DDR sem junta militar não vai prestar



O Instituto para Democracia Multipartidária (IMD) defende que o Governo, a Renamo e a Comunidade Internacional devem começar a desenvolver uma aproximação com a propalada Junta Militar do general Mariano Nhongo para integração deste grupo descontente no processo de DDR, ora em curso.

Em entrevista exclusiva ao Zambeze, Dércio Alfazema, coordenador de programas do IMD, explicou que a Junta Militar da Renamo efectivamente é uma das preocupações a tomar em consideração para a eficácia da implementação do DDR.

Para Alfazema, a Junta Militar é composta por pessoas que deviam estar no DDR mas não estão e estão a criar a sua revindicação. “É importante e necessário que quer seja a própria Renamo, o Governo, assim como também a Comunidade Internacional comecem a avançar com um plano de aproximação de modo a compreender o que se passa com esse grupo, de modo a integra-lo neste processo”.

Paralelamente, de acordo com o nosso entrevistado, neste processo de, é preciso cautela e inclusão destes guerrilheiros da Renamo em projectos específicos de desenvolvimento que acontecem a nível local, ou seja, não pode haver exclusão para os guerrilheiros da Renamo.

“Saudamos a retoma do processo de DDR, saudamos também o esforço pessoal da liderança do Presidente da República e do líder da Renamo que se têm estado a empenhar neste processo de busca de solução para a paz”, disse Alfazema.

É importante também, constatou, o envolvimento das lideranças comunitárias para receber os guerrilheiros desmobilizados e integra-los na comunidade, ou seja, é importante que essas lideranças sensibilizem as comunidades para uma reconciliação com os guerrilheiros da Renamo.

“Há um trabalho de casa muito grande que tem que ser feito na comunidade, sobretudo naquelas comunidades onde haverá maior concentração de ex-guerrilheiros que estarão a retornar”, acrescenta Dércio Alfazema.


Chega de secretismo e “panos quentes” sobre os conflitos eleitorais


Por outro lado, o IMD defende o fim do secretismo entre o Governo e a Renamo no dossier da Paz nacional, daí que advoga o envolvimento da Sociedade Civil moçambicana para a monitoria do processo de modo que amanhã “não venha a se dizer que se fez o que não se fez ou que não se fez o que foi feito, portanto, não haja um debate apenas dos dois lados”.

“Infelizmente, este processo sempre decorreu dentro de um secretismo, por isso mesmo que estamos a propor a criação de um mecanismo formal de partilha de informação em que participam as duas partes e que sistematicamente vão informando a comunidade e a sociedade moçambicana sobre como está a decorrer no processo, quais são os constrangimentos e as limitações”, defende Alfazema.

Aliás, para o nosso entrevistado, é necessário que também se tomem em conta as questões eleitorais, porque “na verdade, tem sido a causa dos últimos conflitos que temos tido no país. Não adianta termos um bom DDR e depois termos processos a serem geridos de forma não transparente e que depois poderão criar alguma insatisfação e levar mais uma vez pessoas a recorrerem a mecanismo que não trazem tranquilidade aos moçambicanos.


Será que dessa vez é de vez?


Conforme se diz na opinião pública, este é o quarto Acordo de Paz entre a Renamo e o Governo, sem que o calar das armas se efective, sobretudo na zona centro do país, entretanto, para Dércio Alfazema, por aquilo que tem sido a forma como as duas lideranças têm tratado o processo de DDR, “me parece ser um acordo definitivo, mas como estamos a dizer, não basta o acordo, não basta o DDR, é preciso que se crie condições, algumas até estruturais para o desenvolvimento do país, de modo, por exemplo, a que os jovens não se sintam aliciados a serem mobilizados a determinados actos, incluindo serem alistados para grupos que querem criar algum tipo de desestabilização, isso vale para a situação de Cabo Delgado, ou seja, é um conjunto completo que não se limita ao DDR”. (Zambeze)


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