CDD: Rastreio e testagem em Afungi ignora comunidades locais que trabalham com técnicos da Total



Até ontem, sexta-feira, Moçambique contabilizava 34 casos positivos do novo coronavírus, sendo 26 de transmissão local e 08 importados. O cumulativo de casos suspeitos e testados era de 898. Dos 34 casos, mais de 20 são de pessoas que tiveram contacto directo com o famoso “1º caso de Afungi”, nomeadamente o trabalhador da petrolífera francesa Total que foi diagnosticado como positivo no dia 1 de Abril. Foi no acampamento de Afungi, no distrito de Palma, onde o cidadão com mais de 60 anos contactou com cerca de uma centena de pessoas, das quais duas dezenas já foram diagnosticadas positivo para a covid-19. Depois de identificar as pessoas que tiveram contacto com o “1º caso de Afungi” dentro do acampamento, as investigações do Ministério da Saúde, através do Instituto Nacional de Saúde, prosseguem para identificar a outra rede de pessoas que terão mantido contactados com o primeiro grupo. Entretanto, no distrito de Palma as investigações das autoridades de Saúde concentraram-se Créditos: _ SAPO Notícias ESPECIAL COVID-19 Maputo, 18 de Abril, 2020 Number 16 Português I www.cddmoz.org 2 ESPECIAL COVID-19 I www.cddmoz.org Propriedade: CDD – Centro para a Democracia e Desenvolvimento Director: Prof. Adriano Nuvunga Editor: Emídio Beula Autor: Emídio Beula Equipa Técnica: Emídio Beula , Agostinho Machava, Ilídio Nhantumbo, Isabel Macamo. Layout: CDD Contacto: Rua Eça de Queiroz, nº 45, Bairro da Coop, Cidade de Maputo - Moçambique Telefone: 21 41 83 36 CDD_moz E-mail: info@cddmoz.org Website: http://www.cddmoz.org INFORMAÇÃO EDITORIAL: PARCEIRO PROGRAMÁTICO PARCEIROS DE FINANCIAMENTO Comissão Episcopal de Justiça e Paz, Igreja Católica no acampamento de Afungi, ignorando as comunidades locais que tiveram contacto com técnicos da multinacional francesa. Trata-se de técnicos do Departamento de Relações Comunitárias e Reassentamento que diariamente contactavam com as comunidades de Quitupo, Milamba e Quitunda para tratar de assuntos relacionados com o reassentamento. Há registo de encontros recentes entre quadros do Departamento de Relações Comunitárias e Reassentamento e a Comissão Local de Reassentamento, que inclui líderes das aldeias afectadas pelo projecto de Gás Natural Liquefeito (GNL). Há muitos jovens das comunidades locais que trabalham nas obras de construção de casas para o reassentamento em Quitunda e outros foram contratados para as obras da futura fábrica de LNG, em Milamba. “Todos esses membros da comunidade tiveram vários contactos com técnicos que saíam do acampamento de Afungi, mas eles não aparecem nas estatísticas do rastreio feito pelas autoridades da Saúde. A testagem centra-se apenas nos quadros e técnicos que vivem no acampamento de Afungi, ignorando centenas de pessoas que vivem nas comunidades locais”, denunciou uma fonte que trabalha em Palma. Sendo público que o primeiro caso do distrito de Palma partiu do seu acampamento, a petrolífera Total deveria financiar uma campanha de rastreio e testagem em todas as comunidades afectadas pelo projecto de GNL para evitar a propagação da covid-19. Assim, as investigações do Instituto Nacional de Saúde iriam abranger a vila de reassentamento de Quitunda e as aldeias de Quitupo, Milamba, Ngodji, Mondlane, Senga, Maganja e Barabarane. Só financiando uma campanha de rastreio e testagem, a Total estará a mostrar o seu compromisso com as comunidades locais. (Centro para Democracia e Desenvolvimento)

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