Do voo TM 8004 ao nosso cardápio de violência e intolerância


Papa Francisco chega a Madagascar. Foto: Captura Vatican You Tube

Por Luís Nhachote


Para as memórias e para os registos fotográficos os dias 4, 5 e 6 de Setembro serão lembrados por muito tempo. Pedro Apostólo Príncipe dos Apostólos (PAPA), no caso Francisco, o primeiro jesuíta entronizado pelos seus pares cardeias na capela Cistina, esteve em Moçambique 31 anos depois de João Paulo II ter posto os pés e beijado o solo moçambicano. Francisco chegou no vôo papal da Alitalia debaixo de uma chuva miúda que, para os cristãos significa bênçãos, não beijou o solo.


Nesses dias, manteve encontros com o Presidente da República, Filipe Nyusi (quem o convidou) conheceu os principais líderes dos partidos da oposição com assento parlamentar (Ossufo Momade e Daviz Simango), falou para a juventude e por aí, até desaguar no nosso elefante branco, o tal Estádio Nacional do Zimpeto.

Na sua homília, na sexta-feira, antes de embarcar no TM 8004 das Linhas Áreas de Moçambique (LAM), a nossa companhia de bandeira que exaltou o feito sobre a nódoa do banimento das suas aves metálicas no espaço aéreo europeu, Francisco disse algo retido pelo Moz24h que reproduzimos a seguir:

"Moçambique possui um território cheio de riquezas naturais e culturais, mas paradoxalmente com uma quantidade enorme da sua população abaixo do nível de pobreza. E por vezes parece que aqueles que se aproximam com o suposto desejo de ajudar, têm outros interesses. E é triste quando isto se verifica entre irmãos da mesma terra, que se deixam corromper; é muito perigoso aceitar que a corrupção seja o preço que temos de pagar pela ajuda externa". A contudência deste trecho encerra consigo um recado muito relevante à navegação desta nação.

É só dar uma vista, a título meramente ilustrativo, ao processo das chamadas “Divídas ocultas”, onde em nome da soberania e da ajuda, uma malta sobejamente conhecida hipotecou no futuro do país ao “aceitar que a corrupção seja o preço que temos de pagar pela ajuda externa”. O gás, um dos recursos de que Francisco falou na sua homilía antes de embarcar no TM 8004, era a moeda de troca até deflagrar o “pecado”.

Do celebrado vôo TM 8004 que decolou as 12.20 da base aérea de Mavalane, rezam as abundantes crónicas que o Papa mais chegado aos oprimidos e humildes, terá comido com inusitado prazer o nosso “peixe vermelhão grelhado com arroz de coco”.

Com a chuva que o trouxe e o levou, nas nossas contas da intolerância, desleixo e negligência as somas do Boletim produzido pelo Centro de Integridade Pública (CIP) indicam que “Doze pessoas morreram na primeira semana de campanha eleitoral, sendo 10 vítimas de acidentes de viação e 2 vítimas de violência com motivações políticas. No igual período, 18 pessoas contraíram ferimentos graves e 11 ferimentos ligeiros. No total foram confirmadas detenções de 33 pessoas devido à vandalização de material de propaganda eleitoral e por envolvimento em actos de violência. Este é o balanço desde o início da campanha a 31 de Agosto até 6 de Setembro.”

Há dias e disso demos conta, que o líder da Renamo, Ossufo Momade, em caso de vitória ao pleito de 15 de outubro prometia que “com Ossufo Momad no poder ninguém irá pagar dívida oculta e vamos responsabilizar todos os envolvidos nessas dívidas inclusive o Senhor Filipe Nyusi, vamos prender todos esses”. Quando apresentado ao Papa, por Nyusi, o líder da Perdiz exibia um esplenderoso sorriso que não exalava a irmadade. As cenas de violência, de acordo com a amostra, estão apenas no início. Depois das eleições, sem nenhum Papa por perto, no cardápio nacional iremos ouvir o velho e conhecido refrão: FRAUDE.

Por matas adentro se encontra o general Mariano Nhongo que precisa de ser materialemte consolado. Ele e seus fiéis que se sentem excluidos da engenharia do chamado “Acordo de Paz Definitiva”. Sangue inocente já começou a jorrar.

E o voo TM 8004 já aterrou e voltou de Antananarivo. Pode ser que da Praça de São Pedro nas suas homilias o Papa Francisco, depois das quase certas cartas pastorais pós eleitorais, nos ensine de novo sobre a Esperança, Paz e Reconciliação...


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