio fez muita gente desmaiar em seus quintais, outros ainda vomitaram em suas residencias.

É de salientar que esta situação de violência da parte dos militares da marinha, UIR e PRM tem sido acto muito comum nesses ultimos dias em Paquetiquete.

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