CDD: Suspeitas de traição afecta a moral das Forças de Defesa e Segurança em Cabo Delgado


Nas últimas quatro semanas, os “insurgentes” assaltaram e ocuparam três sedes distritais (Mocímboa da Praia, Quissanga e Muidumbe), apoderaram-se do material bélico e causaram baixas significativas nas Forças de Defesa e Segurança. Se antes atacavam postos administrativos, desta vez os “insurgentes” foram mais ousados e invadiram sedes distritais, incluindo a vila municipal de Mocímboa da Praia que, além do Comando Distrital da Polícia, conta com um acampamento militar das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM). A aparente facilidade com que os “insurgentes” assaltaram as sedes distritais aumentou o sentimento de insegurança e de abandono no seio da população de Cabo Delgado e colocou vilas e cidades, incluindo a capital Pemba, em estado de alerta máximo. No seio das Forças de Defesa e Segurança, o avanço dos “insurgentes” está a criar um mal- -estar e há inclusive suspeitas de envolvimento de oficiais das FADM nos ataques, sobretudo no apoio logístico e no fornecimento de informações estratégicas ao inimigo. “Quase sempre, as nossas posições são atacadas depois de receber abastecimento. As embocadas também acontecem contra colunas que levam alimentos, armamento e fardamento aos colegas que estão no terreno”, descreveu uma fonte militar. As suspeitas de fuga de informação estão a afectar negativamente os membros das Forças de Defesa e Segurança, sobretudo a moral dos efectivos que estão no campo de batalha. “A forma como os ataques ocorrem e a forma como caímos em emboscadas, deixa muitas suspeitas. Estamos a perder muitos colegas e isso afecta-nos moralmente. Há um sentimento generalizado de que alguns chefes estão a nos trair”. As investigações da inteligência militar apuraram informações sobre a existência de altas patentes das FADM que colaboram com os “insurgentes”, fornecendo informações relevantes. Fontes militares apontam, por exemplo, para a possível detenção do Coronel Serafim Albano Maposse, antigo Comandante das Unidades Cerimoniais das FADM que era dado como desaparecido desde Dezembro de 2015 no distrito da Manhiça. A detenção terá acontecido em Fevereiro último, durante um ataque das Forças de Defesa e Segurança contra uma posição dos “insurgentes”, no distrito de Macomia. O Brigadeiro Armindo Carlos Nhabinde é outra alta patente das FADM que é dada como detida por suspeitas de envolvimento nos ataque. Armindo Nhabinde já serviu como Vice- -Comandante da Academia Militar “Marechal Samora Machel”  em Nampula e mais tarde como Director do Departamento de Finanças do Estado Maior-General. As detenções terão acontecido em Fevereiro deste ano, um mês depois da chegada de especialistas cubanos em contra inteligência militar para treinar jovens moçambicanos em matérias de recolha de informações estratégicas e em reconhecimento. A Escola de Sargentos das Forças Armadas, em Boane, é uma das unidades militares onde decorre a formação em contra inteligência militar. Outro problema que afecta a moral das Forças de Defesa e Segurança é a falta de condições materiais e logísticas para travar uma guerra contra os “insurgentes”. Não se sabe porquê razão não estão a ser usados os poucos meios disponíveis, como os aviões de combate - Mig-21, da Força Aérea Moçambicana, e as embarcações DV-15 (lanchas de alta velocidade equipadas com armas) que estão a apodrecer no Quartel da Marinha de Guerra, em Pemba. Parte desses meios foi apresentada como tendo sido comprada com o dinheiro das dívidas. Aliás, no estaleiro da MAM (uma das três empresas beneficiárias das dívidas ocultas), localizado no Porto de Pemba, há embarcações que não estão operar por razões desconhecidas. No lugar de usar as embarcações e aviões disponíveis e de reforçar os meios de combate das Forças de Defesa e Segurança, o Governo de Filipe Nyusi prefere contratar empresas de mercenários para travar as incursões dos “insurgentes”. Depois do grupo russo Wagner, o Governo contratou a empresa sul-africana Dyck Advisory Group (DAG), que opera em Cabo Delgado desde Abril. Ora, é um facto que nenhum Estado conseguiu ganhar uma guerra recorrendo a mercenários. O Wagner Group chegou a Moçambique em Setembro de 2019 e desencadeou uma série de incursões contra os terroristas. Mas depois de perder alguns homens nas emboscadas sofridas em Muidumbe, Macomia e Mocímboa da Praia, o Wagner Group retirou-se das operações em Novembro, tendo retornado à zona do conflito um mês depois. Mas em Março último, os mercenários russos retiraram-se definitivamente de Moçambique, após fracassar a sua missão de combater os terroristas. O Dyck Advisory Group perdeu um helicóptero de marca Gazelle na primeira operação contra “insurgentes” em Quissanga. O aparelho foi atingido por armas ligeiras dos “insurgentes”. Apesar do seu silêncio infundado sobre a situação que se vive em Cabo Delgado, o Presidente da República tem conhecimento do mal-estar no seio das Forças de Defesa e Segurança. Há dias, Filipe Nyusi promoveu jovens militares a oficiais superiores das Forças Armadas, com a patente de Tenente-coronel, num esforço de incentivar a juventude a empenhar- -se no combate contra os “insurgentes”. (Centro para Democracia e Desenvolvimento)

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