Cabo Delgado três anos de terror e de complacência de um Estado falhado...


Por Luis Nhachote


No passado dia, 5 de Outubro, completaram-se três anos do início de uma sublevação, sem rosto, contra o Estado moçambicano na provincia de Cabo Delgado.

Há quem insista em chamar “insurgência” e “insurgentes” a quem esteja a esquartejar a nossa soberania naquele ponto do país, apesar do dicionário explicar que (insurgente) é: “[R]ebelde; que se revolta contra um poder estabelecido; que possui uma opinião contrária a; que se levanta contra algo ou alguém: multidão insurgente”.

A expressão “insurgência” tem estado a ser abusivamente usada por órgãos de comunicação social, como se de um recurso linguístico se tratasse, quando na verdade estamos a falar de terroristas, os bandidos armados do nosso tempo!

Até agora, pelo menos publicamente, não se conhece o comando por detrás das crueldades que já provocaram milhares de mortos e deslocados e insegurança de arrepiar em Cabo Delgado, uma província que a natureza bafejou com recursos energéticos, minerais e naturais.

Em Fevereiro, pouco antes do regresso de Londres ao país do nosso paciente zero da aurora da Covid-19, ouvimos o presidente da República, Filipe Nyusi, a dizer em Pemba para uma vasta plateia que “se derem a cara e disserem o que querem nós vamos ouvir”.

Foi de Mueda que a insurreição contra o colonialismo português teve lugar, com o primeiro tiro a ser outorgado a Joaquim Chipande pelos historiadores da epopeia. Mueda é o distrito berço de homens valentes que terão estado na linha da frente militar durante a decáda que durou a luta até a assinatura dos Acordos de Lusaka.

Os mais espevitados costumam dizer em surdina, por vezes, e em voz alta, noutras, que a indicação de Filipe Nyusi para presidente foi a necessária moeda de troca do equilibrio da Unidade Nacional, cujos homens do planalto de Mueda continuam a ser respeitados pela sua bravura no tacto com o pó das armas. Nyusi é o herdeiro natural dessa franja de homens que tem (ainda) as suas vozes audivéis no circulo decisório do partido Frelimo desde a sua gesta.

A configuração de peças chaves no início da primavera governamental de Nyusi, em lugares sacramentais, obedeceu a nomeação de velhos guerrilheiros makondes “na sua vez de governarem”.

Vimos um Lago Lidimo nomeado a director dos Serviços Secretos, Atanásio Mtumuke para ministro da Defesa e a manutenção dos generais Chipande e Pachinuapa na Comissão Política da Frelimo. Em suma, lugares nevrálgicos foram entregues a homens de uma tribo altamente respeitada em matéria de defesa e segurança.

Contudo, como nos referimos mais acima, desde 2017 que a provincia de Cabo Delgado vem sendo palco de uma pandemia assassina e cruel e espantam-nos o silêncio dos melhores filhos da província, da pátria em matéria de guerra.

Na mesma província, que é a capital da terceira maior baia do Mundo, os senhores dos cifrões das multinacionais dos rúbis, gás e petróleo defendem, com ajuda dos meios da violência legítima do Estado, os seus interesses enquanto a indefesa pobre população é massacrada.

A falta de transparência dos contratos do Estado com grupos de forças privadas (a quem também chamam de mercenários), como as do coronel Dick e as tropas Wagner é disso sintomática.

Os moçambicanos na generalidade sabem apenas que as suas forças armadas têm sido apoiadas nos combates por mercenários do grupo sul-africano Dyck Advisor, uma empresa do ex-coronel do exército da Rodésia, Lionel Dick.

Sabem também por alto os moçambicanos, donos do país, que a força Paramilitar Wagner, fundada em 2007 por Dmitry Valerylich, um antigo oficial do exército russo também andaram por Cabo Delgado.

Em alguns círculos de opinião debate-se o tipo de acordo que vincula estes grupos e o Estado moçambicano. Há quem acredita que estas presenças deveriam ter sido tratadas como assunto de soberania nacional, e por ai envolver todos os órgãos de Estado com voz no caso.

Mas perdura o secretismo ao mais alto nível de quem está em frente do destino dos moçambicanos. Está na hora de quem governa Moçambique perceber que o país não é uma coutada privada que pode ser fonte de renda.

São esses cenários que não desmentem que estamos diante de uma Estado falhado. Alguém precisa de fazer o SHUT DOWN e o RESTART de Moçambique. Em nome da pátria. Que é de todos nós!

206 visualizações

Subscreva a nossa Newsletter

  • facebook

Ficha técnica

Director Editorial: Luís Nhachote (+258 84 4703860)

Editor: Estacios Valoi 

Redaçao: Germano de Sousa, Palmira Zunguze e Nazira Suleimane

Publicidade: Jordão José Cossa (84 53 63 773) email jordaocossa63@gmail.com

 

NUIT: 100045624

Nr. 149 GABIFO/DEPC/2017/ MAPUTO,18 de Outubro  

Endereço Av. Cardeal Don Alexandre dos Santos 56 (em Obras)

© By BEEI