Dia eleitoral de ilícitos obstrução da observação e Polícia de dedo no gatilho


O dia de eleições de eleições gerais ficou marcado por uma mistura de normalidade e anormalidade, num coquetel que juntou ordem e participação, sinais de abstenção, disparos e gás lacrimogénio da Polícia e obstrução aos observadores, entre outros factores. O mais grave incidente registado este 15 de Outubro eleitoral foi a morte de uma pessoa no distrito de Nacala-Porto, espancada e baleada por agentes da PRM, durante a contagem de votos. Segundo o Centro de Integridade Pública (CIP), o caso deu-se na Escola Secundária São Vicente de Paulo, bairro de Ontupaia, onde ouviram-se pouco antes das 20 horas disparos de armas de fogo efectuados pela Polícia e a população a acender pneus. Na mesma ocorrência, quatro pessoas foram baleadas nos membros inferiores quando a Polícia tentava dispersar as pessoas aglomeradas. Os tumultos da noite eleitoral (a etapa da contagem dos votos) verificaram-se sobretudo em Nampula e na Zambézia, devido à concentração de pessoas nas proximidades de postos de votação para “controlar o voto”. Em Angoche, a PRM disparou granadas de gás lacrimogéneo para dispersar dezenas de eleitores, apoiantes da Renamo, que permaneceram nos postos de votação para “controlar” os seus votos na EPC de Namaripe. A confusão começou quando simpatizantes do partido suspeitaram que os presidentes de mesas das assembleias de votos estavam munidos de boletins de votos preenchidos a favor da Frelimo. A Polícia não permitiu a revista dos presidentes, o que gerou confusão no local. A população nas proximidades do posto de votação aproximou-se do local. Face à eminente confusão, a Polícia disparou sete tiros para o ar e granadas de a gás lacrimogéneo para dispersar a multidão. No local, três salas de aulas foram incendiadas aparentemente por acção da Polícia. Não houve, todavia, desaparecimento de urnas, segundo o CIP. No distrito de Morrumbala, três agentes da Unidade de Intervenção Rápida (UIR) da PRM, quatro agentes da Polícia de Proteção e seis militares, todos fortemente armados, impediram a população de aproximar-se da EPC de Sabe, no início da contagem de votos. Em Sabe existe uma base da Renamo. No distrito de Derre, Zambézia, O presidente de uma mesa de voto invalidou votos do candidato da Renamo, colocando tinta indelével com o dedo polegar em cada boletim com voto válido para o partido. O caso registou-se na Escola Primária de Guerissa, segundo o CIP. Também em Inhassunge todos os votos nulos registados eram a favor de Ossufo Momade e aparecem com mancha de tinha, o que os inutiliza. Os correspondentes do CIP reportam que o presidente da mesa levava tinta no bolso e inutilizava os boletins de votos durante a contagem. As anomalias reportadas no dia de ontem contrastam com a ordem e normalidade registada noutros, em que os eleitores puderam exercer o seu direito de votar sem problemas de realce. Entretanto, as projecções indicam que dos mais de 12 milhões de eleitores inscritos apenas pouco mais de metade fez-se às urnas.

Disparidades de votos nas urnas


Em Derre, uma mesa do posto de votação de Gueriça, foram encotrados boletins de votos diferentes para cada uma das três eleições, pressupondo que haja pessoas que entraram na mesa, cotaram no Presidente da República mas não votaram nas Legislativas e nas Assembleias Provinciais. A situação gerou confusão entre os delegados de candidatura. Na mesa foram inscritos 482 eleitores, porém, verificou-se que na urna das presidenciais (PR) foram encontrados 129 bolentis, na das Legislativas(AR) foram encontrados 112 boletins e na das Assembleias Provinciais (AP) 124 boletins.

Observadores obstruídos

Entretanto, a par dos ilícitos e dos confrontos a observação eleitoral independente tem sido obstruída. Em Mocubela, na Zambézia, na EPC da Fábrica, um observador do CIP foi ameaçado pela Polícia e obrigando a abandonar o recinto de votação para não participar na contagem dos votos. No distrito de Guro, Manica, observadores independentes foram expulsos do interior das mesas de voto pelo presidente da mesa. O caso deu-se na EPC V Congresso.

Mesas "especiais" para eleitores fantasmas?

O início da contagem dos votos das eleições de ontem revelou que muitas assembleias de voto sem eleitores nas áreas urbanas de Gaza, incluindo Xai-Xai e Bilene. Estas são as áreas com 300 mil eleitores extras - onde o número de eleitores ultrapassa o da população eleitoral (Votar Moçambique)

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