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Cultura e turismo em Cabo Delgado conversa com Iolanda Almeida

Atualizado: Mar 3


Um dedo de conversa com Iolanda Almeida, Directora Provincial da Cultura e Turismo de Cabo Delgado


Por: Estacio Valoi

“ Cabo Delgado, situa-se no extremo norte do País e é um verdadeiro paraíso de lazer. Nesta região, o visitante pode desfrutar de praias fantásticas e aproveitar para praticar uma série de actividades como o mergulho, a pesca desportiva, o snorkeling e o kite-surf. A cultura está em peso nesta Província, desde a famosa arte makonde, a dança mapiko, o tufo, a gastronomia, a cerâmica ou a olaria, até a pintura e a xilogravura. Cabo Delgado é o destino ideal para os amantes da natureza e para todos os visitantes que desejam tirar uns dias para relaxar. As belas ilhas no Arquipélago das Quirimbas, com águas azuis turquesa, quentes e transparentes, do Oceano Índico, a areia branca, fazem deste local um verdadeiro sonho e destino paradisíaco.”


Contudo, a questão do acesso quer em termos terrestres e aéreos, ou seja, a predominância de distancias longas e em condições precárias por percorrer, com passagens aéreas a um custo exorbitante, desencorajam qualquer turista ou visitante a se deslocar para a esta bela Província. Por outro lado, dada a enorme transversalidade do Turismo, a situação do saneamento do meio e dos malfeitores, constituem entraves ao desenvolvimento do sector da Cultura e Turismo.


Relativamente a taxa de 7 euros que brevemente será aplicada por turista, esta deixa muito a desejar numa Província em que o turismo tradicional praticamente já não se faz sentir associado à ultima aposta do Governo na vertente do Turismo de negócio, que no seu auge fez-se sentir durante a fase de prospecção do gás. São vários os edifícios erguidos durante a época da prospecção, a corrida para o ‘el dourado” hoje, ainda incerta.


EV- Qual é o estágio actual do Turismo em Cabo Delgado?

IA- Para a Província de Cabo Delgado definimos o “ícone turístico” que é o Arquipélago das Quirimbas. Esta definição foi feita ao nível nacional, para todas as províncias, pelo Ministério da Cultura e Turismo (MICULTUR), durante a Feira Internacional do Turismo (FIKANI), em 2017. O Arquipélago das Quirimbas, faz parte da 1ª Reserva Mundial de Biosfera do nosso País, onde a parte marinha das suas ilhas, é detentora de belíssimas praias, que sendo parte desta Biosfera das Quirimbas, por si só já constituem um enorme marketinge atractivo internacional, uma vez que igualmente o Destino Quirimbas foi definido pelo MICULTUR, como um dos 5 prioritários para o desenvolvimento do turismo em Moçambique. Por outro lado, a Baía de Pemba, a Terceira Maior Baía do Mundo e uma das Mais Belas Baías (das 46 que compõem este Clube), complementam esta nossa grande riqueza natural, turística e cultural.


Relativamente a Cultura, que complementa a promoção turística, nós temos um vasto e rico património cultural, desde a gastronomia, o artesanato, a poesia, a dança, a música, por aí fora. Temos tudo de bom e de belo para podermos divulgar a todos os níveis. Podemos dizer que estamos, relativamente bem em termos de destino turístico, promoção e divulgação. E o MICULTUR já fez, ao longo dos anos um grande trabalho de marketingda nossa diversidade cultural para a promoção turística.


E, nós como Direcção Provincial da Cultura e Turismo (DPCULTUR), no concernente ao grau de cumprimento do nosso Plano (PES 2019), conseguimos realizar 34 das 35 actividades, excepto a actividade de classificação e reclassificação de estabelecimentos turísticos, a ser realizada pelo INATUR (Instituto Nacional do Turismo), que não foi efectivada, devido a não libertação orçamental, tendo assim a DPCULTUR alcançado uma execução de 97% referente ao Plano.

Em relação ao fluxo de hóspedes, tivemos um crescimento de 11% em relação ao ano transacto de 2018, com um total de 108.190 hóspedes em 2019 com maior destaque para os hospedes e/ou turistas nacionais e, uma grande superação durante a quadra festiva, com uma realização de acima de 100%, uma vez que a previsão era de cerca de 3.900, entretanto obtivemos cerca de 5.100 hóspedes durante este período.

No concernente a nossa capacidade de alojamento, a Província dispõe de 2.346 quartos, com 3.376 camas e, na Quadra Festiva finda, a taxa de ocupação e de reservas foi de cerca de 72%, com foi maior destaque para os estabelecimentos de 3 a 5 estrelas.


EV-Este crescimento de 11% registou-se apenas durante o fim de ano?

