Cidadão ruandês assassinado em Maputo por desconhecidos


Maputo, Mozambique

Presidente da Associação dos Ruandeses em Moçambique associa este assassinato à nova "aliança política" entre Maputo e Kigali e alega que piorou a situação dos refugiados

MATOLA — Um cidadão de nacionalidade ruandesa, de nome Karemandigo Rebocatt, foi assassinado no início da noite desta segunda-feira, 13, em Maputo, por indivíduos desconhecidos e ainda a monte.

O facto, que aconteceu num dos bairros do município da Matola, na província de Maputo, foi confirmado à VOA por fontes da Polícia da República de Moçambique (PRM), que, sem avançar detalhes, prometeram falar do assunto na terça-feira. A vitima era um comerciante considerado de sucesso e dedicava-se à comercialização de bebidas alcoólicas e produtos farmacêuticos.


Segundo o presidente da Associação dos Ruandeses em Moçambique, citado pelo semanário Evidências, na sua edição digital, a vítima vivia no país desde a década de 1990, e tinha estatuto de refugiado.



Cleophas Habiyareme associa este assassinato à nova "aliança política" entre Maputo e Kigali e alega que a situação dos refugiados do seu país já não é a mesma.

“Desde que a força ruandesa está em Cabo Delgado vivemos numa situação de insegurança. Todos os dias os meios de comunicação de Ruanda falavam do nome dele e outros irmãos que estão a ser caçados pelo regime. Já estávamos à espera que a qualquer momento ia acontecer isto. Informamos ao Instituto Nacional de Apoio aos Refugiados que havia essa ameaça, mas nada foi feito”, lamentou Cleophas Habiyareme, citado pelo Evidências.



https://www.voaportugues.com/a/hrw-insta-autoridades-mo%C3%A7ambicanas-a-encontrar-jornalista-ruandes-raptado-e-evitar-seu-envio-a-kigali/5929545.html


A 23 de Maio, o jornalista ruandês, Ntamuhanga Cassien, asilado em Moçambique, desapareceu depois de ter sido levado por pessoas com uniforme da PRM e visto numa esquadra policial na Ilha de Inhaca.


Cassie fugiu da prisão de Kigali, em 2017, onde cumpria uma pena de 25 anos, após ter sido condenado por crimes de conspiração contra o Governo e cumplicidade em acto terrorista, o que ele sempre negou.


O Ministério dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação anunciou em Julho estar a acompanhar o caso, mas até agora nunca se pronunciou. (VOA)

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