CDD diz que Filipe Nyusi frustra expectativas de milhões de moçambicanos com omissões e ilusões


Tal como anunciado, o Presidente da República apresentou ontem a comunicação à Nação sobre os 100 dias de sua governação completados no último fim-de-semana. A comunicação acontece num momento em que Moçambique enfrenta dois grandes problemas, nomeadamente os ataques armados no centro e no norte do país e a pandemia da covid-19. Por isso, havia grande interesse dos moçambicanos de acompanhar o discurso de Filipe Nyusi, transmitido em directo pelas rádios, e televisões e redes sociais. No caso dos ataques armados, os moçambicanos esperavam que o Presidente da República abordasse, com profundidade, a situação de terror que se vive em Cabo Delgado, explicando que medidas tomou para proteger a população e para defender a soberania nacional; que tipo de dificuldades está a enfrentar no combate contra os “insurgentes”; e que tipo de soluções pretende tomar para ultrapassar essas dificuldades. É preciso lembrar que foi nos primeiros 100 dias da sua governação que os “insurgentes” intensificaram os ataques terroristas, tendo assaltado a vila municipal da Mocímboa da Praia e as sedes distritais de Quissanga e Muidumbe. Sobre a pandemia da covid-19, esperava-se que o Presidente da República falasse não só das medidas tomadas para a prevenção da doença e para a protecção da economia e das famílias vulneráveis, mas também dos resultados concretos que essas medidas estão a produzir. Ou seja, avaliar até que ponto Moçambique está a alcançar as metas definidas com a aplicação das medidas em curso. Entretanto, Filipe Nyusi apresentou uma lista de pequenas realizações feitas nos 100 dias de governação, ignorando por completo as grandes questões do momento e frustrando as expectativas de milhões de moçambicanos. Falando dos ataques, o Presidente da República tratou-os como um desafio que está a condicionar a coleta de receitas e a mobilidade de pessoas e bens. Ora, tratar um conflito que já matou mais de 700 pessoas, originou milhares de deslocados e representa a maior ameaça à soberania e integridade territorial como um desafio que condiciona a coleta de receitas e mobilidade de pessoas e bens é, no mínimo, falta de consideração com as pessoas afectadas. O Presidente da República ignorou por completo a crise humanitária que afecta perto de 200.000 pessoas em Cabo Delgado, uma situação agravada pela falta de assistência humanitária, tanto nos distritos afectados pelos ataques, como na cidade de Pemba, onde chegam milhares de deslocados à procura de segurança. Mais uma vez, Filipe Nyusi voltou a ignorar o massacre que ocorreu nos 100 dias da sua governação: o assassinato de 52 jovens na aldeia de Xitaxi, distrito de Muidumbe. Os jovens foram executados por “insurgentes” supostamente por terem recusado integrar as fileiras do grupo no dia 7 de Abril. Quando à pandemia da covid-19, Nyusi disse que o seu Governo alocou 48 mil milhões de meticais para resposta de emergência, sendo que 27 mil milhões serviram para financiar pequenas empresas e apoiar famílias carenciadas. Ora, há dias, a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) informou que muitas empresas estão no sufoco devido à falta de liquidez e queixou-se da falta de clareza para o acesso à linha de crédito dos 500 milhões de dólares anunciado elo Banco Central. A CTA disse ainda que a maioria das empresas está a operar abaixo de 25% do seu potencial e que pelo menos 364 suspenderam as actividades, ameaçando mais de 10 mil postos de trabalho, principalmente no sector de hotelaria e restauração. Entretanto, o Presidente da República anunciou que nos 100 dias de governação foram criados 48.323 empregos, uma média de 483 empregos por dia. Claramente que o número de empregos anunciado está longe de reflectir a realidade, tal como os 38 “estabelecimentos industriais” que Nyusi disse terem sido criados durante os 100 dias de governação. O Presidente da República disse que a intenção da sua comunicação à Nação era deixar claro e firme que continua focalizado na agenda nacional. Mas a verdade é que no fim da comunicação ficou claro que além dos ataques terroristas em Cabo Delgado e da pandemia da covid-19, há um terceiro grande problema que marcou os primeiros 100 dias da sua governação: a falta de uma visão estratégica para Moçambique. No fim da sua comunicação, Nyusi declarou que “apesar das adversidades, a vida em Moçambique não parou”. A pergunta é: Que vida, senhor Presidente? E mais, a função de um Governo não é garantir a continuidade da vida, mas sim assegurar as condições necessárias para que as pessoas tenham oportunidades de melhorar a qualidade das suas vidas. (Centro para Democracia e Desenvolvimento)

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