IA- No Fim do ano, tivemos uma superação de mais de 100% como havia dito mas, ao nível de todo o ano tivemos um crescimento de 11% de fluxo de hospedes que escalaram a nossa Província. Nesta senda podemos afirmar que estivemos bastante bem, tendo em conta todas as dificuldades que Cabo Delgado enfrentou e enfrenta: o Ciclone Kenneth aliado a chuvas e ventos fortes e, a situação de (in) segurança que é bastante delicada.


EV-Mesmo com o ciclone, o conflito armado, conseguiram alcançar a meta? Observa-se que na última realização do Festival Wimbe, não se garantiu casas de banho, bloqueia-se a estrada na sua totalidade e, ainda, as mínimas condições ainda não são observadas, como é o caso do saneamento – balneários. O que tem a dizer sobre estes aspectos?

IA-O Festival Wimbe é um festival anual que fazemos sempre na última semana de Novembro ou na primeira semana de Dezembro. É um evento do Governo Provincial, realizado pela DPCULTUR, com a coordenação geral da Comissão Provincial de Grandes Eventos, onde as várias subcomissões dão conta daquilo que são suas atribuições, dentre as quais esta questão da sanidade e higiene do meio. Por outro lado, o Concelho Municipal de Pemba e o Governo do Distrito de Pemba, também fazem parte do órgão de colaboração, coordenação e envolvimento para a Realização do Festival Wimbe, onde cada membro, órgão ou entidade envolvida, de acordo com as suas atribuições, procura sempre disponibilizar todas as condições para o sucesso do Festival. Entretanto, é verdade que neste processo temos tido alguns desafios e, a cada Edição, procuramos sempre melhorar a cada ano que passa.


EV-Turismo tradicional com fluxo baixo, também associado ao elevado custo do transporte. Que soluções?

IA-Definitivamente temos a enorme barreira para o desenvolvimento do Turismo, que é o acesso. Dos Cinco C´s (5C), que são elementos fundamentais para o desenvolvimento do turismo, nomeadamente: Caminho (todas as formas de acesso), Cama (o alojamento), Comida(a rica gastronomia), Carinho (amabilidade e acolhimento das pessoas) e Compras(satisfação pessoal); o acesso, ou seja, “o caminho” é o principal entrave para o desenvolvimento do turismo na nossa Província e, mais recentemente, aliado à questão da (in) segurança. Aqui estamos a falar de todas as formas de acesso: terrestre, aéreo, marítimo. Ora vejamos: as passagens para Pemba são extremamente elevadas e é difícil assim promovermos o nosso destino e a nossa rica diversidade cultural, uma vez que para vir a Pemba partindo de Maputo por exemplo, é muito mais caro do que ir de Maputo a Lisboa. O acesso ainda é um enorme desafio e é complicado percorrermos várias distâncias para chegarmos ao Destino Quirimbas, quando as infraestruturas e a rede viária ainda não estão em condições para o efeito. Estamos a falar de uma maioria (80%) de estradas que ainda é de terra planada. São condições difíceis.


EV-Percebi também que como forma de colecta de impostos o município começar a cobrar uma taxa de 7 euros por turista, mesmo com as dificuldades já expostas e como será feita a tal colecta, até que ponto é que esta, vai ser um contributo, se não um prejuízo para o desenvolvimento do turismo?

IA- Nós como Direcção Provincial, não fomos consultados sobre a aprovação desta “taxa municipal de turista” e, pessoalmente tive conhecimento através do Jornal Notícias do dia 21 de Dezembro passado. Fizemos uma nota para o Concelho Municipal da Cidade de Pemba para percebermos até que ponto é que esta “taxa de turista” seria implementada. Segundo o Município de Pemba, esta Taxa vai ser implementada a partir de Abril deste ano de 2020, onde o turista será cobrado ao check-out, em dinheiro, para que como se disse, “não possa haver transações bancárias com o risco de perder algum”.


Ora, primeiro não houve explicação, concertação antes da aprovação. Na explanação do Município de Pemba, serão reservados os meses de Janeiro a Março, para discussões, o que torna uma situação atípica. Porque, segundo o nosso entender, primeiro se faz a auscultação, depois a discussão com todos os intervenientes/parceiros da Cidade. Podemos dizer que somos colegas e na minha opinião o Município devia ter nos consultado para que pudéssemos encontrar uma solução mais plausível e acessível para todos.


