Estudo conclui que há menos jovens eleitos em Moçambique

Um estudo conclui que há menos jovens eleitos para cargos políticos em Moçambique, levando-os a expressarem-se em espaço informais, como as redes sociais, disse à Lusa um dos promotores.


© Lusa


"Estamos numa sociedade que pensa que as decisões mais importantes devem ser deixadas para os mais velhos e não necessariamente para os mais jovens", referiu Victor Fazenda, gestor de projetos do Instituto para a Democracia Multipartidária (IMD).

O estudo refere que nos últimos três mandatos o número de jovens no parlamento caiu de 46 na legislatura 2010-2014 para apenas 17 na atual legislatura, 2020-2024.

Destes 17 jovens, apenas seis ainda terão idade inferior a 35 anos no fim do mandato.

O mesmo estudo indica que, a nível provincial (o país tem onze províncias), no mandato iniciado em 2020, todos os governadores eleitos e os secretários de Estados indicados pelo Presidente da República tinham acima de 40 anos de idade.


Dos 800 lugares nas assembleias provinciais em todo país, apenas 64 jovens foram eleitos membros dos órgãos, uma participação reduzida se comparada com a pretensão de quotas mínimas de 20% apontadas pelos diferentes partidos políticos, refere o documento.

A intervenção dos jovens no processo de descentralização é limitada, referiu Victor Fazenda, à margem de encontros com juventudes partidárias, promovidas desde sexta-feira no Chimoio, capital provincial do centro de Moçambique.


O controlo dos partidos políticos sobre o acesso aos órgãos locais leva os jovens a optar por espaços informais, incluindo redes sociais, para participar da política e promover a sua voz no contexto da governação local.


Por outro lado, "a nível local, há um pouco de intolerância ao pensar diferente, há um pouco de sevícias, da perseguição àquele que pensa diferente", referiu, em alusão a alguns episódios de confronto político.


"Por exemplo, um jovem que está num partido da oposição, não tem o mesmo tratamento que um do partido governamental", observou Fazenda.

Arnesse Gabriel, membro da liga feminina da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo, oposição) em Tete, interior centro do país, queixou-se da exclusão dos jovens das posições elegíveis nas listas partidárias, depois de serem usados nas campanhas eleitorais para assegurar a sua eleição.

Uma queixa que se fez ouvir na sexta-feira, num dos encontros públicos promovidos pelo IMD.

"Quando chega a vez das oportunidades dizem que somos inexperientes", acrescentou Arnesse Gabriel, dizendo que esta é uma queixa comum a todas as juventudes partidárias.

Tomás Tomussene, coordenador provincial do Parlamento Juvenil na província de Manica, sublinhou que os partidos continuam a usar a juventude como "mobília política".


"Os dirigentes de todos os partidos políticos não estão muito interessados em incluir os jovens nos lugares cimeiros" e de decisão, preferindo acomodar idosos, referiu.

Tomussene defendeu paridade de jovens nos órgãos de decisão, a nível dos partidos políticos, à semelhança da quota atribuída a mulheres.


Dos cerca de 30 milhões de habitantes de Moçambique (total extrapolado a partir do censo de 2017), estima-se que cerca de metade tenha menos de 18 anos. (NM)

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