Estado de emergência em Moçambique: Cabo Delgado entre a CONVID-19 e uma guerra fraticida



Por Estacio Valoi


Quase duas semanas após o presidente moçambicano Filipe Nyusi ter declarado o Estado de Emergência de 30 dias, com efeitos a partir de 1º de Abril, vários são os cenários que vão destapando a ineficaz estratégia no combate ao CONVID-19.

Segundo o informe do Ministério da Saúde, dos 29 casos positivos até aqui registados metade destes estão localizados em Cabo Delgado, 15 em Palma, 2 em Pemba e 14 em quarentena onde, o hospital central tem apenas um ventilador ainda por ser posto em funcionamento, também não tem capacidade de internamento dos infectados pela pandemia apelando pela assistência domiciliária a quarentena

Em comunicação a nação sobre o decretar do estado de emergência em todo o território moçambicano devido a pandemia do CONVID-19 por 30 dias, com o seu prelúdio (de 1-30 de Abril) o Presidente da República (PR), Filipe Nyusi, consciente dos dias difíceis que se avizinham com a intenção de enfrentar a pandemia, apelou pelo sacrifício de todos para que de forma severa respeitassem os limites a serem impostos, os direitos fundamentais seriam limitados e que as Forças de Defesa e Segurança (FDS) agiriam com base no princípio da proporcionalidade (garantia dos particulares em estado de emergência), ‘não usa uma bazuca para matar uma formiga’.

A praia de Wimbe de águas reluzentes da cor verde azul, de areia branca fina, de ondas macias, do vento e arvores que assobiam, cantam teu nome, assobiam em chamamento, hoje esta mais limpa do que nunca, das 300, 400 pessoas que usualmente se concentravam na praia a todos os ventos ou no gargalhar do ‘txilar,’ das discotecas ambulantes, nada se vislumbra pela marginal, muito menos a tres dimensões (3D). O Estado de Emergência a luz do COVID-19, a praia do Wimbe sob guarnição permanente polícia.

Mas outros têm que procurar o precioso líquido, agua que não sai nas suas torneiras e as dezenas, são obrigadas a fazerem-se aos poços, furos de água ou á uma “boca livre” aberta por simpatia de uma ou outra empresa. ‘Aqui em casa não sai água, amanha, como sempre vamos lá para aquela zona com baldes e bidons tirar água.”

Mas não só da água vive o homem. Também é preciso comer porque o aperto é outro. Uma das pessoas que falou a nossa reportagem foi um vendedor de bebidas no pulmão da praia de Wimbe, o Rasta como é carinhosamente chamado que na altura encontrava-se de passagem pelo seu habitual local de trabalho- venda. Ia sim segundo ele a procura de mais um pacote de farinha para alimentar as oito bocas em sua casa, mulher, filhos ‘ vou a casa do irmão pedir um quilo de farinha para mim e a minha mulher meus oito filhos. Não da para ficar em casa. Sai sozinho, os outros ficaram lá em casa. Estamos a seguir as ordens do governo.” Disse o Rasta

Outra emergência, a ‘ insurgência’

Cabo Delgado uma província a parte com duas emergências principalmente na cidade de Pemba com enfase para os bairros como Paquitequete estritamente forçado. Dali entram a Pemba centenas de refugiados que chegam de barco fugindo dos distritos assolados pela guerra que assola a provincia de Cabo Delgado. Casas abarrotadas de gente, não há espaço, falta de alimentação é difícil.”

São casas que na sua maioria não têm água corrente, e as pessoas tem que recorer a poços, furos.

Mas a outro problema referenciado pelos moradores desta urbe, são os excessos dos militares e da policia que na sua actuação a questão da proporcionalidade é posta de lado. Desde o dia do decreto do estado de emergência em Moçambique, militares, polícia começaram a encetar rusgas um pouco por todo o lado mas, em paquitequete, as FDS, sem anúncio prévio, meteram as mãos a obra, da revista de todas as viaturas que passam por paquite, espancamento de pessoas, confiscam celulares “a procura do CONVID-19, mas ninguém é rastreado.”

Fontes contam que ao cair da noite do dia 07 de Abril quando eram 21h45 quando duas senhoras que vinham de um velório faziam se transportar na viatura de marca Nissan quando em plena avenida 25 de Setembro, vulgo de frente ao quartel as senhoras foram interpeladas por um grupo de homens a civil que tentaram imobilizar a viatura. Com medo a senhora no volante não parou. Os ditos homens desataram aos tiros contra a viatura, e, o carro todo furado pelas balas, a senhora acabou embatendo contra uma árvore. ‘ Fez a retaguarda e conseguiu continuar em marcha até que os agentes a paisana que vinham em perseguição conseguiram neutralizar a Nissan próximo ao hotel Rafael.

Os homens a civil apos constatarem que na viatura apenas seguiam as duas senhoras a posterior identificaram-se como agentes do Serviço de Inteligência de Segurança do Estado (SISE) a paisana.

As senhoras perguntaram aos agentes porque é que não estavam uniformizados como os outros durante aquela hora e como é que as senhoras iriam parar perante estranhos, pessoas não identificadas! Os agentes retorquiram, “ estamos a trabalhar.” Ainda segundo fontes oculares, mais a viatura que pertence a esposa de um funcionário das finanças local foi encaminhada a 2 esquadra da polícia.

“18h00 em diante tornou-se difícil circular em Pemba. Revistam tudo, pessoas, carros. Já esse é problema mesmo do vírus. Os militares dizem que entre os refugiados de guerra pode haver insurgentes infiltrados. Não estamos a perceber,' Disseram fontes.

Assim foi com o jornalista da STV Izdine Achar esta semana detido pelos militares e mais tarde solto já na 1 esquadra na cidade de Pemba

Caso para dizer que Cabo Delgado se encontra entre a Covid19 e uma guerra fraticida

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