Cresce em Pemba o êxodo de refugiados da guerra em Cabo Delgado


Por Nazira Suleimane


Desde Outubro de 2017 que Cabo Delgado vem sofrendo ataques macabros de jovens armados. Desde Janeiro do ano corrente que populares do distrito de Quissanga vem se deslocando para cidade de Pemba por causa dos ataques que se fazem sentir naquele ponto da provincia.

Adamo Vicente, responsável de uma das embarcações que tem ajudado as pessoas a se deslocarem dos campos de guerra á cidade de Pemba, disse a nossa equipa de reportagem que as pessoas estão a fugir de Quissanga por conta da guerra. Adamo disse ainda que as populações perderam tudo nos ataques, suas machambas foram queimadas, casas incendiadas e já trouxe via maritima aproximadamente 300 pessoas em sua embarcação num intervalo de uma semana. A via maritima tem sido a mais segura por enquanto, tratando-se de que os que fazem ataques tomaram algumas aldeias e estradas.

Muanassa Pintane, cidadã que também fugiu da situação vivida em Quissanga disse ao Moz 24h:" estamos a fugir da guerra, perdi filhos e nem sei se o meu marido esta vivo. Logo que vi oportunidade de sair de lá saì sem olhar para trás e não pretendo voltar. Não quero morrer em pedaços. Aqueles homens já não são pessoas, matam sem piedade. Não sabemos o que fizemos para merecer este castigo. Deus nos ajude", desabafou Muanassa.

Rehemane Júlio, tambem deslocado de Quissanga, perdeu sua casa em Bilibiza. " prefiro ser um sem teto aqui em Pemba, mas não regressar a Quissanga, tenho medo. Aqui em Pemba não tenho o que comer, mas os meus familiares nao me fecharão as portas. " Disse Julio.

Outrossim, um jovem pescador acolhe consigo 14 familiares fugindo tambem de Quissanga. Este jovem, disse ao Moz24h que tem sido dificil esta situação. Receber familia sem quase nada para dar tem sido o seu dia á dia a quase 2 semanas. Sem apoio do governo as pessoas que estão a fugir das zonas de ataque ficam nos familiares, amigos ou mesmo em casa daqueles que de boa fé os recebem. O nosso entrevistado disse também que três agentes da PRM estiveram nessas embarcações a fugir desta situação. A questão que se coloca é, se os agentes de defesa fogem desta situação, quem irá defender este povo?



Deste modo, a Fundação AVC, centro de acolhimento de Chuiba, tem acolhido familias que estão a fugir de guerra nos seus distritos e estão a se refugiar nos lugares mais seguros, nesse caso cidade de Pemba. Esta fundação tem como parceiros a Unicef e colaboração com o governo. "As pessoas estão a fugir da guerra, embora o governo não assuma, nós temos pessoas a fugir da guerra, a situação não está boa em Cabo Delgado e porque não todo paìs, nós não temos como acolher a todos deslocados". Disse a fonte.

Entretanto, a equipa do Moz 24h foi ter com Luìs Salimo, secretario do bairro municipal de Paquitequete, uma vez que muitos estão alojados neste bairro, este disse que não se trata de deslocados pois essas pessoas estão a sair das suas casas para fazer um repouso nas suas familias. " o bom governo ainda não reconhece há existência de deslocados, pois não estamos em guerra, trata-se de um pequeno conflito nos distritos e governo vai resolver. Nao é abandono das suas casa, pois isso significaria que as pessoas deixariam suas galinhas, e cabritos nos distrito, e tambem a classe superior não reconhece ainda que há deslocados." Disse Luís Salimo ao Moz24h.

Nessa altura, a nossa reporter no mesmo dia dirigiu-se ate ao local onde se fazem chegar as embarcaçoes trazendo pessoas a fugir da guerra. Pela sua surpresa, a reporter foi solicitada pela policia em serviço e o secretario do bairro alegadamente: senhara jornalista não podes ir ao terreno depois de falar comigo a situação é grave, a minha informação é suficiente, essas pessoas ti dirão coisas erradas, você tem de ser como outros jornalistas que não vão ao terreno." Questionado se ha problemas em um jornalista ir no terreno, o secretário do bairro de paquitequete e os agentes da PRM em serviço naquela area disseram não ser seguro a sua ida averiguar a situação de existência de pessoas fugindo de ataques para cidade de Pemba."

Estes ataques se fazem sentir desde Outubro de 2017 e cada ano que passa tende a aumentar. 70% da população que fugiu festes ataques encontra-se no bairro de paquetiquete, no seio familiar, amigável e de pessoas de boa fé, e ate então sem apoio do governo. Nestas pessoas temos mulheres, idosos, homens e crianças de todas as idades.

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