Por outro lado, pela fundamentação do Município, a taxa será cobrada ao turista, nos estabelecimentos de 4 e 5 estrelas (300,00 Mt/turista ou hóspede), 2 e 3 estrelas (150,00 Mt/turista ou hóspede) e restantes categorias a um valor monetário de 50,00 Mt por turista ou hóspede. Entretanto, pelo Código Tributário Autárquico (Decreto nº 63/2008, de 30 de Dezembro), cabe às autarquias locais, a cobrança da “taxa por actividade económica, incluindo o exercício da actividade turística” e, não menciona nenhuma taxa ao turista. Ou seja, a actividade económica (comercial). Um outro aspecto que não foi levado em conta é a legislação turística: estamos a falar da Lei do Turismo(Lei nº 4/2004, de 17 de Junho) e do Regulamento de Empreendimentos Turísticos, Restauração e Bebidas e Salas de Dança (Decreto nº 49/2016, de 1 de Novembro), que apresentam tanto a definição de “actividade turística” como de “turista”.


Só para elucidar a Lei nº 4/2004, de 17 de Junho, define a actividade turística como: a actividade comercial que concorre para o fornecimento e prestação de alojamento, de restauração e/ou satisfação das necessidades das pessoas que viajam ao seu lazer ou motivos profissionais, ou que têm por finalidade um motivo de caracter turístico. E, por sua vez, o turista é definido como uma pessoa que passa pelo menos uma noite num local que não seja residência habitual e a sua deslocação não seja para fins de emprego ou actividade remunerada no local visitado (onde está).


Então como é que o Concelho Municipal vai definir aquele que é turista? Neste caso, os hóspedes dos estabelecimentos turísticos teriam que declarar no fim da visita à cidade de Pemba, se são ou não turistas! Fica muito complicado!


EV-Não se sabe como estas cobranças serão feitas. Uma “salada” numa cidade de Pemba, primeiro com problemas de água e saneamento, depois a questão viária. Há espaço para que esta taxa seja implementada?

IA-Bom o Concelho Municipal tem a sua autonomia para tomar as suas decisões, aplicar as taxas que achar necessário, mas olhando de fundo para a nossa Província de Cabo Delgado, com algumas dificuldades e os desafios que nós temos na cidade de Pemba, humildemente eu acho que seria um desincentivo para o próprio turista. Já temos estas dificuldades de acesso, as passagens caríssimas, seria algo invasivo se o turista fosse abordado ao check-outpara obrigatoriamente pagar algo em dinheiro.

Este teria de trocar o valor que tem, se não tivesse meticais em sua posse, porque já não pode pagar com cartão a saída e depois se não lhe for informado com antecedência ele sai e pode não querer voltar mais para nossa bela Cidade e, partir com uma impressão bastante negativa. E, algo que é dado em dinheiro, sem recibo ou outro comprovativo do destino, não é bem encarado, na minha opinião.


EV-Que entendimento tentou chegar com as Linhas Aéreas de Moçambique no sentido da redução desses montantes assustadores para que as pessoas possam viajar?

IA- Nós por acaso tivemos uma conferência conjunta, a Conferência Internacional de Transportes Aéreos, Turismo e Carga Aérea (CITA) onde ao mais alto nível destas instituições de transporte aéreo, turismo, por ai fora, abordamos estas questões e, infelizmente até no momento não conseguimos ver essa redução de preços.


Contudo, temos uma boa relação com as Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), temos também uma boa relação com a Etiópian Airlines e, quando temos alguns eventos, exemplo a Feira Internacional do Turismo (FIKANI), o Festival Wimbe, onde temos de viajar em delegação, com mais de 5 pessoas ou temos de trazer artistas para os nossos eventos, antecipamos a LAM e a Etiópian Airlines, para que nos possam fazer preços promocionais e alcançarmos os nossos objectivos. Mas isto por si só não basta.


Porque para um turista que quer vir visitar Pemba, a ilha do Ibo que é património nacional, ou as outras ilhas do nosso ícone turístico, o Arquipélago das Quirimbas, faz as contas e fica com dificuldades, optando pelo vizinho de Maputo, o nosso belo Arquipélago de Bazaruto em Inhambane, porque pode ir de carro, enquanto que para Pemba, ou Ibo, só se tiver as poupanças em dia. Lembro-me da altura da companhia Air Corridor, que a passagem Nampula -Pemba era mais barata do que do autocarro Mecula. Então, penso que quanto mais operadoras aéreas entrarem no mercado, mais preços acessíveis teremos.


EV-Percebo que em Pemba há uma quase que ausência total de eventos culturais. A que se deve, falta de financiamento/ lugares onde essas actividades possam ser realizadas?

IA-Bem, essa área da cultura, a área social é um pouco delicada. A do turismo é uma área económica com os indicadores muito bem estruturados. A área da cultura precisa de muito apoio de uma mão mesmo que eleve as indústrias culturais e criativas a outros níveis, a um outro patamar porque trata-se de fazedores das artes e da cultura que muita das vezes não tem a cultura como fonte de rendimento.


