Das doenças do país, nação, pátria!


Por Luís Nhachote


A espiral paixão pela publicação e consequente viralização de videos por parte de jovens que servem o país, no seio das forças de defesa e segurança, e na polícia, os nossos mais altos representantes na defesa da nossa soberania e detentores do uso da violência legítima, começa a levantar alguns coros de protesto na sociedade contemporrânea, sobretudo por via das redes sociais.

Depois da mulher indefesa crivada por 36 balázios a sangue frio por militares das forças armadas em Cabo Delgado, agora foi à vez de uns policiais que viralizaram o “atentado ao pudor” de um casal que decidiu fazer as coisas que os adultéros fazem nos “escondidinhos” do nosso cosmos.

As expressões desses coros de protesto que se manifestam nos círculos urbanos, onde os cidadãos tem acesso previlegiado às últimas tecnologias, tais como as redes sociais do “whatsaap” e “facebook” soa a alguma hipocrisia para a dimensão real dos problemas de que este país enferma.

Afonso Macacho Marceta Dhlakama, o finado senhor absoluto da Renamo que reivindicava a paternidade da democracia a La Moz, disse a todos nós, várias vezes e a plenos pulmões, que “o país está doente”.

Entre várias tiradas do general de quatro estrelas que morreu por conta da sentença da natureza, a de que “o país está doente” foi a mais acertada de todas.

Essa frase devia ser fixada nas vitrines das instituições públicas e privadas, universidades, escolas, hospitais, na rede dos transportes e nas confissões religiosos, para como bussóla, encontrarmos o leme para resolver os problemas de que o país enferma em larga e apocalíptica escala.

Cabo Delgado não nos deixa desmentir.

São essas doenças, que poderemos elencar algumas, que precisam ser debatidas sem tabús, e com a devida insistência cidadã e patriota, para que não nos cinjamos a uns “pecadores” que estavam a dar umas quecas num dubaizinho como aqueles que importamos do Japão ou compramos nos populosos parques de viaturas que abundam pela cidade capital.

Uma das grandes, senão mesmo a maior enfermidade do nosso debate, é a intolerância política.

Quando se pensa diferente da demanda do status quo estabelecido, os rótulos depreciativos são resgatados e ventilados por falsos gatekeepers do partido que dirige o Estado e que circulam nesses “whatsaap” e “facebook”.

Uma dívida colossal contraída no maior dos segredos, por gente conhecida incluindo os seus domicílios, em nosso nome colectivo e sem a nossa anuência, tem resquícios pandémicos nos quintais da pobreza dos nossos Paquiteteque, Munhava e Xipamanines da nossa condição, e isto sim, devia ser assunto diário em todos os canais de comunicação social.

Por conta desse golpe, os moçambicanos estão numa situação de asfixia nutricional e mental.

A amostra que colocaram na cadeia desse gang, presumo que esteja em condições “condignas” do seu estatuto social: com direito a televisão e intimidades familiares.

A outra amostra do povo se pode ver pelo país adentro: há cada vez mais amostras de pobreza que pode ser vista nos barcos que desembarcam diariamente no Paquitiquete, com milhares de deslocados a fugirem da guerra.

Esta doença agravou com os desvios do propósito que levou uma gang a pensar que o nosso país era uma coutada privada sob sua jurisdição.

Nem atum na mesa da maioria dos moçambicanos, e nem defesa da costa à altura do que lhes fez correr para irem buscar a mola, se pode encontrar.

A mim particularmente não me incomoda se fulano de Y dá a bunda ao gigôlo W. Cada um cuida e dá a quem quiser a sua bunda, mas o país, esse, precisa ser debatido com franqueza, sem uns a alvorarem que são mais moçambicanos que os outros. Não me incomodam as quecas nos carros. Incomoda-me o silêncio do “New Man” em relação a tudo isto. (Moz24h)

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