Antigos combatentes repudiam críticas à sua participação na guerra

A Associação dos Combatentes da Luta de Libertação Nacional (Acllin) de Moçambique repudiou hoje críticas à participação dos antigos combatentes na luta contra grupos armados em Cabo Delgado, defendendo a proteção da "soberania" face aos "terroristas".



© Lusa


"O secretário-geral da Acllin [Fernando Faustino] criticou as vozes que têm estado a questionar a legalidade da atuação da forca local no combate aos ataques terroristas", refere um comunicado divulgado pela organização.

O empenho dos antigos combatentes tem estado a contribuir para travar as investidas dos "terroristas", avança a nota.

"O secretário-geral da Associação dos Combatentes da Luta de Libertação Nacional reafirma a prontidão dos membros da sua organização na luta contra o terrorismo em Cabo Delgado", lê-se no texto.


Desde a luta armada contra o colonialismo português, prossegue o comunicado, os antigos combatentes têm estado empenhados na defesa da soberania do país.

Membros da Acllin e seus filhos formaram a chamada "força local" para ajudarem as Forças de Defesa e Segurança (FDS) na luta contra os insurgentes que protagonizam ataques na província de Cabo Delgado, norte do país.


A participação da força local na guerra em Cabo Delgado, com armas e uniforme fornecidos pelo Governo, tem sido criticada por vários analistas, que consideram que, legalmente, as tarefas de defesa do território pertencem às FDS e não a milícias ou forças irregulares.


A Acllin é uma organização filiada à Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder, e congrega antigos combatentes da guerra de 10 anos contra o colonialismo português e que culminou com a proclamação da independência nacional em 1975.

A província de Cabo Delgado é rica em gás natural, mas aterrorizada desde 2017 por rebeldes armados, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo extremista Estado Islâmico.


O conflito já provocou mais de 3.100 mortes, segundo o projeto de registo de conflitos ACLED, e mais de 817 mil deslocados, de acordo com as autoridades moçambicanas.

Desde julho, uma ofensiva das tropas governamentais com o apoio do Ruanda a que se juntou depois a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) permitiu aumentar a segurança, recuperando várias zonas onde havia presença de rebeldes.(NM)

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