Comida desviada e vendida em Nampula





Comida para refugiados e deslocados internos em Nampula são vendidos na candonga e desviada para a casa das autoridades locais.


Por OZO


É um esquema que já tem barbas brancas. Denúncia recebidas pela nossa reportagem em meados do mês de setembro através dos funcionários de uma das organizações envolvidas na disponibilização dos produtos. Segundo dados colhidos pela nossa reportagem através de áudios, fotos e vídeos, demonstra que pessoas próximas aos funcionários das organizações responsáveis pela gestão dos produtos alimentares.

De acordo com as fontes, desde o mês de janeiro do presente ano se regista o desvio de produtos alimentares destinados aos refugiados acolhidos no Centro de Maratane, localizado a 11 quilómetros da cidade de Nampula, capital provincial e os deslocados que se encontram acampados no distrito de Namapa e Namatil para a Candonga. Conforme nos foi revelado, os produtos de primeira necessidade são vendidos a comerciantes locais a preços baixos que depois vendem normalmente nos seus estabelecimentos comerciais e parte do mesmo é redistribuído por um certo grupo dirigentes locais, entre eles chefes dos Postos e secretários dos bairros.

Segundo as fontes, antes da venda, os produtos são despejados e ensacados numa espécie de mudança de sacos que posteriormente são vendidos nos mercados como Faina e curiosamente a escassos metros do Posto Policial local e que alguns agentes da polícia se beneficiam do negócio. Com vista a confirmar os contornos do negócio, a nossa reportagem interagiu com duas figuras centrais deste esquema, que responde pelo nome de António, localmente conhecido por Antoninho, natural do distrito de Chiúre, província de Cabo Delgado, e que actua como intermediário com os comerciantes.

Na interação, a nossa reportagem fez-se passar de um comerciante querendo adquirido uma quantidade elevado de arroz, eis que fomos ditos que não havia problema para tal, que poderíamos indicar o local, ou nos dirigimos ao mercado da Faina, e logo que fizemos uma viatura de marca Mitsubishi CANTER, cor branca com a chapa de matrícula ABU-060-MP, poderíamos nos aproximar e perguntar por um indivíduo que responde pelo nome de Moisés que facilitaria tudo para aquisição do arroz.

No contacto com o motorista, acima mencionado, onde não nos apresentamos como jornalistas, mas sim, como quem quisesse comprar os produtos, Moisés disse que o seu papel era de transportar os produtos depois que são descarregados no local pelos "boss´s" acima mencionado e levar para os locais solicitados pelos clientes com um valor adicional, tendo na ocasião, a nossa reportagem dito que o nosso estabelecimento comercial se localizava no bairro de Subestação, aos arredores da cidade de Nampula, tendo dito que não era problema, mas o valor da compra dos sacos de arroz seria acrescentado tendo em conta o transporte.

Entretanto, conforme apuramos também, o grupo chega a vender na candonga numa semana cerca de 40 sacos de arroz e litros de óleo diverso que é transportado em viaturas diversas. Portanto, a situação mais preocupante é que o arroz é distribuído em sacos que não são das verdadeiras marcas de fabrico e vendido a preços do armazém, enquanto refugiados que não tem dinheiro para sair do Centro e fazer negócios, assim como os deslocados passam fome e necessidades, mesmo com o constante apoio da Agência das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR).

Sobre o assunto, a nossa reportagem procurou ouvir a Inspecção Nacional de Actividades Económicas (INAE) e SERNIC em Nampula, mas sem sucesso, assim como, a Direcção do IIAM, mas não tivemos resposta, no entanto, vamos continuar a seguir o caso, uma vez que constantemente as organizações não-governamentais de apoio aos refugiados e deslocados tem pedido financiamentos, no entanto, certos funcionários das tais instituições montam esquemas que prejudicam às reais necessidades.

Entretanto, apesar destas situações acima descritas, o Escritório das Nações Unidas para os Assuntos Humanitários (OCHA) através de um relatório divulgado nesta Quinta-feira, em Genebra planeia ajudar em 2022, mais de um milhão de pessoas, com orçamento estimado em 388,5 milhões de USD, onde o enfoque é a região norte de Moçambique. (Moz24h)

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