Covid-19: Joaquim Chissano entre os líderes que pedem vacina gratuita para todos


Mais de 140 líderes e especialistas mundiais, incluindo Joaquim Chissano, Fernando Henrique Cardoso e Durão Barroso, assinaram uma carta aberta na qual pedem a todos os governos que se unam para encontrar uma vacina gratuita contra o Covid-19.

A carta surge poucos dias antes de os ministros da Saúde dos 194 Estados-membros da Organização Mundial de Saúde se reunirem em teleconferência para a Assembleia Mundial da Saúde, agendada para 18 de Maio. A carta, que marca a posição mais ambiciosa de líderes mundiais sobre uma vacina para o Covid-19, exige que todas as vacinas, tratamentos e testes sejam isentos de patentes, produzidos em massa, distribuídos de forma justa e disponibilizados a todas as pessoas de todos os países de forma gratuita. Entre os signatários constam o ex-Presidente de Moçambique Joaquim Chissano, o ex-presidente da Comissão Europeia e ex-primeiro-ministro de Portugal José Manuel Barroso, o antigo Presidente do Brasil Fernando Henrique Cardoso, além do antigo Presidente de Timor-Leste e Prémio Nobel da Paz, José Manuel Ramos-Horta. Entre os signatários constam ainda a criadora da Fundação Graça Machel, a ex-directora da Unesco Irina Bokova, a antiga presidente da Assembleia-Geral das Nações Unidas, Maria Fernanda Espinosa, o fundador da organização Médicos Sem Fronteiras, Bernard Kouchner, e o ex-Presidente colombiano e Prémio Nobel da Paz, Juan Manuel Santos. A carta foi também assinada pelo Presidente da África do Sul e presidente da União Africana, Cyril Ramaphosa, do Presidente do Senegal, Macky Sal, e do Presidente do Gana, Nana Addo Dankwa Akufo-Addo, além dos antigos primeiros-ministros espanhol Felipe González e italiano Mario Monti, além Constam ainda o ex-primeiro-ministro do Reino Unido Gordon Brown, o ex-Presidente do México Ernesto Zedillo, o ex-administrador do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas e a ex-primeira-ministra da Nova Zelândia Helen Clark. A estes nomes juntam-se ainda economistas notáveis, advogados da área da saúde e de outros campos pertencente à organização os Anciões, a ex-Presidente da Irlanda Mary Robinson, o Prémio Nobel de Economia Joseph Stiglitz, o director do Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças, John Nkengasong, e o relator especial das Nações Unidas para o direito de todos usufruírem dos melhores tratamentos em saúde física e mental, Dainius Puras. "Milhões de pessoas aguardam uma vacina, a nossa maior esperança para acabar com a pandemia", disse Cyril Ramaphosa, presidente da África do Sul. "Como todos países de África, exigimos que a vacina para o Covid-19 seja livre de patentes, fabricada e distribuída rapidamente e gratuita para todos. Toda a ciência deve ser partilhada entre governos. Ninguém deve ser empurrado para o final da fila das vacinas devido ao sítio onde mora ou ao rendimento que consegue ter", defendeu. "Temos de trabalhar juntos para vencer este vírus. Temos de reunir todo o conhecimento, experiência e recursos à nossa disposição para o bem de toda a humanidade", afirmou Imran Khan, primeiro-ministro do Paquistão. "Nenhum líder pode ficar tranquilo até todas as pessoas de todas as nações poderem ter acesso rápido e gratuito a uma vacina", acrescentou. A carta, coordenada pelas organizações não governamentais UNAIDS e Oxfam, alerta que o mundo não pode permitir monopólios ou concorrência que atrapalhem a necessidade universal de salvar vidas. "Esta é uma crise sem precedentes e requer uma resposta sem precedentes", considerou, por sua vez, a ex-Presidente da Libéria Ellen Johnson Sirleaf. "Depois das lições aprendidas na luta contra o Ébola, é óbvio que os governos devem remover todas as barreiras ao desenvolvimento e implantar rapidamente vacinas e tratamentos. Nenhum interesse é mais importante do que a necessidade universal de salvar vidas", disse. Os líderes que assinam a carta querem, no entanto, que haja, de imediato, um compromisso concreto que garanta que a vacina fique acessível e disponível para todos o mais rapidamente possível. "As soluções de mercado não são ideais para combater uma pandemia", reiterou o ex-ministro das Finanças do Brasil Nelson Barbosa. "Um sistema público de saúde, incluindo vacinação e tratamento gratuitos quando disponíveis, é essencial para lidar com o problema, como mostra a experiência brasileira com o licenciamento obrigatório de medicamentos anti-retrovirais no caso do HIV", concluiu. Desde que foi detectada na China, em Dezembro do ano passado, a pandemia da covid-19 já provocou mais de 294 mil mortos e infectou mais de 4,3 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço da agência de notícias AFP. (Moz24h com agencias)

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