Detido burlador chinês na Beira

Por: Anselmo Sengo

Foi detido na tarde da última segunda-feira, na cidade da Beira, um cidadão de nacionalidade chinesa, de nome Demin Qian indiciado da prática dos crimes de burla por defraudação e branqueamento de capitais. O cidadão em causa, representante da empresa Sino-moz Cimento Internacional, Lda, foi detido por ordem do Tribunal Judicial da Província de Sofala, cuja prisão já foi legalizada.

São ainda escassas as informações acerca do caso, mas de fontes próximas do processo soubemos que está em causa uma disputa pelo controlo de uma empresa de nome Biworld International, Limitada, titular de uma licença de exploração mineira em Estaquinha, Búzi.

Sabe-se que as empresas Vandshew Materials Co., Ltd e Global T Materials Co., Ltd adquiriram a totalidade das quotas da empresa e que até à presente data não pagaram pela transmissão das participações aos antigos sócios e mesmo assim tentaram, junto do Instituto Nacional de Minas a mudança do mandatário na licença de exploração.

Alega-se que não tendo logrado a mudança de mandatário da licença em nome da Biworld, as duas empresas criaram a Sino-moz Cimento Internacional, Lda, usando todo o suporte técnico e documental da Biworld, incluindo a licença mineira em nome desta, tendo submetido à Direcção Provincial de Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural propostas de actividade, em nome da Sino-moz Cimento Internacional, Lda, para explorar a concessão da Biworld no Distrito de Chibabava, violando a legislação mineira.

Há indicações de que a Sino-moz Cimento Internacional, Lda forjou dados do relatório de pesquisa feito numa concessão em seu nome, sem capacidade de produzir calcário com qualidade necessária para a produção de cimento, aventando-se a possibilidade de causar prejuízos ao Estado moçambicano. Na verdade, a área atribuída à Sino-moz Cimento Internacional, Lda não possui calcário de qualidade capaz de suportar a produção de cimento, razão pela qual pretende usar a área concessionada à Biworld para esse efeito.

Logo após a detenção do empresário chinês registou-se um movimento desusado junto da sua residência e um número invulgar de chamadas telefónicas, sendo que alguns dos seus parceiros garantiam que o grupo tem protecção de altos dirigentes na província se Sofala, que tudo faziam para garantir a libertação do ora detido.

A nossa reportagem apurou que a detenção está a gerar uma onda de preocupação na cidade da Beira, pois na próxima visita presidencial à Sofala as autoridades da província terem previsto o lançamento da primeira pedra de uma fábrica de cimento em Chibabava, mesmo se sabendo que a empresa SINO-MOZ não possui área concessionada com capacidade de exploração de calcário. Este episódio ocorre num momento em que uma das bandeiras da governação do Presidente Filipe Nyusi é o combate à corrupção, aventando-se a hipótese de o alinhamento do lançamento da primeira pedra na agenda da visita o, ter sido feita com critérios pouco claros, o que pode embaraçar o Chefe de Estado.

Recentemente foi reportado que no distrito de Matutuíne, província de Maputo, uma fábrica de produção de cimento, num investimento do governo chinês, avaliado em 70 milhões de dólares, foi construída, actualmente em estando de abandono e crescente degradação, depois de se concluir que o calcário existente na zona era de qualidade inferior ao usado para produção de cimento, pelo que alguns promotores do empreendimento estão à contas com a justiça daquele país asiático.


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