Depois de Mocímboa da Praia, vila de Quissanga também caiu nas mãos de terroristas


Na segunda-feira, enquanto decorria a ocupação da vila de Mocímboa da Praia, a Polícia em Maputo chamou a imprensa para dar o ponto de situação: “as nossas forças estão a lutar contra os malfeitores que invadiram a vila”. Primeiro foi o porta-voz do Comando Geral da PRM, Orlando Mudumane, e mais tarde o Comandante Geral da Polícia, Bernardino Rafael. Já na terça-feira, o porta-voz do Governo, Filimão Suaze, informou que os ministros da Defesa Nacional, Jaime Neto, e o do Interior, Amade Miquidade, já estavam em Cabo Delgado para “avaliar a situação no terreno”. Enquanto os dois governantes contabilizavam os prejuízos e as baixas, os terroristas entravam na vila sede do distrito de Quissanga, a 120 quilómetros de Pemba. Usando a mesma tática de Mocímboa da Praia, tomaram o Comando Distrital da PRM de Quissanga, vandalizaram várias instituições públicas e privadas. E como não poderia deixar de ser, levaram consigo todo o armamento que estava armazenado no comando da Polícia. Para exibir o seu poderio militar, os terroristas – a maioria vestido de uniforme militar e com as caras vendadas – posaram para a posteridade nos principais símbolos de poder: Comando da PRM, residência oficial do Administrador e sede do Governo distrital. Alguns residentes locais fugiram para a Ilha do Ibo e outros para Pemba, mas quem permaneceu na vila conta que não houve assassinato de civis. “Eles entraram à madrugada e só saíram por volta das 14h00. Estavam a circular normalmente e não houve nenhuma tentativa de recuperar a vila por parte dos militares. Todos fugiram, mas fala-se de dois mortos”, contou Jordão Amide, professor de ensino primário. Sobre este ataque, a Polícia e o Governo ainda não se pronunciaram. Os assaltos contra duas vilas acontecem 10 dias depois de o Presidente da República ter visitado o Quartel Militar de Mueda, onde são coordenadas as operações das FDS. Há uma semana, o Comandante Geral da Polícia esteve na vila de Mocímboa da Praia por algumas horas e dirigiu a cerimónia onde foram apresentados publicamente os suspeitos de colaborar com os terroristas, fornecendo serviços de logística. Por isso, o grupo radical invadiu as celas do Comando de Mocímboa da Praia e libertou os colegas que estavam detidos. Enquanto isso, o Presidente da República continua no silêncio perante a tomada de duas vilas distritais. Um silêncio que denuncia, no fundo, a falta de visão para encarar o problema. O Governo continua a descrever os ataques terroristas em Cabo Delgado como “acção de malfeitores”, um eufemismo que visa esconder o terror que afecta perto de 100 mil pessoas. Desde que os ataques terroristas começaram em Outubro de 2017, o Governo de Filipe Nyusi nunca partilhou informações relevantes com a sociedade e pouco faz para garantir a defesa da soberania e para salvar a vida da população. As FDS operam em meio a todo tipo de dificuldades: não há condições materiais, logísticas e muito menos morais para travar uma guerra contra terroristas. Há relatos de deserções nas fileiras das FDS destacadas para Cabo Delgado. O secretismo do Governo visa sobretudo esconder essas fragilidades que resultam da falta de estratégia para lidar com um problema que constitui uma séria ameaça à soberania e à segurança do país. E os terroristas já se aperceberam que estão a actuar num Estado indefeso e praticamente sem liderança política. Os próximos assaltos contra vilas ou mesmo cidades de Cabo Delgado serão anunciados sem grandes surpresas. Desde a assinatura do Acordo Geral de Paz em 1992, Moçambique nunca esteve à deriva como está agora, sem liderança e sem soluções à vista. (Centro para Democracia e Desevolvimento)

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