COVID-19: CDD lança apelo à liderança juvenil


As competências de liderança são cruciais para garantir a ascensão dos jovens aos círculos de tomada de decisão a todos os níveis neste país, a começar pelo nível comunitário. Embora algumas pessoas possam com força, e talvez com razão, argumentar que a COVID-19, este inimigo invisível, seja a maior ameaça ao desenvolvimento que Moçambique enfrenta actualmente, acredito que a COVID-19 afigura-se como a maior oportunidade para os jovens mostrarem o seu verdadeiro carácter, libertarem as suas capacidades de inovação, reunirem o poder por detrás dos seus números, mostrarem a sua energia física e assumirem o centro do palco na luta contra esta pandemia, ganhando assim lugares permanentes em fóruns de tomada de decisão para todos os processos de desenvolvimento desde as comunidades locais até ao nível nacional. Se alguma vez houve um tempo em que os jovens pudessem um lugar na mesa de tomada de decisão neste país, esse tempo é AGORA. O mundo tem apelado particularmente aos jovens para adoptarem comportamentos responsáveis e tornarem-se agentes pró-activos na luta contra o coronavírus. No início de Março, o Director da OMS1 disse aos jovens que “não são invencíveis” e apelou para que adoptassem comportamentos responsáveis na prevenção e na luta contra o COVID-19. Donald Trump fez eco às mesmas palavras, dizendo aos jovens para pararem de reunir-se nas praias e nos restaurantes porque podem ser infectados e infectar os pais e os avós em casa2 . O Secretário de Estado para a Juventude e Emprego de Moçambique, Oswaldo Petersburgo, apelou recentemente aos jovens para assumirem a liderança na luta contra este inimigo invisível3 . É impossível escapar à vista o grande número de jovens nas zonas urbanas e rurais que não aderem à prevenção contra o COVID-19 em Moçambique. No seu programa Bom Dia Moçambique, no dia 7 de Março, a TVM teve uma reportagem sobre jovens a socializarem em grandes grupos sem máscaras num mercado na Beira. Agora os jovens podem responder ao apelo do mundo mostrando o seu carácter responsável e tornar-se um factor determinante na luta contra a COVID-19. No centro do distanciamento social, um dos principais métodos para derrotar o novo coronavírus, é a mensagem de ficar em casa, o que causa grande perturbação na nossa maneira de viver em comunidade. Para além de perturbar as nossas actividades económicas e grandes eventos como o desporto, festas, casamentos e actividades educativas, a mensagem de “ficar em casa” torna muito difíceis as visitas os nossos familiares e amigos nas prisões e nos hospitais, bem como conceder o devido enterro aos nossos entes queridos que partem. A mensagem de “ficar em casa” também perturba muitos fóruns tradicionais de tomada de decisão baseados na presença física, deixando as comunidades privadas de liderança em momentos-chave da comunidade, como a morte. Com as suas competências inovadoras, os jovens podem desempenhar um papel crucial na promoção do distanciamento físico ao mesmo tempo que ajudam a dar um sentido de orientação às comunidades e a fazer com que as pessoas sintam-se juntas através das redes sociais. De acordo com o Censo da População e Demografico 2017, mais de 6,4 milhões de pessoas tinham telemóveis e mais de 1,3 milhões tinham acesso à Internet nos seus telefones4 naquele ano. É certo que, desde então, estes números aumentaram bastante, proporcionando aos jovens um grande público onde promover e divulgar métodos de prevenção, bem como criar pólos virtuais de socialização.

