Castigo Langa avisa ao Presidente Nyusi para recusar 3 mandando tal como recusou o tractor


Castigo Langa, ex-ministro da Energia no Governo chefiado por Joaquim Chissano

Camarada Presidente


Agradeço a oportunidade de tomar a palavra nesta derradeira fase da preparação do 12º Congresso do nosso Partido. Por vezes perguntam-me se não tenho medo de abordar assuntos tão delicados no Comité Central. Eu respondo que não, porque os membros do Comité Central são meus Camaradas. Se eu estiver errado, hão-de corrigir-me. Tenho medo, por exemplo, de ir a Nelspruit porque oiço dizer que em Nkomati Port há bandidos. Camarada Presidente Camaradas Membros do Comité Central Entendo que o objectivo desta sessão é assegurar que o Congresso decorra de acordo com o estatuído e seja um momento de festa e de reafirmação do compromisso da FRELIMO em desenvolver o nosso país e construir a prosperidade do povo. Durante alguns anos chefiei o Sector de Estudos e Análise do Partido e nessa condição tive o privilégio de reunir-me regularmente com diferentes quadros e estudiosos para debatermos os mais diversos assuntos e produzirmos recomendações para a direcção do Partido. Tal como se diz na gíria, uma vez polícia, polícia para o resto da vida. Esta função criou-me o vício de tentar prever o desfecho ou consequências de determinados fenómenos. Foi assim que no Congresso de Muchara, ao comentar o discurso de encerramento com o Camarada Filipe Jacinto Nyusi, então Ministro da Defesa Nacional, sugeri que tomasse nota de determinado aspecto, porque ele iria ser o nosso Presidente. Abriu a sua pasta tirou um bloco de notas e assim o fez. Quando finalmente foi eleito pelo Comité Central candidato a candidato à Presidente da República, fui dar-lhe um abraço e ofereci-lhe um texto por mim escrito em 2012 intitulado A FRELIMO E O SÉCULO XXI e um livro intitulado PORQUE FALHAM AS NAÇÕES?, escrito por Daron Acemoglu e James Robinson. Então perguntou-me: Como é que sabias? Este relato vem à propósito duma iniciativa que teve lugar no último congresso, em que, sem estar na agenda, foi aprovada uma resolução indicando o Camarada Presidente como candidato presidencial da FRELIMO para eleições que se avizinhavam, bem como da narrativa de alguns fazedores de opinião acerca de um terceiro mandato. O meu apelo vai pessoalmente para o camarada Presidente: caso apareça uma proposta no sentido de ser o próximo candidato da FRELIMO nas eleições presidenciais, por favor, faça como fez com a oferta de tractor: não aceite. Não seria bom nem para o Camarada Presidente e sua família, nem para a FRELIMO e, seria um precedente com consequências imprevisíveis para o nosso país. Uma proposta nesse sentido, tanto pode provir de oportunistas com o objectivo de cavalgarem o Camarada Presidente na prossecução de seus fins egoístas, contrários ao interesse nacional, como de camaradas de boa-fé, apenas invadidos pelo medo do desconhecido. Em relação a estes últimos, gostaria de socorrer-me do debate havido quando o Camarada Presidente Joaquim Alberto Chissano manifestou perante o Comité Central a intenção de não se recandidatar nas eleições de 2004. Alguns camaradas expressaram o seu receio de não encontrarmos um candidato capaz de assumir o cargo. Em resposta, o Camarado Presidente Joaquim Chissano sossegou-nos dizendo que, do seu conhecimento dos vários chefes de estado pelo mundo fora, naquele Comité Central havia muitos camaradas capazes de exercer devidamente o cargo. A experiência provou que estava certo. Depois do camarada Presidente Armando Guebuza que era um veterano com longos anos na direcção da FRELIMO, temos connosco o Camarada Filipe Jacinto Nyusi que até poucos anos antes, não frequentava sequer os bastidores do governo Central mas saiu-nos um grande estadista, um presidente com obra feita nas mais diversas vertentes da vida do País. Dada à nossa amizade dos tempos de estudante engenharia, estaria pessoalmente confortável com a eventual continuação do Camarada presidente Filipe Jacinto Nyusi mas pesa-me a consciência porque sei que mudanças inconstitucionais podem encorajar iniciativas de igual natureza por parte de outros protagonistas, com elevado potencial de descambarem em tragédia. Se da tragédia resultar sangue, será o Camarada Presidente a sujar as mãos enquanto os proponentes se distanciam sem qualquer pudor nem hesitação.

Muito obrigado

Castigo Langa Maputo, 15 de Setembro de 2022 (X)

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