Cúpula da SADC preocupada e solidária com Moçambique


Na semana passada a troika da SADC (Comunidade de Desenvolvimento da África Austral) reuniu-se para analisar a situação, num encontro em que foi notória a ausência de Filipe Nyusi que aviou para Gaberone o ministro da Defesa, Jorge Neto.

De acordo com a troika que contou com os presidentes do Botswana, África do Sul, Zimbabwe, República Democrática do Congo e Malawi e o vice-presidente da

Tanzânia é urgente que a sub-região dê apoio a Moçambique para combater os terroristas que estão a provocar uma crise humanitária em Cabo Delgado.

Em comunicado avançado na semana passada em Gaborone, no fim do encontro, a cimeira apontou para a necessidade da “conclusão de uma resposta regional abrangente de apoio a Moçambique que deve ser avaliada com urgência pela cúpula” da SADC.

Quem não demorou foi o Presidente malawiano, Lazarus Chakwera que após o término do encontro da troika da SADC anunciou que vai enviar os seus militares para ajudarem no combate aos terroristas em Cabo Delgado.

Entretanto, analistas do Malawi alertam ao seu presidente para não tomar decisão unilateral sem coordenação com a SADC.

Há seis meses, a 19 de Maio, a troika do órgão de Política, Defesa e Segurança da SADC esteve reunida em Harare, capital do Zimbabwe, e comprometeu-se em apoiar ao Governo de Moçambique na luta contra os terroristas em Cabo Delgado, sem, no entanto, avançar

mais detalhes sobre o tipo de ajuda ou os passos subsequentes.

Na sexta-feira da semana passada, a ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Verónica Macamo, alertou sobre o perigo da expansão dos ataques de Cabo Delgado para outras partes desta região da SADC. Na ocasião Verónica Macamo voltou a pedir apoios,

sobretudo na vertente humanitária considerada dramática.

“O seu combate e erradicação no país é urgente antes que ele avance para outras regiões”, disse a ministra durante o encontro que manteve em Maputo com representantes das

agências nas Nações Unidas que operam em Moçambique.

“A comunidade internacional deve estar connosco” para evitar-se que o fenómeno ganhe raízes e se espalhe para outros locais.


Centro Regional de Combate ao Terrorismo


Para o combate ao terrorismo em Cabo Delgado e na República Democrática do Congo, está em curso a criação de um Centro Regional de Combate ao Terrorismo e se espera que já esteja operacional em 2021. A informação foi avançada pela secretária executiva da SADC.

A Comunidade de Desenvolvimento da África Austral considera que os ataques terroristas que afectam Moçambique, a República Democrática do Congo e nos últimos tempos a Tanzânia podem se alastrar para outros países da região se não forem decisivamente combatidos. O Centro será gerido por profissionais e peritos e facilitará uma vigilância eficaz e intervenções atempadas pela Região”, lê-se no discurso de abertura da Cimeira

Extraordinária da Troika da SADC e dos países contribuintes com as tropas para a brigada de intervenção contra o terrorismo na República Democrática do Congo e na República de Moçambique, dirigido pela secretaria executiva Stergomena Lawrence.

O evento que decorreu no Botswana tinha como objectivo a partilha de dados dos serviços de informações, assim como uma compreensão clara do tipo de assistência que a região pode dar aos Estados-membros directamente afectados pelos ataques terroristas.


Entretanto

O Parlamento Europeu tem agendado a partir desta quinta-feira, dia 3 de Dezembro, o início de debates a volta da situação do terror de Cabo Delgado.


Enquanto isso


O ministro da Defesa de Portugal acaba de admitir a possibilidade de enviar forças militares para ajudar Moçambique no combate ao terrorismo em Cabo Delgado, em função do que as autoridades do país pretendam, destacando a experiência na área da formação.

“Portugal está disponível. Moçambique é um país irmão, da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), um país com o qual sentimos grande proximidade e

estamos obviamente sempre disponíveis. Em primeira linha, compete às autoridades moçambicanas estabelecer aquilo que entendem por útil. Portugal está

completamente disponível”, disse Gomes Cravinho.(Redacção)

43 visualizações0 comentário