Com uma eventual mudança de Nyusi, para Mueda, venceremos os terroristas



À memória da minha mãe, a dona Felicidade Renalda Luís (Pateguana) que, se fosse viva, completaria no dia 13 mais um ano de vida!

 

Por Luís Nhachote


Quando a península de Palma foi massacrada na mesma data em que o governo e a multinacional Total anunciavam o retorno das actividades, os holofotes do globo viraram-se para aquele lugar onde jaz o gás natural liquefeito tanto procurado por colossos das economias mundiais. O gás emerge em Palma por conta dos agora sondavéis desígnios da natureza. Deus também é moçambicano!

 

Na azáfama da contagem dos mortos, feridos e desaparecidos, o nosso querido Presidente, que é constitucionalmente o comandante-em-chefe das Forças de Defesa e Segurança (FDS) esteve enclausurado num silêncio sepulcral. Pensava nos danos do âmago do gás? Ou nas FDS? Nos vivos, feridos e desaparecidos? Vai se lá saber!!!.

 

A verdade é que ao sétimo dia, depois da desgraça consumada em Palma, o PR decidiu libertar o verbo na Ponta de Ouro, por alturas da inauguração de uma filial do Instituto Nacional de Segurança Social (INSS), qual saco azul, onde disse, e passamos, desde já, a citar com a devida vénia “Foi mais um ataque. Não foi maior do que tantos outros que tivemos, mas tem esse impacto por ter sido na periferia dos projectos em curso naquela província”

 

No dia seguinte, numa outra inauguração, a da maior fábrica de cerveja do país, instalada em Marracuene, de que foi o especial convidado, descerrou a lápide sobre a carnificina de Palma. “No nosso discurso de tomada de posse, vincámos bastante a questão da diversificação da economia. Tem vindo a pensar-se só no gás e até nos matamos por causa disso”.  

Deste modo, sem se alongar sobre este tema, Filipe Nyusi, que não falava para os surdos e nem pregava no deserto, destapava nas entrelinhas o leit-motiv do massacre: “Tem vindo a pensar-se só no gás e até nos matamos por causa disso"

 

 

Nesse intervalo de comunicação aos eventos de Palma, tomamos conhecimento de que o seu homólogo sul-africano, Cril Ramaphosa convocava os serviços de defesa e segurança do seu país para análisar a situação de desgraça no norte do nosso país. E deste lado? Zweeeeee ti ti ti! Muita pouca comunicação tem fluído, desde que “moçambicanos de primeira” optaram pela contratação de forças privadas de segurança, do estilo a soberania reside no lucro. Maldito, o lucro.


Já agora senhor comandante-em-chefe qual é a nossa factura colectiva dessa bolada? É apenas uma curiosidade muito individual. É que a outra factura, em modo alegadamente soberano, foi nos debitada na espinha dorsal e no tutano do nosso patriotismo e moçambicanidade!

 

Porque a desejada repercussão via “Sky News”  e os seus bravos reportérs protegidos a dedo pelas nossas FDS, acabou por ser convocada, em regime extraordinário, a reunião dos países membros da SADC. Não era para menos. A “Sky News” alcança limites apenas ao alcance da imaginação dos jornalistas moçambicanos, que tem sido escolhidos a dedo para reportarem a nossa desgraça que está a deixar apreensivos os países da SADC, nossos vizinhos. É conhecida a máxima que quando a casa do vizinho está a arder é preciso que seja ajudado antes que a próxima casa a arder seja a nossa.

No entanto e pelo que já cá fora transpirou, corre nos corredores da SADC a piada da “lista de compras” que Jaime Neto, o nosso ministro da Defesa teria mostrado numa cimeira de Novembro onde se discutia Cabo Delgado.

 

Segundo relatos, Neto teria apresentado  aos líderes regionais uma "lista de compras" de equipamento militar para combater os insurgentes e não terá revelado ter qualquer plano coerente para resolver a questão dos ataques armados.

 

É evidente que Neto também esteja listado na maioria dos moçambicanos que gostariam de saber das razões da opção pelos Wagner (os russos já retirados de Cabo Delgado) e pelos DAG (que também estão aviados) e outra empresa que vem a caminho... No lugar das FDS.

 

Afinal o problema de Cabo Delgado está a ter contornos pós-surrealistas que se manifestam por uma estranha ausência de liderança. Os números da violência armada em Cabo Delgado, que está a provocar uma crise humanitária sem precedentes, indicam que cerca de duas mil pessoas foram mortas e quase um milhão foram forçadas a se deslocarem para lugares seguros, tais como a capital provincial, Pemba.

 

Por isto tudo, este inveterado incomensurável do patriotismo e moçambicanidade, acredita que está na hora de se fazerem uso das prerrogativas constitucionais para que se declare o “Estado de guerra em Cabo Delgado” e o nosso comandante-em-chefe se instale em Mueda, nosso berço de luta epopéica contra a dominação da longa noite colonial, onde a bravura de homens do planalto foi crucial, e onde jaze o seu cordão umbilical.

 

Cremos que o nosso Comandante-em-chefe das forças armadas podia deixar essas inaugurações do SUSTENTA para o Celso Correia as conduzir sem prejuízo da defesa da nossa pátria de heróis. O comandante-em-chefe deve ter na sua bússola sempre presente que em Mueda, a 16 de Junho de 1960, o sangue de incontavéis patriotas que exigiram a autodeterminação e foram massacrados, não pode ter sido derramado em vão. Foi em Mueda, no posto administrativo de Chai, que a 25 de Setembro de 1964, o nosso Camarada Chipande, seu tio afectivo, disparou o tiro que a história oficial lhe outorga a titularidade. É em Mueda, onde está o comando operacional do Norte que Filipe Nyusi deve se instalar, para dirigir a libertação “total e completa” de Cabo Delgado.


De Mueda o nosso comandante-em-chefe deverá nos informar da recuperação de territórios ocupados por estes bandidos que estão a estuprar a nossa bela pátria. Cremos cegamente que de Mueda oe "boatos" de uma única pessoa' nunca mais teriam lugar pois a guerra estaria sendo vencida e caberia ao "boateiro" publicar essas vitórias no mesmo espaço que decorreu a única entrevista concedida pelo camarada presidente, a um órgão privado no país. A vermos se a Skynews não se renderia a este gesto eivado de patriotismo e moçambicanidade.


I love you, comrade Filipe Nyusi! (Moz24h)

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