"Bandidos Armados" atacam Quissanga quando ministros da Defesa e Interior estão na provincia


Estacio Valoi


Depois de tomada de assalto a vila da Mocímboa da Praia, no Norte de Cabo Delgado, durante a madrugada de hoje, dia 25 de Março quando eram 4h00 locais os Bandidos Armados irromperam pelo distrito de Quissanga em mais um ataque.

O ataque ocorre durante a visita dos Ministros da Defesa Jaime Bessa Neto e do Interior Amade Miquidade a provincia de Cabo Delgado depois dos eventos que culminaram com o hastear da bandeira dos Bandidos Armados no distrito da Mocimboa da Praia, um acto sem precedentes desde que a Guerra iniciou a 5 de Outubro de 2017.



“Quissanga Sede esta em fogo. Todas as pessoas fugiram. Alguns estão nas ilhas e outros no mar.” Ainda conseguimos ver o fumo aqui de longe. Disseram fontes.

A 10 de Fevereiro do corrente ano em reportagens do Moz24h centenas de pessoas devido aos ataques abandonaram o distrito a procura de refúgio em outras partes da província de Cabo Delgado

Tinham como principal saída a via marítima segundo pessoas que iam chegando a Cidade de Pemba em embarcações, as populações tinham perdido tudo ou quase tudo. O que sobrou era trazido nos barcos, transportado na cabeça para as carrinhas que esperavam no proto pesqueiro de Paquitequete.

Durante aquele período mais de trezentas pessoas escalaram a cidade de Pemba apos suas machambas, casas terem sido incendiadas numa via marítima considerada segura contrariamente a via terrestre.

Na altura as famílias tiveram que refugia-se em casa dos seus familiares, amigos e outros acolhidos por algumas associações, Fundação AVC, centro de acolhimento de Chuiba “ estamos a fugir da guerra, perdi filhos e nem sei se o meu marido esta vivo. Logo que vi oportunidade de sair de lá saí sem olhar para trás e não pretendo voltar. Não quero morrer em pedaços. Aqueles homens já não são pessoas, matam sem piedade. Não sabemos o que fizemos para merecer este castigo. Deus nos ajude”

" Prefiro ser um sem tecto aqui em Pemba, mas não regressar a Quissanga, tenho medo. Aqui em Pemba não tenho o que comer, mas os meus familiares não me fecharão as portas. " Disse Júlio.

Diziam fontes na altura que o governo ainda não reconhecia a existência de deslocados. Entretanto, a equipa do Moz 24h foi ter com Luís Salimo, secretario do bairro municipal de Paquitequete, uma vez que muitos estão alojados neste bairro, este disse que não se trata de deslocados pois essas pessoas estão a sair das suas casas para fazer um repouso nas suas famílias. " O bom governo ainda não reconhece há existência de deslocados, pois não estamos em guerra, trata-se de um pequeno conflito nos distritos e governo vai resolver. Não é abandono das suas casas, pois isso significaria que as pessoas deixariam suas galinhas, e cabritos nos distritos, e também a classe superior não reconhece ainda que há deslocado." Disse Luís Salimo ao Moz24h.


Via marítima segura?


Mocímboa da Praia, de novo... No dia 23 de Marco deste ano a semelhança do dia 5 de Outubro de 2017, para a vila da Mocímboa da praia fica eternamente marcada com a maior destruição alguma vez vista perpetrada pelos bandidos armados que via marítima e terrestre tinham tomado a vila durante todo o dia ate a sua retirada de ‘ livre e de espontânea vontade.”

Segundo fontes em termos de vitimas este ‘e o rescaldo por eles feitos para alem da massiva destruição de infra estruturas desde instituições governamentais como a residência do administrador, a secretaria provincial, o Registo civil, o edifício da autoridade tributaria (AT), os bancos BCI,BIM, o quartel militar, o porto tendo atingido o auge quando se deslocaram a cadeia local onde para alem de libertarem os presos que la se encontravam. Apenas deixaram ilesas as salas de aulas, hospital. Saquearam alimentos, destruíram outros bens privados

Os bandidos armados ‘ tiveram acesso a tudo. Passearam’ removendo todas as da república de Moçambique, estearam suas bandeiras do Estado Islâmico desde o quartel das FDS, no comando distrital da polícia.

Segundo fontes os bandidos armados estavam posicionados desde a rotunda que da entrada a vila e a entrada para o distrito de Palma, outros no bairro de Nanduadua, e na zona da praia a partir do bairro de Pamunda enquanto outros estavam posicionados na estrada, logo na entrada entre o distrito de Macomia e Mocímboa no bairro do Milamba vulgo Zalala, montaram barricadas em todas as entradas que dão acesso ao distrito de Mocímboa da Praia, prontos para emboscar, o que tornou difícil a entrada de qualquer reforço

Todos os carros deles inclusive de algumas pessoas aqui da vila levaram queimaram. Os gajos são fudidos até fizeram ligação directa. Saíram com carros, outros levaram barcos e foram se embora. Agora isto já esta calmo. Levaram barco e tudo, tinham tomado até o porto. Nosso ministério só esta preparado para chatear pessoas. Ele que vive esta situação me doeu.


A única via segura de travessia para Quissanga e outros lugares é via marítima


Para além da guerra que se vem registando, e actualmente agravando – se com a situação de intransitabilidade pela ponte sobre o rio Montepuez, em Mocímboa da Praia faltam produtos alimentares, e, quando há os preços são assustadores.

“Comida aqui há falta. Como ponte ainda mal a comida passa via litoral de barco. Agora quando vem aqui faz muito caro. Ate um saquinho de farinha de 50kg esta a 2 mil meticais. Eu aqui tenho uns 10 refugiados que vem da aldeia de Nacimoja.”

Da cidade de Pemba diariamente saem bens alimentares, um pouco de tudo na sua maioria trazidos de outras províncias em carinhas camionetas que chegam ao porto dos pescadores em Paquitequete para serem transportados para as zonas, distritos afectados pelos ataques armados

‘Levaram barcos”

E agora os bandidos armados “Saíram com carros, outros levaram barcos e foram-se embora. Tinham tomado até o porto.”

Segundo constatamos das nossas fontes os bandidos armados acabaram saindo pelo mar nas embarcações de patrulha da costa adquiridas por Moçambique através da Empresa Moçambicana de Atum (EMATUM), ao estaleiro francês Construções Mecânicas da Normandia (CMN) deixaram o porto de Cherbourg, no noroeste da França, alocadas em Pemba em 2013 pelo Governo de Armando Guebuza ao custo mais de 2,5 bilhões de dólares em endividamento ilegal.

“Entendemos que os militantes embarcaram no transportador Alha HS12 mas não sabemos o destino do patrulheiro HSI2 que também estava no porto. Acreditamos que foi roubado. Disse uma fonte.

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