Doações e contrabando financiam insurgência em Cabo Delgado


A proveniência do financiamento dos insurgentes que semeiam terror na Província de Cabo Delgado é uma das questões que preocupa a todos os interessados no assunto. Segundo um estudo do Instituto de Estudos Sociais e Económicos, IESE, recentemente publicado, os insurgentes são financiados por doações e também por várias formas de contrabando ou economia ilícita. “As doações vinham de pessoas com ligações as lideranças do grupo em Mocímboa da Praia”, pode –se ler na referida pesquisa. O mecanismo para fazer chegar as referidas doações eram as ferramentas de transferência electrónica de valores, Mpesa, Mkesh e E-mola. Aliás, esta denúncia já havia sido feita pelo Comandante-Geral da Polícia, Bernardino Rafael, que falou de haver pessoas que estão a financiar a insurgência em Cabo Delgado, transferindo dinheiro com recurso a via electrónica.

Mas a aferir pela pesquisa do IESE, intitulado “Radicalização Islâmica no Norte de Moçambique: O caso de Mocímboa de Praia”, a maior fonte de financiamento da insurgência também chamada de Jihadismo reside no contrabando ou economia ilícita. O contrabando de madeira é referida na pesquisa como uma da principais fontes de financiamento. “ O tráfico de madeira é uma das actividades ilícitas que tem alimentado o financiamento e reprodução da violência levada a cabo pelo grupo Al-Shabaab”, escrevem os autores da pesquisa. Este negócio que movimenta cerca de 125 milhões de Meticais por mês, consiste basicamente no contrabando de madeira em pranchas para a Tanzania. Parte do valor fica nas mãos das lideranças da insurgência.

O contrabando de carvão vegetal é outra das formas de obter fundos para financiar a insurgência. “ Grandes quantidades de carvão vegetal eram transportadas por embarcações artesanais tanzanianas para serem vendidas na Tanzania, em particular em Zanzibar”.

Os rubis de Montepuez que atrairam garimpeiros ilegais oriundos da Somália, Etiópia e Tanzania também constam da lista de fontes de financiamento da insurgência em Cabo Delgado.

Outra das fontes de financiamento dos insurgentes, é o tráfico de marfim. O abate de elefantes no Parque Nacional das Quirimbas com objectivo de obter marfim é uma actividade também associado ao financiamento da insurgência. A Tanzania e redes asiáticas, chineses e vietnamitas, são referenciados como o mercado para o marfim. Os caçadores furtivos também estão associados ao fornecimento de armas aos insurgentes.

Sem detalhar muito, estudo da IESE também faz referência ao tráfico de drogas como fonte de financiamento da insurgência. Contudo, serve de referência dizer que Moçambique está referenciado como um país que serve como corredor de droga. A heroína proveniente de países como Paquistão entra em Moçambique apartir de Cabo Delgado e daí segue uma trajectória para outros países.

Sobre o financiamento aos insurgentes, recentemente, o presidente moçambicano, Filipe Nyusi, falou de haver “empresários descontentes” que apartir de Maputo e Beira financiam a insurgência. Até hoje não foram relevados os nomes dos referidos empresários.( Redacção)

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