Basílio ou Bernardino: Qual deles pula fora?


Por Sérgio Cossa


Depois que ficamos todos a saber que, na Polícia da República de Moçambique há esquadrões de morte, vocacionados para a eliminação de vozes incómodas ao regime, esperamos mais do que cosméticas suspensões e comissões de inquérito. Aliás, isto já havia sido feito aquando das mortes num estádio em Nampula depois de um comício do candidato presidencial da Frelimo, Filipe Nyusi. E para variar, até hoje não são conhecidos os resultados da comissão de inquérito mandada instaurar depois do acidente de Nampula. E mais uma vez, o Ministério do Interior vem nos oferecer a mesma dose: susepensão e comissão de inquérito. Mas desta vez estamos perante algo muito grave: há dentro da corporação uma Unidade que se dedica a eliminação física e intimidação de figuras que incomodam o regime.

Uma Unidade, diga-se de passagem ,que não actua por conta própria, (não acredito que quem premiu o gatilho e assassinou Anastácio Matavele sabia das suas ideias e das suas actividades), mas cumpre ordens. E ordens superiores. Por isso não deixa de ser surreal que a comissão de inquérito já formada seja constituída somente por oficiais da PRM. É em suma, o suspeito a investigar os crimes de que se acredita que tenha cometido. Apartida, a referida comissão de inquérito não oferece nenhuma credibilidade. Com este andar, um dia manda-se aos criminosos irem investigar os seus próprios crimes. Uma comissão de inquérito credível tinha que incluir figuras externas a PRM. Por, exemplos magistrados e advogados. Porque essa de alguém auto-investigar também não dá. Nem faz sentido. Uma coisa é certa, os esquadrões de morte já sairam da penumbra e a sua existência está provada. Muita pena que, para termos a certeza do que já sabiamos tenha custado a inocente vida de Anastácio Matavele.

É mais do que hora de alguém assumir responsabilidade das acções dos polícias- assassinos. A cabeça de Basílio Monteiro já foi pedida. E com razão, ele tem responsabilidade política sobre as acções dos elementos da Polícia da República de Moçambique. E issso não se pode negar.

Mas há outra figura que tem que ser responsabilizada. O Comandante- Geral da Polícia, Bernadino Rafael. Ele que não perde oportinidade de assumir protagonismo sempre que o assunto é a PRM. Ele que muitas vezes confunde-se com um político, tamanha que é a sua apetência pelas camâras da comunicação social. Ele que tem a responsabilidade operacional da PRM.

Basílio Monteiro ou Bernardino Rafael, um deles tem que dar a mão a palmatória e pôr o cargo a disposição. Claro, o melhor é se forem os dois. A democracia exige isso deles.

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