Cabo Delgado: Deslocados acusam alguns elementos do exército de extorsão para facilitar escolta


Autoridades não comentam denúncias de alguns deslocados que querem regressar às suas zonas de residência

MANICA — Deslocados de ataques terroristas de grupo aliado ao Estado Islâmico na província moçambicana Cabo Delgado dizem que enfrentam dificuldades na tentativa de regresso às suas zonas de origem, em virtude de certos elementos das Forças de Defesa e Segurança (FDS) exigirem dinheiro para integrar a escolta. O trajecto Mueda-Mocímboa da Praia-Palma é feito com a protecção de militares, desde que as autoridades anunciaram o restabelecimento da segurança na região e consta que viaturas de transporte de passageiros e carga são sujeitos a uma triagem rigorosa da tropa.

Mas este processo que pretende ajudar no regresso às origens é manchado pela conduta de certos homens uniformizados, disseram à VOA alguns deslocados

“São oportunistas,” acusa um deslocado, que pede anonimato para evitar retaliações.

O mesmo acrescenta que é neste processo de “integrar a escolta” que os condutores e vários passageiros são forçados a pagamentos de subornos.

“Os carros não passavam, mas agora passam e são cobrados (pelas FDS)”, revela ou um outro morador de Palma, que também pediu o anonimato por receio de represálias.

Outro deslocado, que pediu o anonimato por receio de retaliaçōes, reclamou que “agora tens que pagar 1000 meticais (15 dólares americanos) de Mueda para Palma”, além do “refresco”, em alusão ao suborno.

A situação foi também denunciada pela publicação electrónica Carta de Moçambique, citando proprietários de algumas viaturas que acusaram militares de condicionar as escoltas de viaturas ao pagamento de subornos, que variam de 5.000 a 20.000 meticais.

Perante este cenário, centenas de deslocados aglomerarem-se na sede distrital de Mueda, no início desta semana, como forma de pressionar a mudança de postura das forças governamentais e permitir o regresso à Palma.

Entretanto, como reportou a estatal Rádio Moçambique (RM), o comandante da Polícia da República de Moçambique (PRM) em Cabo Delgado, Vicente Chicote, disse que as forças estavam a preparar um regresso seguro da população às suas zonas.

Contactado pela VOA, Ernesto Mandugue, porta-voz da Policia em Cabo Delgado afirmou que não se pode pronunciar sobre as queixas dos deslocados relativas ao alegado comportamento de militares, e que qualquer explicação deve ser dada pelo responsáveis do chamado Teatro Operacional Norte, que coordena a luta contra os terroristas.

“Tem uma direcção lá que pode responder por isso,” disse Mandugue.

Até o final do dia, a referida autoridade não havia respondido a um pedido de comentário da VOA.

Entretato, na vizinha província de Niassa, um grupo armado voltou a atacar na noite de quinta-feira,23, a aldeia Naulala, a 75 quilómetros da sede de Mecula.

O grupo invadiu a tiros a aldeia, largamente abandonada, mas teve a resistência das FDS destacada para tentar impedir o alastramento do grupo que aterroriza a província de Cabo Delgado desde 2017. (VoA)

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