Enfermeiros forçados a enfrentar uma pandemia sem ter meios de lavagem das mãos


No que seria o 200º aniversário de Florence Nightingale, assinalou-se ontem, 12 de Maio, o Dia Internacional do Enfermeiro. Nightingale,frequentemente aclamada como a mãe da enfermagem moderna, travou, nos anos 1880, uma dura batalha pela higiene nos hospitais, defendendo a lavagem das mãos como primordial para proteger a vida dos doentes. No entanto, para alguns enfermeiros á nível mundial, a lavagem e higienização das mãos continuam a ser um luxo que eles simplesmente não têm. Globalmente, um em cada seis centros de saúde carece de instalações seguras de lavagem das mãos, um facto que, face à pandemia da COVID-19, é assustador. Mais notório ainda, é o facto de quase metade dos estabelecimentos de saúde dos países mais pobres não disporem de água potável no local. Isto significa que mil milhões de pessoas são obrigadas a procurar cuidados num local onde não há água potável. A lavagem das mãos com água e sabão ou cinza é uma das medidas de primeira linha de defesa contra a COVID-19 e muitas outras doenças. É uma parte essencial da resposta da Organização Mundial de Saúde (OMS) à pandemia. Sem ela, os centros de saúde, precisamente os locais que supostamente deviam-nos proteger e manter-nos bem, correm um risco elevado de se tornarem epicentros da rápida propagação de doenças infecciosas. A WaterAid, organização que opera em Moçambique desde 1995, perguntou à enfermeira Ernesta Culpa, da Localidade de Chicoma, Centro de Saúde de Matibane, Posto Administrativo de Matibane, Distrito de Mossuril, Província de Nampula, sobre a situação de acesso à água e higiene. Apesar de ter acesso à instalações de lavagem de mãos no Centro de Saúde de Matibane, Ernesta Culpa clama pela falta de produtos básicos de higiene, tais como sabão ou álcool em gel. “Os produtos são caros na Cidade de Nampula e o Centro de Saúde não tem recursos financeiros para a sua aquisição”, explica ela, lançando um apelo para “qualquer ajuda na disposição destes produtos para os profissionais e pacientes da unidade sanitária”. Além de produtos de higiene, Ernesta Culpa, de 29 anos de idade, clama pela falta de máscaras, não só para os colegas, mas também para as comunidades locais. Ernesta afirma que nunca tratou um doente de Covid-19, até porque ainda não foi registado nenhum caso na sua Província, mas também diz não esperar que isso venha acontecer porque “seria um desastre total para uma região sem meios humanos e nem equipamentos para o tratamento da Covid-19”. Entretanto, reconhece que a Covid-19 tem impacto no seu dia-a-dia laboral: “Já não posso me envolver directamente com os meus pacientes como costumava fazer; tenho de usar máscaras e tomar conta de cada momento. Além disso, estamos a notar a redução em termos de número de pessoas que chegam ao centro de saúde. As pessoas estão a ficar em casa e com medo”. Numa altura em que os líderes mundiais se reúnem na próxima semana em mais uma Assembleia Mundial de Saúde, a WaterAid apela aos governos para que garantam, urgentemente, que todos os centros de saúde e hospitais tenham água limpa, sanitários decentes e uma boa higiene, para que enfermeiros, parteiras, médicos e outros trabalhadores da linha da frente na área da saúde estejam protegidos e possam prestar cuidados seguros aos doentes. Adam Garley, Director Nacional da WaterAid Moçambique, afirmou que: “Milhares de profissionais de saúde nos países em desenvolvimento estão a enfrentar esta crise sem água limpa ou sabão para lavar as mãos. O papel vital da boa higiene para evitar que os hospitais se transformem em locais de propagação de doenças não está priorizado como devia sê-lo, como parte da resposta global à Covid-19. Isto está a pôr em risco a vida dos médicos, enfermeiros e doentes e irá, provavelmente, prolongar a duração da pandemia. Como os líderes se reúnem praticamente na Assembleia Mundial da Saúde na próxima semana, queremos ver compromissos rápidos que significarão que nenhuma enfermeira, parteira ou médico terá de trabalhar sem um sítio para lavar as mãos". Sobre a WaterAid

A WaterAid está a trabalhar para que a água limpa, os sanitários decentes e uma boa higiene sejam normais para todos, em todo o lado no espaço de uma geração. A organização internacional sem fins lucrativos trabalha em 28 países para mudar a vida das pessoas mais pobres e mais marginalizadas. Desde 1981, a WaterAid já atingiu 27 milhões de pessoas com água potável e 27 milhões de pessoas com sanitários decentes. (Moz24h)

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