Por Exemplo: Para fazer uma peça de artesanato de Mapiko como esta aqui na minha mesa, é preciso comprar a madeira e produzir a peça de arte que leva muito tempo. A valorização da cultura não é muito clara, ou seja, como é que nós vamos cobrar uma criatividade, uma ideia, como é que se paga, como é que se define a autenticidade da própria peça, como é alguém faz por merecer aquele trabalho do artista. Por outro lado, em relação a música e a dança, nós temos vários artistas, vários talentos mas também é preciso que estes trabalhem, invistam na sua formação mas que também tenham algum apoio. Mas há muitos talentos de Cabo Delgado, como o Deltino Guerreiro, o AZ e o nosso embondeiro da música, o Imamo Ageque já saíram da Província em busca de melhores oportunidades e condições de vida artística.


Entretanto, para gravar um CD é preciso algum dinheiro e os artistas têm dificuldade em encontrar estúdios de gravação acessíveis e não podem viver apenas da música por exemplo. Durante os nossos festivais, como o Festival Wimbe, estes artistas encontram a oportunidade para apresentar os seus talentos e trabalhos, bem como de interagir com outros artistas de representação nacional ou internacional.


Neste sentido, apesar da nossa rica e vasta diversidade cultural, os eventos carecem de apoios para equipamentos e instrumentos musicais, entre outros aspectos ligados aos eventos. É nestas ocasiões que nos aproximamos das grandes empresas, das instituições bancárias para que apoiem e apadrinhem os artistas da nossa Província. Entretanto também sabemos que as empresas e o sector privado também tem suas limitações, suas preocupações e às vezes não vemos com grande impacto estas necessidades satisfeitas.

Ainda assim, para a industrialização da cultura há que, por parte dos artistas, ter um pouco de ousadia e julgo que os nossos artistas devem inovar, criar e não se limitarem a ficar à espera de uma mão. É preciso acompanhar o mercado, a indústria e a era digital e evoluir à medida que o tempo passa.


Por exempo, temos o nosso artista de xilogravura, o Matias Ntundo, um artista de enorme prestígio que consta no Catálogo Nacional da Cultura, à semelhança da Reinata Sadimba. Estes artistas são da nossa Província, do distrito de Mueda e ambos são conhecidos a nível internacional. O Matias vive na aldeia Nandimba, foi inicialmente apoiado pela Cooperação Espanhola e fez várias exposições, publicou livros e brochuras. E a Reinata também, com exposições internacionais mas vive em Maputo, na busca de melhores oportunidades. Entretanto, para acontecerem eventos culturais, exposições, os artistas precisam de um enorme apoio do sector privado e talvez de mecenas, com orientação do Governo, para que o artista se sinta acarinhado e que tenhamos a oportunidade de elevar a cultura local a outro nível.


EV-Para quando Cabo Delgado, Pemba será exactamente um destino turístico?

IA-Bom o Ministério da Cultura e Turismo já fez muito trabalho nesse aspecto, no Descubra Moçambique desde 2014 e, definiu mais recentemente os 5 destinos prioritários para desenvolvimento do turismo no País, dos quais “Cabo Delgado, Pemba-Quirimbas” é um deles. E, Cabo Delgado tem tudo para ser um destino preferencial a todos os níveis. Contudo, dada a transversalidade do turismo, há outras situações que dificultam a materialização deste desiderato, como o acesso e a questão da segurança que falamos anteriormente.


Pessoalmente, já tive um operador turístico de Inhambane, que me telefonou a dizer que tinha um grupo de turistas que queriam visitar Pemba e Ibo, passando pela ilha de Moçambique, partindo de Inhambane e, se eu podia garantir a segurança. Olha, eu disse que não era a entidade competente para garantir assuntos de segurança.


E nós temos tudo para ser um destino turístico preferencial a todos os níveis: somos o maior arquipélago do País, temos mais de 32 ilhas, temos a primeira Reserva Mundial de Biosfera (a Biosfera das Quirimbas) e, quem vai as Quirimbas quer ficar e não quer voltar mais, porque é extremamente lindo. A nossa gastronomia é riquíssima e a nossa cultura belíssima. As nossas tradições, danças, são mágicas e, eu só de cá, vivo cá, estudei fora mas sempre quis voltar para contribuir um pouco para o desenvolvimento da minha Província. Temos tudo, mas temos alguns entraves.

Ainda assim, convido a todos para virem desfrutar das maravilhas que Cabo Delgado tem para mostrar. Karibo Cabo Delgado!

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Ficha técnica

Director Editorial: Luís Nhachote (+258 84 4703860)

Editor: Estacios Valoi 

Redaçao: Germano de Sousa, Palmira Zunguze e Nazira Suleimane

Publicidade: Jordão José Cossa (84 53 63 773) email jordaocossa63@gmail.com

 

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