Dívidas ocultas e muitos gatos com rabos de fora


Por Sérgio Cossa


Da americana cidade que nunca dorme, vão chegando notícias que não deixam de ser perturbadoras pelos lados da Pérola do Índico.Um Tribunal de Nova Iorque vai adiantado num julgamento do que por cá se se convencioniu chamar de «dívidas ocultas». E, de lá vão chegando notícias verdadeiramente perturbadoras. Por exemplo, das informações que chegam da terra do « Tio Sam», pode-se concluir que há beneficiários das «dívidas ocultas» que simplesmente a mão da Procuradoria- Geral da República não lhes visitou. Exemplo flagrante, o da antiga vice-ministra da Economia e Finanças, Maria Cesaltina Lucas, que relatos vindos de Nova Iorque indicam ter recebido da Prinvinvest qualquer coisa como 2 mil milhões de dólares em subornos. Há quem fale mesmo de 3 milhões de dólares. Mas ela segue a sua vida em liberdade. Há quem tenha recebido muitos menos e, até por via indirecta, mas está privado de liberdade. Mas claro que há,muito mais personalidades que se beneficiaram dos subornos da Prinvivest que andam ai livres e a apregoar “ o combate a corrupção”, como diria o bom do Juíz Augusto Paulino. A linguagem codificada na folha de subornos da Privinvest não torna quem recebeu o dinheiro inocente. Como há também empresas de fama na praça que foram parte do processo de recepção de subornos. Mas muitas delas, simplemente não foram tocadas pela investigação da Procuradoria- Geral da República. Em requerimento ao Tribunal Supremo de Gauteng, a Procuradora- Geral da República, Beatriz Buchili, para fundamentar a necessidade de Manuel Chang ser extraditado para Moçambique, escreveu entre outras coisas que os americanos tinham-se apoiado no Relatório da Kroll para construir a sua acusação. Até pode ser que sim. Mas os gringos correram e impuseram o ritmo a PRG moçambicana que viu-se obrigada a correr atrás do prejuízo.

E nessa corrida pode-se ser que tenha sido apanhada no conflito entre alas no Partido Frelimo. Só isso pode explicar que alguns nomes simplesmente não tenham sido acusados pela seu papel nas «dividas ocultas». Aliás, o próprio Partido Frelimo comeu do pote das «dívidas ocultas». Mas os gatos estão com o rabo de fora. Há muito o risco de o julgamento das «dívidas ocultas» em Maputo ser verdadeiramente injusto. Pela quantidade de ausentes no banco dos réus.

Mas há outros gatos com rabos de fora: as tropas russas que combatem os insurgentes em Cabo Delgado. Que tal como já escrevemos neste espaço, são uma força privada do Grupo Wagner. Um grupo com ligações ao Kremlin. Melhor dizendo, são uma força mercenária. A sua presença em Moçambique nunca foi reconhecida nem pelo governo de Maputo e, muito menos pelo de Moscovo. Mas a morte de elementos desta força, em combate na província de Cabo Delgado, destapou o véu sobre a sua presença em território moçambicano. A imprensa internacional fez manchete com a morte de mercenários russos em Moçambique. Se já não se pode esconder o gato porque rabo ficou de fora, pelo menos já é altura do governo moçambicano vir dizer que tipo de acordo o vincula a uma força mercenária. Não venha a habitual conversa de questões de soberania. Em nome da soberania acabamos endividados. Ocultamente.

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