Os jovens podem e devem assumir a liderança agora. Os números estão a seu favor. Em 2017, cerca de 32,4% (mais de 8,7 milhões) da população eram jovens com idades compreendidas entre os 15 e os 35 anos. Imaginem o golpe brutal neste inimigo invisível se todos estes jovens mostrassem o seu grande carácter e ficassem em casa. Imagine a força da luta se estes jovens mantivessem em casa os seus mais de 12,6 milhões de irmãos mais novos. Isso seria cerca de 79% da população de Moçambique a privar o novo coronavírus do seu principal meio de propagação - o contacto e proximidade física. Imaginem a influência de milhões de jovens com as suas máscaras sempre que têm de sair à rua. Acrescente a energia física e mental ao seu carácter, aos seus números e competências inovadoras, o que se vê são possibilidades ilimitadas. Poderiamos ver panfletos afixados em todo o lado com mensagens de prevenção. Poderiamos ver duetos e trios de jovens a trabalhar como agentes comunitários a ajudar a impor a ordem de permanência em casa; a ajudar a impor o uso de máscaras; ou a ajudar a impor o limite de participantes em reuniões necessárias, como os funerais. Há mais coisas que poderíamos ver. Poderíamos ver jovens a dirigir petições virtuais a instituições religiosas (incluindo igrejas e mesquitas) para viver à altura da sua mensagem de amor e prover às necessidades físicas das suas comunidades. Imaginem jovens a dirigir-se e, se o pior acontecer, a importunar os seus pastores e sheiks sobre a necessidade de fornecer pão aos famintos. Poder-se-ia ver jovens a inundar as ONG com petições por comida e sabão. Estas ONGs podem meter as mãos no bolso e servir pão aos que têm fome. Poderiamos ver os jovens a envolver empresas e clubes desportivos, grandes e pequenos, para satisfazer as necessidades dos seus clientes e adeptos, que os tornaram nas empresas que são hoje. Acrescente energia física e mental ao seu carácter, aos seus números e competências inovadoras e poderá ver jovens a dialogar com o governo para que este forneça uma cesta alimentar básica aos mais vulneráveis. Poder-se-ia ver jovens a envolver esmagadoramente com as suas autoridades comunitárias e distritais, para que possam prestar uma ajuda tangível aos mais vulneráveis. Poderiamos ver jovens a apelar ao fim da vida pródiga dos nossos líderes, enquanto nós, o povo, definhamos em fome abjecta durante esta pandemia. Poderiamos ver jovens a deslocarem- -se para os gabinetes provinciais e nacionais e mais longe até ao Parlamento, ao Conselho de Ministros e mais longe ainda até ao mais alto cargo nacional exigindo cortes salariais dos funcionarios mais altos do estado, ao mesmo tempo que estes funcionários se esforçam por satisfazer as necessidades dos mais vulneráveis. Os jovens, aos milhões, podem envolver todas estas pessoas e instituições através das redes sociais. As portas estão bem abertas para que os jovens dêem um passo em frente e ajudem a liderar o país na luta contra o COVID-19. Este é o momento em que os jovens devem mostrar o seu grande carácter, pôr as suas competências inovadoras a funcionar, juntarem-se aos milhões e reunirem a sua energia e tornarem-se o factor determinante para o desenvolvimento deste país, utilizando a actual pandemia como ponto de entrada. Ao falar com soldados americanos prontos para a guerra no Iraque, Donal Rumsfeld, antigo Secretário da Defesa dos EUA, disse: “Vai-se para a guerra com o exército que existe, não com o exército que poderão querer ou desejar ter mais tarde”5 . Os nossos jovens estão no seu melhor para liderar uma guerra vitoriosa contra o COVID-19 e assumir um papel central no processo de desenvolvimento deste país. Não há e não pode haver desculpa válida para a inacção da juventude. Chegou o momento de os jovens se mobilizarem e começarem a dar contribuições para salvar vidas nas suas comunidades.


O apelo à liderança juvenil ja foi feito, bem alto e claro. Irão eles responder?


Alguns jovens começaram a dar pequenos passos no sentido de uma resposta positiva ao apelo. Por exemplo, através do seu programa LEAD, o CDD Juventude está actualmente a implementar a segunda fase da sua Campanha Nacional de Resiliência e Sensibilização Comunitária com recurso as redes sociais. Até agora, eles gravaram e divulgaram 25 vídeos em várias línguas incluindo português, eMakua, Chopi, Changana, Shona, Sena, Ndau, Chuabo, Kimwani, Nhanja, Swahili,e Xitswa. Também colocaram folhetos nas ruas públicas e saíram em pequenos grupos para sensibilizar e encorajar as pessoas nas paragens de autocarro e nos mercados a aderir aos métodos de prevenção. Criaram grupos de WhatsApp para promover a socialização virtual e a prevenção da COVID-19 e enviaram SMS com informações precisas sobre os métodos de prevenção. CDD Juventud espera alistar cerca de 5 000 jovens na luta contra o COVID-19 até ao final do mês de Maio. Estas iniciativas dos jovens do CDD e de outros jovens são encorajadoras. Mas espera-se mais dos milhões de jovens neste país. Não há desculpa para a inacção dos jovens. Em cada comunidade, em cada posto administrativo e em cada distrito, os jovens devem organizar-se e mobilizar-se e agir contra o novo coronavírus. O apelo já foi feito. Que os jovens respondam AGORA. (CDD)

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